sábado, 16 de abril de 2011

AUTO-RETRATO


Em criança tinha um olhar pousado de olhos grandes, que nem sei se absorvia as coisas em que pousava, se eram as coisas em que pousava que absorviam o meu olhar.

Fui crescendo e com a pré-adolescência e o namoro do meu irmão, doze anos mais velho, com aquela que seria a minha cunhada, veio a crítica “não olhes assim, parece mal”. Ela não gostava daquele olhar castanho adocicado, fixo, absorvente, inquisidor, ao mesmo tempo meio tímido. Olhos de mata-borrão, como hoje os defino, sempre que me detenho nalguma foto desses tempos de menina.

Com os olhos e as mãos desbravei mundos e compus novos arco-íris, mas sobretudo com os olhos e a minha paixão de brincar aos caranguejos no “quarto escuro” que separava o quarto de meus pais do de meu irmão, onde a imaginação vogava sempre com vento a contento nas tardes de maior calma. Os sustos que a minha mãe apanhava! “Belita, onde estás?” e a Belita no escuro, quietinha, de olhos abertos a brincar aos caranguejos não podia responder, porque os caranguejos não falavam.

Desta brincadeira me ficou o desejo de voltar a ser caranguejo, quando a vida não me corre como quero e ficar enfiada na areia, só com os olhos de fora, à espera que passem as agruras que me apoquentam. Acontece que já não tenho os olhos grandes, o tempo apequenou-os, porque o tempo é assim, tira umas coisas e dá outras. E já não posso ficar à espera!

Este olhar de mata-borrão funcionava para os dois lados, para dentro e para fora de mim e isso mantém-se: a reversibilidade do movimento.

Quarta-feira, eu vinha preocupadíssima; “como estará hoje a minha mãe?”era a pergunta que me atormentava o espírito quando me dirigia a casa, antes da visita ao Lar, com o olhar virado na direcção dos afectos, vendo automaticamente as curvas do caminho, como se o carro tivesse vida e não necessitasse do meu comando. Foi ao virar para a Praceta que a Primavera me saltou à frente, ali num canteiro descuidado, um cântico à vida e Cesário Verde!

Na tarde, apeteceu-me uma tela, pincéis e tinta, engenho e arte para traçar o meu retrato. Meia dúzia de pinceladas: uns olhos tristes e um ramalhete rubro de papoilas.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

PASSEIO À RESERVA NATURAL DE S. JACINTO

No passeio, de que já vos dei conta, ainda tive ocasião de visitar o Ecomuseu do Sal.
Registar umas brejeirices bem ao gosto popular de que a ria é famosa.



Ver a Procissão do Senhor dos Passos, como já vos dei conta e deleitar-me com os ovos moles de Aveiro.
Foi um Domingo bem passado.

terça-feira, 12 de abril de 2011

AJUDA I


Para quem está perdido, aqui fica a sugestão. Siga o trilho azul, sempre o azul...

domingo, 10 de abril de 2011

PASSEIO A...

Primeiro havia água, muita água...Em terra firme, havia flores espalhadas por todo o lado.
Como era domingo, o chapim não estava em casa. Tinha ido dar uma volta sabe-se lá por onde.
E fui andando,
andando,
observei as rãs, que coaxavam no lago.
E continuei a andar. Finalmente atravessei a zona dos pinheiros-serpente (quem chama a estes pinheiros-serpente já terá visto os de S. Pedro de Moel?!)
e vislumbrei o passadiço das dunas. O mar era já ali... mas não era... o que eu ainda andei para lá chegar...
Finalmente o mar...
Depois o regresso. Almoço.
De novo água, muita água.
Surpresa! Neste Domingo, a Procissão do Senhor dos Passos,
com a nossa senhora atrás, a pé, levando um romeiro pela mão.
Regressei a Leiria, com a promessa de que daqui a cem anos voltarei para ver como cresceu este carvalho.
Quem adivinha onde fui?

sábado, 9 de abril de 2011

AMANHÃ

A palavra amanhã reveste-se para mim de uma mágica especial.
É a chave de um jogo que se chama vida.
Contém o mistério do que há-de vir, o optimismo do que é bom, a força com que se vence hoje.
Amanhã é uma palavra VERDE.

Dom Sebastião cavalga na névoa montado no que acabo de escrever.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

ERA UMA VEZ...

... uma linda taça. Não era? Pois era, no ido Natal de 2008, fez este figurão.
Já não é... foi, foi-se...

Troquei-a por esta "obra de arte" que os vossos olhos contemplam.
Custou um tropeção, ida e volta de táxi à Clínica Leirivida, intercalada pela aplicação duma "modernice" (abençoada) que substitui os pontos, que os enfermeiros costumam dar com uma agulha arqueada.

Quando cheguei a casa, já de dedo entrapado e a sentença lida de que devo voltar no Sábado, fui apanhar os vidros e consegui cometer a proeza de espetar um vidro no outro polegar.
Sou mesmo habilidosa...

(Postei aqui o dedinho para que chorem um bocadinho com pena de mim)

Je sais

Que me perdoem os outros amigos, mas esta postagem, embora a faça com o pensamento em todos vós, é dedicada à Joana.
(Com o meu agradecimento à minha amiga AP, pela sugestão)