sexta-feira, 6 de maio de 2011

O OVO DA PÁSCOA

O André viria com os pais passar o fim-de-semana. Viriam no Sábado e ficariam para Domingo. A tia, de férias em Porto Santo, chegaria só para o almoço de Páscoa.

Entre as preocupações com a ementa, em que sempre impera o desejo de proporcionar mimos a todos, havia a vontade de oferecer algo diferente ao André. Na Páscoa, nada melhor que um ovo.

Comprei um ovo de chocolate e dois carrinhos dos Gormitis que comprei, não por saber o que simbolizavam, mas porque tinha visto um rapazinho pela idade do meu neto, no supermercado, encantado junto da prateleira onde estavam os ditos veículos e preparei a surpresa.

Depois dos efusivos cumprimentos da chegada, informei o André de que o coelhinho da Páscoa tinha passado cá por casa e tinha escondido um ovo que seria dele caso conseguisse encontrá-lo. “Onde é que o escondeu?” quis saber de imediato. “Penso que terá sido lá para o quarto da tia, mas não tenho a certeza” respondi, mas o André nem ouviu tudo, tal era a pressa!

“Avó, tens de dar pistas”. E quando eu ia para explicar que diria “quente” ou “frio” conforme ele estivesse mais próximo ou mais afastado do sítio, já o André tinha achado o ovo e os carrinhos, escondidos debaixo dos almofadões da cama.

A mãe admirou-se. “Mas os coelhos põem ovos?!” E o André com o ar mais condescendente do mundo explicou:

- Só o coelhinho da Páscoa, mãe, mas não nascem coelhinhos, porque os ovos de chocolate são para comer. Os coelhinhos nascem dos outros coelhos que são mamíferos. E o coelhinho da Páscoa só põe ovos de chocolate, os carrinhos dos Gormitis foi a avó que pôs.

Garantiu-me quem viu, que a avó ficou de cara à banda!

BOM DIA CADA DIA


Num qualquer Sábado, cruzei-me com a Carma à porta de minha casa. Quando eu vinha a chegar, ia ela a sair. “Assaltei-lhe a casa” proferiu sorridente levando na mão o saco do lixo que eu esquecera antes de sair; “estou a ver” retorqui apontando o saco e ela continuou “hoje só lhe trouxe flores” e eu pensei “ainda bem”. Pobre e mal agradecida, congratulava-me com o facto de não ter de passar o resto da tarde a migar couves para congelar, embora me saiba bem à carteira não ter de as comprar quando preciso de fazer sopa. A preguiça estava a falar alto! Despedimo-nos e entrei.

Na minha cozinha havia uma tal profusão de jarros e rosas que por um momento pensei que a Primavera tinha emigrado para o meu lava-loiça.

Não era difícil adivinhar. A Carma fora à Guia e trouxera flores. Muitas, imensas flores e repartia comigo a alegria que transportara do jardim.

Comecei por juntar as jarras e depois fui distribuindo as flores. Começo sempre pelas jarras das casas de banho.

De manhã, depois de saltar da cama e abrir a persiana do quarto adivinhando novos arco-íris, na luz rarefeita do outro lado das nuvens, as flores da casa de banho são as primeiras a desejar-me “bom dia”em cada novo dia.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

AQUELES OLHOS VERDES

Para o meu amigo Olímpio.
E, se me permite, através da sua pessoa, dedico igualmente a canção a todos os incorrigíveis românticos e gentis latinos que tão bem representa.
Volte a Budapeste. A vida é curta!



..."a poesia é a música da alma, e, sobretudo, de almas grandes e sentimentais". (Voltaire)

domingo, 1 de maio de 2011

UM DE MAIO


Hoje, dia um de Maio, balancei entre as duas efemérides: Dia da Mãe, Dia do Trabalhador, mas a opção não foi difícil.
A minha mãe!
A minha mãe estava lá, obrigatoriamente lá, na expectativa esforçada de que eu abrisse os olhos ao mundo, naquele momento crucial em que resolvi nascer. Começou aí a irreverência e incomodando todos decidi nascer quando os relógios marcavam uma hora de uma noite de Domingo, de um longínquo mês de Março. E não foi fácil, nada fácil!
Contaram-me depois que só ela conseguiu, dificilmente, convencer o meu irmão a voltar a Leiria na manhã seguinte, para retomar as aulas no Liceu, pois nos seus doze anos achava-se no direito de ficar a “adorar-me” já que mal me tinha visto, para só me voltar a ver no fim-de-semana seguinte. O que na época lhe pareceu pouco tempo, veio a ser de mais, em casa da avó Isabel, no dia em que me obrigou a recuar até que caí num alguidar de azeitonas retalhadas, farto que estaria de aturar-me.
E, ao longo de tantos anos a minha mãe esteve sempre. Incentivando ou questionando os meus avanços, fazendo-me pensar, mas sempre apostando em mim, nas minhas capacidades de decisão, de execução, de resistência. O único obstáculo seria eu própria, não tinha que ser a melhor, mas teria de fazer o melhor de que fosse capaz, nas circunstâncias que se me deparassem, da melhor maneira, responsabilizando-me pelas opções tomadas. Sem comparações. “Igual a ti não há mais ninguém!” A minha mãe ensinando-me Sartre sem ter estudado Filosofia!
Que não fique a ideia de que educar-me foi fácil. A minha mãe ensinou-me a ter opinião e eu exerci com propriedade esse direito. Tanto tabefe se perdeu…
Mulher inteligente e de raciocínio rápido, aos noventa e três anos a minha mãe ainda consegue surpreender-me. Passámos todo o dia cinco de Abril nas urgências do Hospital de Sto. André; primeiro sem que desse acordo de si devido à medicação, depois num estado de demência originado pelo leve AVC de que foi vítima; dei-lhe inclusive o almoço e o jantar à boca, por não ser capaz de comer sozinha. Num momento de lucidez, perguntou-me por uma pessoa “Não sei como está, mas estará bem. Porque pergunta?”A clarividência da resposta, misturada em lágrimas, deixou-me transparente. Talvez por isso, nem se lembre de me ver junto dela, nesse dia inteiro.
A minha mãe!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

SOMOS

e
Enviado por uma amiga.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

DEMOCRACIA, SEMPRE!

... por qualquer sacrifício!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

APETECE-ME...

... ir pastar caracóis para caldo verde...


Alguém me ensina o segredo da Alice?