domingo, 7 de novembro de 2010

UMA VIAGEM AO CONTRÁRIO

TEIAS DA VIOLÊNCIA

Teve lugar hoje, dia 6 de Novembro o Seminário Teias de Violência , no Hotel Eurosol, em Leiria, promovido por MULHER SÉCULO XXI - Associação de Apoio às Mulheres, sita na Av. Marquês de Pombal , Lote 25 -1.º A.

Com muita pena não consigo publicar aqui o magnífico cartaz.

Para uma sala cuja lotação era de cento e setenta e quatro pessoas houve duzentas inscrições. Estive presente em representação da Junta de Freguesia de Marrazes e pude comprovar que, num magnífico Sábado de sol, o público era maioritariamente jovem. As intervenções que versaram a igualdade de género, a violência doméstica, a violência no namoro e a violência contra os idosos foram interessantíssimas.

Se os números de que ouvi falar me constrangeram, tal como a tomada de consciência de que também para mim chegará a velhice, coisa em nunca tinha pensado tão seriamente, alegrou-me o facto de ouvir que muito já se faz em defesa de quem precisa de ajuda e encantou-me sobretudo o entusiasmo com que as equipas presentes defenderam os seus projectos. Fico sempre fascinada quando oiço alguém falar com amor do trabalho a que se dedica.

Está de parabéns a Dra. Maria Isabel Gonçalves, Presidente da Mulher Século XXI, pela extraordinária forma como decorreram os trabalhos.

Não posso deixar de felicitar também a jurista Dra. Filomena Baptista que, de forma brilhante, coligiu as conclusões dos trabalhos do dia.

sábado, 6 de novembro de 2010

MOLESKINE

Ontem, comprei o meu Moleskine para 2011.
Tenho a mania dos cadernos de capa preta. O preto resulta da ausência de cor e eu acredito que assim vou colorindo os dias a meu belo prazer. Anos atrás costumava mesmo usar dossiers de arquivo negros, em que fazia colagens de frases, gravuras e recortes vários de jornais e revistas. Depois cobria tudo com papel autocolante transparente e, modéstia à parte, o produto final era muito interessante.
Mas ontem eu ia com a ideia fixa “o Moleskine tinha de ser diferente”, receava era que a Arquivo me traísse. Entrei e, atrás do balcão estava uma menina estilo bolinho de coco, daqueles com muitas gemas, que não vão ao forno e levam muito açúcar, disse ao que ia e antes da pequena ter tempo de abrir a boca dirigi-me ao expositor e servi-me “é mesmo isto que quero”. Entretanto ela já estava atrás de mim, possivelmente receosa de que com tanta genica eu fugisse com a livraria às costas, “também temos outros, depende do tamanho que deseja”, disse-me ela, “é mesmo isto que quero, cor, tamanho e modelo”. Ela condescendeu e premiou-me com o seu sorriso mais simpático, digo eu que nunca lhe vi outro, e desandou para trás do balcão, para que ultimassemos o contrato de compra e venda.
E assim me tornei proprietária de um lindo Moleskin de capa vermelha, em que os dias não estão divididos por horas, mas onde não me faltam folhas para escrever. Que me importam as horas! Desde que me reformei que os relógios cá em casa não atinam, mais cinco ou dez minutos, tanto faz, mas este ano, com a entrada na Junta de Freguesia o stress voltou a apoderar-se do meu dia-a-dia. Isso vai mudar. Não volto a correr à frente das horas! Contudo, 2011 ainda não pode chegar, primeiro porque estão por cumprir muitos dias de 2010, e depois porque ainda não personalizei o meu novo Moleskine, ainda não fiz o meu 2011.
O meu Moleskine de 2010 abre com Pessoa (Ricardo Reis, Odes)”Cada dia sem gozo não foi teu/Foi só durares nele. …Feliz a quem, por ter em coisa mínimas /Seu prazer posto, nenhum dia nega/ A natural ventura!”
Para o Moleskine de 2011 balanço entre Saramago “É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já…… é preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e parar traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre” e Manuel Alegre “O que é preciso é poesia dia a dia”.
E para o dia dos meus anos o que vou escolher? Não conheço nada que quadre tão bem comigo como Pessoa, Tabacaria “Não sou nada/Nunca serei nada/Não posso querer ser nada./ À parte isso, /Tenho em mim/todos os sonhos do mundo”. Foi o que escolhi para Março passado. Depois, pelo que de bom me foi acontecendo ao longo do dia, passado sobretudo a brincar com o André por conta da varicela, não resisti a acrescentar “Qui vit sans folie n’est pas si sage qu’on croit (La Roche Foucauld), (Quem vive sem loucura não é assim tão sábio como se julga).
Bom tenho de parar para pensar, ir até S. Martinho do Porto, sentar-me no “Pato Bravo” ou na esplanada do “Bohemia”, conforme o tempo, mergulhar numa chávena de chá, e dar duas braçadas porque continuo a “andar espantada de existir”.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CRUZEIRO À ILHA DA MADEIRA



