quarta-feira, 1 de junho de 2011
DIA MUNDIAL DA CRIANÇA
segunda-feira, 30 de maio de 2011
MAIS UMA VOLTA PELO JARDIM
Sentei-me por uns momentos, deliciando-me na sombra e enchendo os olhos de verde.
Este Acer tem uma folha muito original. Será destas belas folhas que o Olímpio está sempre a falar?
Os cactos estavam lindos. Que fabulosa flor cor de fogo!
E as piteiras cheiinhas de figos, fazendo-me lembrar as que havia nos terrenos arenosos junto da casa de minha avó Joaquina Joana. Contudo, os figos ainda não estavam maduros.
Sobre esta planta se derramou o sangue do dragão, que um cavaleiro andante matou em minha defesa...
Havia nenúfares brancos e
nenúfares fúcsia. sábado, 28 de maio de 2011
FUI AO JARDIM...
Mal cheguei os meus olhos saltaram das fabulosas tílias para esta maravilha. O que era? Perguntei-me.
E... foi fácil encontrar as resposta.
Mas, não pude deixar de registar esta magnífica tília amarela. Também fotografei a prateada, mas deixo-vos aqui esta.
Deliciei-me com o cheiro da alfazema, das rosas... Lírios já não havia. Havia muitas mais flores que fotografei.
Entretanto andei às rãs. Em abono da verdade, tenho de confessar que não me ligaram qualquer importância e pude fotografá-las viradas para a esquerda, para a direita e até a tomar banho.
Até o pombo se saciava indiferente à objectiva...
E os insectos "namoravam" em lençóis de seda cor-de-rosa 
segunda-feira, 23 de maio de 2011
ANDANÇAS
Aquele manifesto interesse pela culinária não passava de uma brincadeira.
Bem perto ainda de casa, não resisti a estas flores, que descuidadas crescem junto ao poste da luz.
Logo no início da subida voltei-me para trás, porque a perspectiva me pareceu mais feliz. O cheiro desta trepadeira é inebriante.
E em frente o pormenor desta janela, cujo vitral merece ser apreciado ao natural, chama a atenção.
Aqui mora o número sete.
As nêspera ainda estão verdes, mas prometem...
E esta ternura de malva rosa e sardinheira?
As laranjas já se comem. Comeriam... se as pudéssemos colher.
Ainda desfolhei um malmequer. mal me quer ... bem me quer... mal me quer. A conclusão é sempre a mesma...
Alegrei logo os olhos nesta bela trepadeira.
Pode haver quem não goste, mas para mim, esta vivenda é a materialização de "A noite estrelada" de Van Gogh
Já não há camélias nestes jardins, mas as orquídeas estão lindas.
E este verde fabuloso e arrumadinho
Quem não gostaria de possuir esta buganvília?
A foto tem luz em excesso. Gosto de ver roupa estendida. Se um mercado nos mostra a alma de um povo; a roupa estendida diz-nos como esse povo resiste.
Dizem que nasce aos molhos no monte sem ser semeado, mas neste jardim, o alecrim também não falta.
Mais flores....
Alegres nos muros.
E rosas, muitas rosas, rosas por todo o lado.
A escola do primeiro ciclo.
E, para matar saudades, uma árvore a lembrar outra dum jardim da minha infância. Só que "a minha" tinha flores cor-de-rosa.
Bebi água, atravessei a rua e fui trabalhar. Horas mais tarde fiz o percurso inverso.sexta-feira, 20 de maio de 2011
MÃOS
Agarrada àquilo que não é
Mas que sonho
Que seja
Alongo o afecto nos dias.
De mãos abertas
Ofereço um amor imenso.
E o silêncio
Fala da importância
De um umbigo
Que não é o meu.
Que rota terá a vida
Se a tua disponibilidade não é
O meu mar navegável?
E no tormento da deriva
Quando os olhos encontram
O sorriso do meu bisavô
No velho retrato de parede
Que encima o monitor deste PC
Eu sei o que nunca tive:
Mãos, mãos que enlaçam
Aquela outra Isabel.
Mãos
Que amparam,
Que protegem,
Que acariciam.
As tuas mãos …
…nas minhas mãos
terça-feira, 17 de maio de 2011
FAST FOOD
Após algumas voltas na cama tentando dormir mais um pouco, na tentativa frustrada de vencer o cansaço acumulado ao longo das últimas semanas, levantei-me calmamente. Em cada manhã, depois de acordar, não volto a adormecer. O dia espreita e a minha curiosidade é grande. Como será o dia de hoje? E não há nada como saltar da cama e começar a mexer. Só assim poderei ver como é para depois poder contar como foi.
