sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
AH! OS NETOS...
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
A CARTA
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
O ATO CRIATIVO - ANA FERNANDES
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
A MENSAGEM
sábado, 3 de novembro de 2012
QUE FALTA FAZ UM MARIDO PRESTÁVEL
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
SÓ PODE SER CASTIGO
sábado, 27 de outubro de 2012
AQUELE VESTIDO PRETO
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
A IGUALDADE DE GÉNERO
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
NADA É COMO DANTES
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
A CHÁVENA DE CAFÉ
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
CONFESSO
António, não mereço perdão, acho justo que se queixe à polícia e me mande prender (só para a semana, agora ando muito ocupada), mas ainda albergo a esperança de que me perdoe… Nem sequer "roubei" o texto todo, ainda deixei um pedaço para si. Há quem roube muito mais e continue por aí, pavoneando-se impunemente.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
FAÇAM CÓCEGAS À VIDA
sábado, 1 de setembro de 2012
LUA AZUL
Aqui deixo Elvis Presley
e Ella Fitzgerard
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
A CRÓNICA POSSÍVEL
Uma ida a Lisboa, para cuidar da neta. Um passeio a Viana do Castelo. “Nunca te cansas?” – perguntou a filha. Uma tarde de domingo a preguiçar, em casa, para retemperar e, de novo, S. Martinho.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
CHEGOU O INVERNO
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
O PRÉMIO
terça-feira, 17 de julho de 2012
ESTAREI DOENTE?
domingo, 15 de julho de 2012
LER
segunda-feira, 23 de abril de 2012
AINDA NÃO FOI DESTA
Eu teria cinco, seis anos, não mais. Uma curva apertada feita em louca correria ocasionou o acidente… Bati com a face na vedação compacta de toros de eucalipto, mais ou menos da minha altura, espetados no chão lado a lado, com que meu pai ordenara ao Coquelimoque que salvaguardasse a pequena horta, das minhas pisadelas às couves e do assalto aos nabos bola de neve. Ainda hoje gosto de nabos crus, nomeadamente daquela qualidade.
Já não recordo a dor, mas lembro-me bem da enorme choradeira, coisa em mim desusada. A dor deveria ter sido tão intensa!
A minha mãe desceu as escadas desde o primeiro andar, num ápice e levou-me para cima. O médico, o Dr. Francisco Dias, que se encontrava presente em visita domiciliária por meu irmão estar doente, pegou-me ao colo, atravessou toda a casa e sentou-me em cima da mesa da cozinha, a mais alta de todas. Desta vez não foi para eu ficar crescida “num instantinho” mas para me examinar mais facilmente. Eu ainda não parara de chorar.
“Não há sangue” disse a minha mãe, “mas dói-lhe muito” retorquiu o médico. Eu acabara de ganhar um desvio no septo nasal e da mazela da face, ficaria para a vida com uma covinha quando sorrisse, pois rompera a bochecha sem rasgar a epiderme.
“Não vai ser atleta” sentenciou o Dr. Dias acerca do meu futuro “o desvio do septo não é grave e quanto à covinha até lhe dará graça ao sorriso” e para aliviar receitou de imediato pachos de água fria e logo que possível gelo, coisa de que não dispúnhamos, à época, com a facilidade que dispomos hoje.
Muitos anos passaram e com eles muitas mais covinhas foi ganhando o meu sorriso…
De facto não fui atleta, mas o que não nasceu torto e por qualquer motivo se entorta, algum dia terá de endireitar-se. Chegou no sábado, dia vinte e um, a vez de o meu nariz ser submetido a uma septoplastia, sentenciada desde o tempo em que o meu otorrino era um jovem de farta e saudosa cabeleira negra…
“Tenho medo de acordar morta” chalaçava eu, adiando a operação com medo da anestesia. “Garanto-lhe que morta não acorda, de certeza” respondeu o clínico invariavelmente, anos a fio.
Ainda não foi desta que acordei morta, mas para já tenho um nariz igualzinho ao da Miss Piggy.
Agora, em vez de sonhar com o Cavalo Verde, passo as horas a suspirar pelo Sapo Cocas…
domingo, 15 de abril de 2012
PALAVRAS
Acordei muito cedo, levantei-me, abri as persianas e tomei o pequeno-almoço. Pouco passava das seis da manhã. “Que faria a pé, que não pudesse fazer deitada?” E voltei para a cama.
O Sol ainda esfregava os olhos e eu fiquei a vê-lo acordar. Gosto das madrugadas.
Sentia frio. Em minha casa nunca faz frio, o aquecimento central não permite, mas eu sentia um certo desconforto. Era mal de alma. Tinha “frio por dentro” como diria a minha mãe. E como nós riamos, eu e o meu irmão, com o meu pai encolhido e a tremer fazendo por imitá-la “Ai, tenho frio por dentro…” Agora já não rio. Já não tenho o meu pai para fazer pantomina, nem o meu irmão para fazer coro e sei que “ter frio por dentro” é sentir saudade...
Mas eu bani a palavra do meu vocabulário… deve estar frio lá fora…
Quando a luz exterior permitiu, peguei numa revista e vagueei por aquelas páginas, sem muita atenção. Uma crónica que falava de ulmeiros fez-me olhar para a parede do fundo do quarto. Apeteceu-me Monet,” As Amapolas” ali coladas em toda a extensão da parede, ao fundo do meu quarto a ondularem ao vento que soprava lá fora, fazendo esvoaçar loucuras na minha imaginação…
Com as cores veio a vontade de encher o espaço de palavras mansas, bonitas, musicais, limpas e luzidias como as cores da manhã e frescas, acabadinhas de inventar.
E, numa amálgama louca, ali estava Eugénio de Andrade…
Que fizeste das palavras?
Que contas darás tu dessas vogais
de um azul tão apaziguado?
E das consoantes, que lhes dirás,
ardendo entre o fulgor
das laranjas e o sol dos cavalos?
Que lhes dirás, quando
te perguntarem pelas minúsculas
sementes que te confiaram?
* In Matéria Solar, Porto, Limiar, 1980


