sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O MEU SOFÁ

Não sei em que pus as vistas pela capital ou no que não terei posto, que chegada a Leiria, tive de ir a correr para a oftalmologista. Estou doente dos olhos. Eu achava que era do esquerdo e a médica diz que o direito está pior. Não admira. Há que respeitar as tendências…

Seja lá como for, isto deprime-me e obriga-me a tomar “umas pastilhas” enormes de quatro em quatro horas, cinco ao dia, acontecendo a última toma precisamente às vinte e quatro horas. Até aqui, nada de mais, é a hora a que habitualmente me deito. Porém, tendo em conta que estou “doente”, achei que merecia certos mimos há muito de mim arredados: Para começar, lamentar-me “ai, ai, estou doentinha!” depois passar os serões em que ninguém, fora da graça de Deus, se lembra de marcar reuniões, deitadinha no sofá, vendo televisão, à espera da hora de tomar o remédio.

Tapo-me com a minha manta, não com a de estrelas, que essa oferecia-a à minha filha mais nova, mas com outra; florida, primaveril, onde no verso bordei a frase que Vítor Barroca Moreira escreveu aos nove anos e que Maria Rosa Colaço nos deu a conhecer no livro Flores para Crianças: “O amor é um pássaro verde num campo azul no alto da madrugada”.

Aconchego-me bem enrolada no “pássaro verde” e comigo já são dois, “no campo azul” – o meu sofá e lá ficamos… Quantos mais vêm nem sei… Tal como na história infantil vão chegando, um de cada vez e ficam três, quatro, … tantos quantos os sonhos vão trazendo; tal com depois vão partindo até ficar só um. Eu, só, no “alto da madrugada” sem ver televisão e sem ter tomado o remédio às horas devidas, rabugenta, toda torcida, amachucada, porque o hipopótamo também deve ter participado no serão.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

HÁ DIAS DE MANHÃ...

Em casa de meus pais costumava dizer-se, quando alguma coisa não acontecia a contento, que “há dias de manhã, que uma pessoa à tarde, não deveria sair à noite”.

Ontem, comecei o dia do avesso. Levantei-me bem-disposta, mas a Carma esquecera-se do combinado em relação às faltas de detergentes e antes de me fazer à vida, ainda tive de ir comprar alguns produtos se quis a casa limpa. Como se tal não bastasse, no regresso das compras e entregue estas, ao entrar de novo no carro um forte cheiro a lixívia fez com que me olhasse numa pesquisa que nem precisou de ser muito atenta para descobrir que as calças que vestia tinham um padrão novo…

Volto a subir as escadas, rabugenta, mal disposta com o prejuízo detectado e engolindo a critica àquela habilidade da minha inteira responsabilidade. Mudo de roupa, peço à empregada que leve as calças manchadas à tinturaria para ver se poderão ser tingidas e volto ao carro, com a disposição de quem tinha comido azedas ao pequeno-almoço.

Ao chegar ao meu destino, nem sequer no sítio onde costumava arrumar o carro havia lugar! “Será que hoje os deuses estão contra mim?” perguntei-me debruçada sobre o meu umbigo, ainda chorando as calças que considero perdidas. Arrumei o carro noutro sítio e encaminhei-me para a sede da Junta.

No Largo da Feira dos Dezoito, caídos no chão quatro rebuçados “Bola de Neve”, que possivelmente alguém perdera, trouxeram-me as minhas filhas de volta. Aqueles eram os seus rebuçados preferidos, quando eram pequenitas e logo quatro… que festa!

Não pude deixar de sorrir e na minha cabeça ecoou a voz sensata da minha filha mais nova “foram apenas umas calças, mamã, o dia não valerá mais do que isso?”

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

PENSAMENTO

Hoje acordei sem vontade de acordar. Acordei com vontade de continuar a dormir indefinidamente. Talvez porque estou doente dos olhos e isso me deprime mas, felizmente, logo que acordo sou incapaz de ficar na cama.