Setembro desfolhou-se numa agonia lenta...
Acabaram-se as férias de Verão.
Para o ano haverá mais - cruzeiros NÃO!!!!!! (Estou fornecida de forte ondulação de noroeste por uns tempos largos...)

VILA NOVA DE SANTO ANDRÉ



Rabiscando uma notas sobre Vila Nova de Santo André

LONDRES




A "tia" Elisabete emprestou-me o automóvel e foi assim que me passeei por Londres

S. MARTINHO DO PORTO



Finalmente descobri como dar um novo colorido ao blog. E, claro está, teria de começar por publicar uma foto de S. Martinho do Porto.
Quem adivinha de onde foi tirada a foto?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

NATAL DE 2004 OU 2005?

Ela aproximou-se da mesa onde eu jantava e no melhor dos seus sorrisos sentenciou “este ano não tens direito a prenda"”homessa!“ reclamei de imediato “obriguei cerca de cem velhinhas a atravessar a rua, mudei as fraldas ao Menino Jesus, escrevi atempadamente ao Pai Natal e vens tu agora com essa de que não tenho direito aquela malga jeitosa que o João Pedro anda aí a distribuir?! Como é que vou viver sem aquilo?"

Permitam-me um parêntesis - Acho que foi até por ter ouvido esta minha reivindicação que o publicitário (nem sei qual) inventou aquela “eu vivia sem isso, mas não seria a mesma coisa”.

Ela continuou a rir desenfreadamente voltou as costas e eu continuei a jantar e claro, tive direito à malga e ainda escolhi uma oval que achei mas original que a circular que me calhara em sorte, embora entre uma e outra bem pudesse ser o diabo a escolher. Convém acrescentar em abono da verdade que a beleza das prendas, a utilidade, ou o seu valor material é absolutamente irrelevante, importante é o Conselho Directivo do Agrupamento da Escola se lembrar dos colegas e por isso se dar ao trabalho de adquirir uma lembrança, de a embrulhar e enfeitar com um lacinho. A malga, oval ou circular, bonita ou feia simbolizava gentileza, simpatia, dedicação, entrega, disponibilidade, sentido do outro. Isso sim é relevante, isso sim é louvável.

Mas no fim do jantar ela voltou à carga “larga a malga, que não a mereces” e eu, “pois, queres duas é para poupares nos presentes deste ano” e ela ria e eu nem achei o riso desproporcionado à piada, porque os professores quando confraternizam brincam como se fossem adolescentes.

“Foste má para o Diomar e ele não merecia.” E continuava rindo.

“Má?! “ Eu cada vez percebia menos e a Piedade explicou que quando eu chegara e cumprimentara o Diomar, este gentilmente dissera “estás um pão, Isabel”, ao que eu respondera prontamente, para notória decepção dele “duro!”.

Reconheço que qualquer outra senhora teria agradecido com um sorriso simpático. Era o que eu deveria ter feito, mas eu sou neta da minha avó Joaquina Joana que adorava rir-se dela e ainda herdei o humor cáustico do meu pai e depois se eu tivesse dito “que gentileza, muito obrigada” de que se teria rido a Piedade durante dias e dias a fio? De que estaria eu escrevendo agora? E o Hotel Cristal, da Marinha Grande teria para mim algum significado especial?

É com este sorriso alegre que a minha resposta intempestiva pôs na face da Piedade que eu vou guardar a sua imagem.

Até sempre amiga!

O Diomar era um bom amigo que mesmo depois de deixarmos de trabalhar juntos arranjava tempo, todos os dias, para me enviar e-mails. Certa manhã de Domingo, tinha acabado de lhe enviar algumas piadas, quando recebo um e-mail da Cila “ O Diomar está mal. Disseram-me que deu entrada no hospital” e ainda eu não tinha acabado de redigir a resposta a tentar saber mais alguma coisa, quando recebi outro “ O Diomar morreu”. E assim abruptamente fiquei com menos um amigo.

Que descanses em paz!