quinta-feira, 31 de outubro de 2013
COM AMIGOS DESTES...
segunda-feira, 11 de março de 2013
DIA DA MULHER
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
ADIVINHA
Qual é coisa? Qual é ela?
- Não é botão de casaco de inverno;
- Não é ouriço apanhado na baixa-mar;
- Não é malha de jogar à cartola;
- Não é calhau caído das alturas;
- Não é roda de veículo;
- Não é OVNI;
O que é afinal?
Quem adivinhar tem direito a um igual.
terça-feira, 31 de julho de 2012
A MINHA IDADE
A progressão do grau de dificuldade obrigava a que os objetos se fossem diversificando, até, numa etapa intermédia, chegarmos ao retrato. Então, como as crianças, por vezes, são cruéis em relação uma às outras, eu pedia que fizessem o meu e não o dos companheiros.
Por essa altura do processo ensino/aprendizagem, da turma que refiro, uma aluna a Ana Cristina, dois olhos de gente atrevidos a encimar uma boca irreverente, num corpo de enguia, com cabelos de andorinha, escreveu no seu texto “a minha professora tem trinta e cinco anos. Eu sei que ela tem trinta e sete, mas não quer que se saiba” Achei delirante e decidi, no momento, que não mais teria outra idade.
Este ano, a minha filha mais velha, para quem a ordem é uma obsessão e a quem cabe providenciar o bolo, lamentava “com a brincadeira dos trinta e cinco anos, quando um dia olharmos as fotografias, nem saberemos quantos anos tinhas na altura” “quando olhares as fotos, não te preocupes com a cronologia; festeja o facto de eu estar viva no momento que recordas”.
Aqui para nós, aquele lamento era mesmo conversa de quem está mais velho do que eu… mas, não me pesa a consciência, eu avisei uma filha e outra e até o genro, que com a mania de somarem anos aos que tinham, chegaria o dia em que seriam mais velhos que eu. E, como atrás ficou provado, já aconteceu!
Na noite de sábado, dia vinte e oito de Julho, encontrei num jantar de beneficência, uma das minhas professoras primárias: a Sra. D. Deolinda Barbeiro, pessoa de quem gosto muito e que faz o favor de me atribuir algumas qualidades que não sei se terei o privilégio de possuir.
Ela chegou tarde, acompanhada do marido e de uma amiga, todos os presentes já jantavam. Logo que pude, levantei-me e fui cumprimentá-la “a senhora continua linda (e não exagerava), como gosto de a ver!” “linda?! Sabes quantos anos já tenho?” “trinta e cinco, é da minha idade” – ela riu e acariciou-me a bochecha – eu estava acocorada junto da cadeira em que se sentava, com receio de que ouvisse mal e sem querer que olhasse para cima. “Só tu!” E as tuas filhas?” “Já estão mais velhas do que eu. A Íris fez, há poucos dias, quarenta anos e a Zara fará trinta e sete em Novembro”. E, a conversa continuou com a leveza que a intimidade permite à ternura, para cessar com a retoma obrigatória dos acontecimentos em volta. Voltei ao meu lugar, de onde a fui mimando com sorrisos que me retribuía.
Na verdade, eu não menti à Sra. D. Deolinda. Tenho momentos em que sou mais nova que as minhas filhas, muitos mais em que não ultrapasso a idade do meu neto e outros, raros felizmente, em que sou mais velha que os noventa e quatro anos de minha mãe.
O meu bilhete de identidade jura, a pés juntos, que nasci em mil novecentos e cinquenta, contudo, a Germana, que exibe um número igual no seu, diz-se mais velha dez anos…
Vá lá saber-se quem fala verdade!
sábado, 5 de maio de 2012
O PEDIDO
Levantei-me e fui espreitar. O meu amigo VL, que reside a duas escassas centenas de metros, aguardava.