Cumpri o ritual das manhãs de terça-feira e mais para me convencer a mim do que propriamente para “brincar” com um amigo recente, pródigo em complicados pensamentos “filosóficos”, enviei-lhe um e-mail com o seguinte conteúdo: Só é preciso um sorriso para transformar um dia cinzento num dia de Primavera.

E não é que de imediato brilhou no céu um Sol esplendoroso?

Acho que algum anjo, do céu, se riu para mim.

AS LUVAS VERDES

Sexta-feira, o André desenhava e eu telefonei à minha amiga AL:

- Amanhã, mesmo que chovam picaretas, vou à Baixa, comprar umas luvas verdes. Se não tiveres medo de arriscar uma chuvada, poderemos almoçar juntas e pôr a conversa em dia”.

O André estava atento. - Amanhã, vais para tua casa?

- Não, vou só sair com uma amiga, depois volto para brincarmos mais.

- Queres umas luvas verdes?

- É isso mesmo, quero umas luvas verdes. Anui admirada pela atenção com que estivera ao telefonema.

- Então vamos já comprar as luvas. E o André salta da cadeira e corre para o quarto de onde traz três livros.

- Vamos ver se há nestas “lojas”. Diz-me ele sorridente.

Eu entrei no jogo e estivemos à procura em cada livro-loja, que ele ia renovando à medida que, sem êxito, íamos procurando nas ilustrações, o par de luvas verdes do tom que eu desejava. Não havia, mas bom vendedor o André não desistia.

- E estas, avó?

- Estas são bonitas, são de um azul lindo, já que não há verdes… Acho que também gostaria de ter umas luvas azuis.

Premonição! Sábado de manhã, corajosamente, debaixo de uma chuva diluviana, fui com a minha amiga à luvaria Ulisses, luvas verdes, tipo semáforo, não havia, nem sequer pele para as mandar fazer de encomenda.

-Se não quiseres tentar as “Galerias Lafayete” (brincou a minha amiga) sempre poderemos ir à Avenida de Roma…

- “Não. A Paris ou Roma só se vai na Primavera. Vamos pôr a conversa em dia e almoçar.

E comprei mesmo umas lindas luvas azuis.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

VOU PASSEAR

Sabem onde? Quem adivinha? Querem vir?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

OS AMIGOS VIRTUAIS

Coisa nova, recentíssima, criada pelas facilidades da alta tecnologia, as malhas da blogosfera crescem, desenvolvem-se, estendem-se em todas as direcções.

Como quem faz renda tecemos a primeira laçada e facilmente ficamos envolvidos. Começam a aparecer olhos, estrelas, crianças sonhadoras, flores, bolsas, sombras, relógios-de-corda, pedaços de céu, misturados com rostos: uns conhecidos, outros não. São os amigos virtuais.

Contundentes por vezes, ironizam outras, acarinham-nos quase sempre porque nos lêem, fazendo-nos sentir que estamos vivos e em grupo.

De que falamos? Da música que nos apeteceu, da nostalgia que nos invadiu, do amigo que não víamos e apareceu de surpresa, da tristeza que nos invadiu, do filme que nos encantou, das flores do jardim, do neto que nasceu, do passeio mais recente. Falamos da vida. Falamos de nós, tal e qual como se a conversa acontecesse com a vizinha à soleira da porta ou de janela para janela.

O Homem, desde longa data, confrontado com o som da sua voz sentiu necessidade de se fazer ouvir cada vez mais longe para chamar os seus iguais.

A Aldeia cresceu. Aprimorámos as técnicas, porque continuamos desamparados a precisar de reunir o grupo.

SEM TÍTULO

"O afecto é uma rede com que pescamos o nosso sustento.
Quando saciados não queremos saber dela. Quando precisamos, temos de a remendar.
E mãos famintas não conseguem manejar agulha e linha."