Após os ritos matinais; visita à estomatologista. Há oito dias quando da consulta, esta verificara que tinha o céu-da-boca ferido. Pois não, queimara-me?! Sou daquelas pessoas estranhas que não gostam de bicas a ferver nem de chávenas escaldadas, o que me terá calhado, com a nefasta consequência de queimar a boca. A estomatologista não facilitou ”estas feridas têm de ficar bem saradas, volte cá para a semana, para eu verificar, com esta luz forte, como estará a mucosa” e eu, como sou bem-mandada, lá fui, cumpridos os oito dias sugeridos. Foi maior a espera que a consulta, mas vim com a certeza de que tudo estava bem.
“A manhã vai alta” reclamou o estômago quando saí do Centro Hospitalar de S. Francisco. Parei no Lidle, situado um pouco mais abaixo, para comprar uma banana para entreter a fome. “Em casa, a fruta deve estar a acabar”, lembrei-me então e como descendente de Eva que se presa, comprei também algumas maçãs “vá lá saber-se quando aparece o Adão?!”.
Numa corrida desci ao centro da cidade. Aproxima-se a passos largos o dia da estreia teatral. Este ano cabe-me “assassinar” a personagem “a actriz” da peça “O meu caso” de José Régio. Precisava de completar os acessórios da toillete. Faltavam os sapatos, porque resolvi, ainda sem dizer a ninguém, mudar a minha indumentária. O vestido inicialmente acordado é quente, não só para o calor que tem feito, mas também para actuar no palco do Teatro Miguel Franco, com os holofotes tão próximos de nós. Sei do que falo! É um palco que já pisei muitas vezes.
Comprados os sapatos, dos mais baratos que havia no “Guimarães” ainda fui adquirir lã para confeccionar uma mantinha para a minha neta, trabalho a que possivelmente passarei a dedicar-me entre as três e as sete da manhã…
E foi quando vinha para casa, ao passar junto ao café do Teatro, ao ver pessoas a comer na esplanada, que me perguntei “que vais almoçar, cabeça de vento?” e rir-me com vontade, num sorriso tão aberto que o senhor que se cruzou comigo, mesmo com um relógio no pulso perguntou-me as horas, quiçá supondo que me ria para ele. Mas não, viera-me à lembrança um amigo dos meus tempos de menina para quem, certo tipo de pessoas apressadas, só comia ovos estrelados com batatas fritas, menu que, por isso, se recusava a comer. A minha comida de recurso costuma ser constituída por douradinhos de pescada, com bolinhas de espinafres e castanhas assados em vinte minutos de forno, mas o provimento acabara-se no jantar de ontem. Que contraste com a festa num restaurante do Chacal, no fim-de-semana em Lisboa!
Sou professora aposentada, detesto batatas fritas, mas hoje o meu almoço foi um prato de sopa e um ovo estrelado com salada.
Aliada à pressa, a fome é o melhor dos temperos!
quinta-feira, 12 de maio de 2011
FIM DE TARDE
Lembro-me deste dia, véspera de devoções.
Ele aguardava olhando o renque de tílias, naquele largo que o seu amor fazia transbordar de sol, apesar da hora. Ela surgiu, vinda de dentro, como que nascida de uma oração à vida, na saia vermelha que vestia conjugada com o lenço do pescoço. Que surpresa! Os olhos transbordaram no que os lábios não diziam, nem as mãos tocavam.
Rumaram a oeste, queriam ver o mar. Penso que escolheram a Vieira para que o rumorejar das ondas abafasse o que não podiam gritar ao vento. E, naquela tarde, quando os lábios se aproximaram naquele beijo tímido, sem jeito e os corpos levemente se abraçaram, a melena desgrenhada daquele rapaz feliz insinuou na tarde uma sinuosidade, uma harmonia que encheu de plenitude aquela praia que antes não existira no coração de qualquer deles. Ela ainda sente na mão o afago dos seus dedos e no ombro o calor do seu ombro.
Anos mais tarde, numa consulta de alergologia disseram-lhe “reage à tília”. “Pudera, são saudades” retorquiu.
E, ainda hoje, naquele largo, junto à parede onde ela teimou que um azulejo perpetuasse a “tolerância”, as tílias sussurram juras que sabem que nunca cumprirão.
Aquele fim de tarde não existiu senão para ser lembrado.