Abri a porta e ele, com um largo sorriso começou por me avisar “tenho muita pressa, mas não quis deixar de passar por aqui. Não me esqueci do seu pedido”. A minha cabeça rodopiou - pedido? - e eu comecei a espremer os neurónios enquanto ia fazendo os cumprimentos, como ia a saúde, a família… - pedido? mas que pedido? - E eu tentava retroceder a uma velocidade supersónica para lembrar-me a que pedido o meu amigo se referiria - eu fizera um pedido? Eu, prima direita da supermulher, com a mania da autossuficiência, fizera um pedido que o meu amigo vinha satisfazer? – “Entre, sente-se um bocadinho. Não vai ficar à porta” “não me diga que já não se lembra do que me pediu?! Não vim antes porque não estava em condições de satisfazer o seu desejo” – Santa Bárbara! Socorro! O que terei pedido? Ah! Já me falha a memória! Que tristeza! - E enquanto tentava ser agradável com o meu amigo VL, com quem até faço alguma cerimónia, debatia-me ferozmente comigo própria.
O VL entrou, sentou-se e sempre com o mesmo riso divertido tirou do bolso o meu presente: um pequeno saco de plástico da farmácia com alguma coisa dentro. “Se é da farmácia só pode ser remédio e sendo remédio far-me-á bem à saúde” disse eu em desespero de causa, fula por não conseguir lembrar-me do hipotético pedido e tentando disfarçar o mais possível a falha que estava a cometer com o meu amigo, por não me lembrar do episódio que este referia.
Então o VL, homem dado a eloquências infindáveis, ensaiou um discurso pomposo cuja conclusão, para não estar com mais delongas se pode resumir na simples frase: cada um dá o que tem e a mais não é obrigado, princípio a que ele naquele momento dava cumprimento, pela grande amizade e consideração que me tinha e, finalmente, tira do saco da farmácia a panaceia de todos os meus males: um barquinho de plástico verde e amarelo, um speedboat, com uma argola atrás, presa a um fio que o faz mover velozmente, com o qual eu, no próximo banho de imersão, chegarei num instantinho às Sheychelles.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
É O FADO
Um amigo, que já não via há imenso tempo, telefonou. Que ia ser operado ao olho direito, que queria ver-me enquanto me via bem, pois poderia ficar cego e ficar a ver-me só pela metade. Além disso, no Verão vira ginjas à venda, lembrara-se de mim, comprara, pusera-as em infusão em aguardente e pretendia dar-mas, para que eu fizesse licor.
Sugeri que viesse merendar comigo no Domingo, se queria olhar para um cromo em vez de esperar pela hipótese de ficar a ver mal e depois imaginar-me uma estampa e que trouxesse as ginjas na aguardente que eu tinha “Zabelinha Borrachona” e “Zabelinha Princesa”, dois dos afamados licores produzidos no Zabeleiria Laboratórios - SA, para a troca.
Apareceu com dois sacos de plástico. “Costumam dar-me lâmpadas para a empresa, como sei que compras, trouxe-te algumas”. Eram dois sacos porque umas tinham casquilho grosso e outras fino. Agradeci.
Pusemos a conversa em dia, comemos torradas e bebemos café com leite. Dei-lhe dos meus licores e uma taça de marmelada para levar.
Depois do meu amigo partir, quando ia arrumar as lâmpadas lembrei-me do candeeiro do escritório. No escritório, a que a minha filha mais nova sempre chamou pomposamente "quarto azul", talvez por a cor existir parcamente na decoração, há um candeeiro de tecto com cinco túlipas. Desde que inventaram a moda das lâmpadas economizadoras que o dito nunca mais dispôs de lâmpadas iguais, porque, por sovinice, recuso-me a comprar de uma vez todas as necessárias, que ainda por cima dão uma luz que detesto. Assim cada vez que compro uma lâmpada nunca recordo o desenho das que já tenho, resultando por isso, que o candeeiro tenha, desde há algum tempo, cinco lâmpadas diferentes, o que constitui motivo de riso para quem repara no pormenor. Eu justifico-me como posso “será que sabiam que existia tantas espécies de lâmpadas? Isto não é descuido, é informação, é cultura”, mas, justificavelmente, ninguém acredita nas minhas boas intenções.
No saco das lâmpadas de casquilho grosso escolhi cinco lâmpadas iguais, mas… não havia. O meu amigo dera-me conjuntos de quatro.
O candeeiro lá continua no tecto do quarto azul, desta vez com quatro lâmpadas de nove e uma de onze, são todas torcidas muito pomposas, só que a de onze tem mais uma volta. Não são todas iguais, mas são parecidas.
Má sorte ser candeeiro em minha casa! É fado ter lâmpadas diferentes!
