domingo, 1 de maio de 2011

UM DE MAIO


Hoje, dia um de Maio, balancei entre as duas efemérides: Dia da Mãe, Dia do Trabalhador, mas a opção não foi difícil.
A minha mãe!
A minha mãe estava lá, obrigatoriamente lá, na expectativa esforçada de que eu abrisse os olhos ao mundo, naquele momento crucial em que resolvi nascer. Começou aí a irreverência e incomodando todos decidi nascer quando os relógios marcavam uma hora de uma noite de Domingo, de um longínquo mês de Março. E não foi fácil, nada fácil!
Contaram-me depois que só ela conseguiu, dificilmente, convencer o meu irmão a voltar a Leiria na manhã seguinte, para retomar as aulas no Liceu, pois nos seus doze anos achava-se no direito de ficar a “adorar-me” já que mal me tinha visto, para só me voltar a ver no fim-de-semana seguinte. O que na época lhe pareceu pouco tempo, veio a ser de mais, em casa da avó Isabel, no dia em que me obrigou a recuar até que caí num alguidar de azeitonas retalhadas, farto que estaria de aturar-me.
E, ao longo de tantos anos a minha mãe esteve sempre. Incentivando ou questionando os meus avanços, fazendo-me pensar, mas sempre apostando em mim, nas minhas capacidades de decisão, de execução, de resistência. O único obstáculo seria eu própria, não tinha que ser a melhor, mas teria de fazer o melhor de que fosse capaz, nas circunstâncias que se me deparassem, da melhor maneira, responsabilizando-me pelas opções tomadas. Sem comparações. “Igual a ti não há mais ninguém!” A minha mãe ensinando-me Sartre sem ter estudado Filosofia!
Que não fique a ideia de que educar-me foi fácil. A minha mãe ensinou-me a ter opinião e eu exerci com propriedade esse direito. Tanto tabefe se perdeu…
Mulher inteligente e de raciocínio rápido, aos noventa e três anos a minha mãe ainda consegue surpreender-me. Passámos todo o dia cinco de Abril nas urgências do Hospital de Sto. André; primeiro sem que desse acordo de si devido à medicação, depois num estado de demência originado pelo leve AVC de que foi vítima; dei-lhe inclusive o almoço e o jantar à boca, por não ser capaz de comer sozinha. Num momento de lucidez, perguntou-me por uma pessoa “Não sei como está, mas estará bem. Porque pergunta?”A clarividência da resposta, misturada em lágrimas, deixou-me transparente. Talvez por isso, nem se lembre de me ver junto dela, nesse dia inteiro.
A minha mãe!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

SOMOS

e
Enviado por uma amiga.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

DEMOCRACIA, SEMPRE!

... por qualquer sacrifício!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

APETECE-ME...

... ir pastar caracóis para caldo verde...


Alguém me ensina o segredo da Alice?

sábado, 16 de abril de 2011

AUTO-RETRATO


Em criança tinha um olhar pousado de olhos grandes, que nem sei se absorvia as coisas em que pousava, se eram as coisas em que pousava que absorviam o meu olhar.

Fui crescendo e com a pré-adolescência e o namoro do meu irmão, doze anos mais velho, com aquela que seria a minha cunhada, veio a crítica “não olhes assim, parece mal”. Ela não gostava daquele olhar castanho adocicado, fixo, absorvente, inquisidor, ao mesmo tempo meio tímido. Olhos de mata-borrão, como hoje os defino, sempre que me detenho nalguma foto desses tempos de menina.

Com os olhos e as mãos desbravei mundos e compus novos arco-íris, mas sobretudo com os olhos e a minha paixão de brincar aos caranguejos no “quarto escuro” que separava o quarto de meus pais do de meu irmão, onde a imaginação vogava sempre com vento a contento nas tardes de maior calma. Os sustos que a minha mãe apanhava! “Belita, onde estás?” e a Belita no escuro, quietinha, de olhos abertos a brincar aos caranguejos não podia responder, porque os caranguejos não falavam.

Desta brincadeira me ficou o desejo de voltar a ser caranguejo, quando a vida não me corre como quero e ficar enfiada na areia, só com os olhos de fora, à espera que passem as agruras que me apoquentam. Acontece que já não tenho os olhos grandes, o tempo apequenou-os, porque o tempo é assim, tira umas coisas e dá outras. E já não posso ficar à espera!

Este olhar de mata-borrão funcionava para os dois lados, para dentro e para fora de mim e isso mantém-se: a reversibilidade do movimento.

Quarta-feira, eu vinha preocupadíssima; “como estará hoje a minha mãe?”era a pergunta que me atormentava o espírito quando me dirigia a casa, antes da visita ao Lar, com o olhar virado na direcção dos afectos, vendo automaticamente as curvas do caminho, como se o carro tivesse vida e não necessitasse do meu comando. Foi ao virar para a Praceta que a Primavera me saltou à frente, ali num canteiro descuidado, um cântico à vida e Cesário Verde!

Na tarde, apeteceu-me uma tela, pincéis e tinta, engenho e arte para traçar o meu retrato. Meia dúzia de pinceladas: uns olhos tristes e um ramalhete rubro de papoilas.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

PASSEIO À RESERVA NATURAL DE S. JACINTO

No passeio, de que já vos dei conta, ainda tive ocasião de visitar o Ecomuseu do Sal.
Registar umas brejeirices bem ao gosto popular de que a ria é famosa.



Ver a Procissão do Senhor dos Passos, como já vos dei conta e deleitar-me com os ovos moles de Aveiro.
Foi um Domingo bem passado.

terça-feira, 12 de abril de 2011

AJUDA I


Para quem está perdido, aqui fica a sugestão. Siga o trilho azul, sempre o azul...