O chapéu de feltro vermelho faz-me lembrar o Sidónio Muralha: “O HOMEM BOM E JUSTO DO CHAPÉU VERDE”e quase me apetecia começar como ele “Já todos sabem o que é um chapéu, mas talvez nem todos saibam o que é um homem bom e justo… “
Bom, nem eu me posso comparar a Sidónio Muralha, nem pretendo falar de igualdade de direitos, embora o tema seja sempre pertinente, o chapéu de feltro é meu e não de um homem e ainda por cima é vermelho e não verde.
Banidas todas as hipotéticas semelhanças resta-nos o conceito original de chapéu, sobre o qual nem vale a pena dissertar, porque já todos sabem que é um objecto, mais ou menos rígido, que serve para proteger a cabeça.
Pois, há anos, comprei um chapéu. Um lindo chapéu de feltro vermelho! Foi “amor à primeira vista”; entrei na loja com outra intenção, olhei para ele, experimentei-o e decidi de imediato que seria meu.
Fiz a aquisição para nunca me esquecer de que a vida vive-se todos os dias. Usualmente, quando o “folgo” abranda, abro o roupeiro, retiro-o da prateleira onde o guardo e coloco-o na cabeça.
O espelho onde me miro é uma composição rectangular de quadrados que colei no interior da porta desse mesmo roupeiro e então, por muito triste que esteja (as tristezas em mim não duram muito) é impossível não rir da garridice da imagem daquele puzzle de quadrados que os anos tiveram um trabalhão a ajeitar.
O meu chapéu de feltro vermelho é o símbolo da coragem com que tento vencer as vicissitudes da vida. Felizmente, ao longo dos anos, tenho-o colocado poucas vezes na cabeça porque não desanimo facilmente.
O chapéu de feltro vermelho preservado numa redoma de vidro, merecia um lugar de destaque na decoração da minha casa.
No dia em que festejar o octogésimo aniversário, colocá-lo-ei na cabeça e, pela primeira vez, assim enfeitada, irei passear pela rua. Nesse dia, o chapéu de feltro vermelho simbolizará a alegria de ter atingido mais um objectivo na vida.
Para já, para que neste Inverno não me falte o estímulo, comprei uma boina vermelha. Com essa ver-me-ão andar por aí.