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
À SEMELHANÇA DE FREI TOMÁS
Numa quarta-feira, única manhã em que disponho de umas horas livres, em Lisboa, espreitei na loja do pequeno Centro Comercial onde costumo comprar algumas peças de roupa e encantei-me com umas calças de ganga. Azar! Já não havia o número.
Chegada a Leiria, no feriado de quinta-feira passada, convidei a minha amiga P, para ir comigo a uma localidade próxima, onde sei haver uma loja que vende aquela marca de calças e onde costumamos ir passear algumas vezes, quer queiramos ou não adquirir alguma coisa.
A minha amiga P. é a mais consumista de todas as minhas amigas e assume o facto com a maior naturalidade. “Gosto de coisas boas e bonitas” costuma dizer. “Quem não gosta?”- pergunto eu. Pois com imensa piada a minha amiga P. há uns tempos para cá, assumiu-se como o amplificador de som da Troika e não pára de fazer a todos os amigos discursos sobre as necessidades de contenção, coisa que ela, na prática, nem sabe o que é.
Na quinta-feira, passada inquirida sobre a compra que pretendia realizar, ouvi o discurso. Porque eu quase nem visto calças de ganga, porque com frio já nem sabe bem vestir as ditas e a estes, outros argumentos se juntaram, demonstrando que o investimento seria desnecessário. Eu fui rindo e explicando que ainda estávamos na meia estação, que o modelo era giríssimo e que as calças de ganga que possuía estavam velhas e gastas.
Antes de nos dirigirmos à loja pretendida ainda passámos por outra onde eu experimentei um casaco que ia muitíssimo bem com “o meu tom de pele” e foi a minha deixa para entrar naquele coro de lamentações “nem pensar, em tempos de crise” “mais caro que o ordenado mínimo!?” “Compro-o depois nos saldos” e saí porta fora, aplaudida pelos elogios da minha amiga: “Fazes muito bem. Com os tempos que correm sabe-se lá se o dinheiro não fará falta para outra coisa? E a cimeira deste fim-de-semana? Nem sabemos se não teremos de ir segunda-feira, logo de manhã, ao banco levantar quanto dinheiro temos”.
Subimos a escada rolante de um lado e descemos do outro, mais uns metros de corredor e estaríamos onde eu pretendia ir, mas antes… “Espera, esta loja está com reduções e tem coisas giríssimas. Vou entrar”. E a minha amiga entra e dirige-se, direitinha, ao expositor dos seus encantos, comigo atrás. Mexe, apalpa, experimenta…
Enfim, eu continuo sem calças, mas a minha amiga possui mais duas camisolas e um casaco…
“Mas as coisas são lindas, lindas, lindas.”- Comenta a P. quando, por eu ter contado aos amigos, todos brincamos com o facto.
“À semelhança de Frei Tomás, façam como ela diz…”
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
ESPERANÇA
UM CASO DE POLÍCIA
Mas onde estará?
Dei pela falta e fiquei numa aflição. Sumira o meu tesouro.
Onde estaria? Sumira o beijo que trocámos, as palavras que inventámos para dizermos que o nosso amor jamais se cansará de amar e até o calor da tua mão na minha, em cada lado da noite, levara descaminho.
Contratei o Sherlock Holmes, Monsieur Poirot, Maigret, Tom e Two Pences, Miss Marple, Jessica Fletcher e nem eu cruzei os braços. Após investigação cuidada e persistente, eis o que descobrimos:
Uma qualquer que se diz eu, de avental à banda, pretende o que me pertence, sem decoro.
Aqui d’el-rei! Chamem a polícia!
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
DIA INTERNACIONAL DO BLOG
“Mergulhei” em O MAR DO POETA (cambetabangkokmacau.blogspot.com) e fiquei a saber que era o DIA INTERNACIONAL DO BLOG, estabelecido informalmente, por a data 31/08 se assemelhar com a palavra Blog (na letra que uso, nem por isso, mas com um esforçozinho, até resulta…)
Possivelmente, devido a tal circunstância, logo pela manhã fui informada que um grupo que se auto denomina “O ATAQUE DO POLVO” pretendia chantagear-me, dando à estampa, neste mesmo espaço, determinado "documento".
Mulher temerária, prima direita do SUPERHOMEM, garanto, sem pretender gabar-me, que polvo que apanhe acaba comido em salada, “à lagareiro”ou enrolado em arroz.
Sem qualquer receio, o dito "documento" aqui fica.

