Há dias a Alice telefonara: “queres ir a Alcongosta?”. Num relâmpago pensei: quer enfiar-me naquela caneca que vi não sei onde. Sim, eu tinha lido aquela palavra numa linda caneca e não sabia o que significava. Afinal o cenário era outro. Estava a perguntar-me se queria ir à Festa da Cereja lá para os lados do Fundão, no dia dez de Junho. Bendita ignorância! Anui, pensando que se tivesse juízo aproveitaria o dia para deixar o esqueleto sossegado em cima do colchão e combinámos que no dia aprazado estaria à sua porta, cerca das sete e quarenta e cinco minutos.
Ao fim da tarde do dia nove, fui à inauguração da II Semana Gastronómica da Boa Vista (quem resiste a convites onde a franca camaradagem se mistura com a inigualável qualidade do leitão?) e cheguei a casa às zero horas do dia dez. Daí a umas horas teria de estar à porta da Alice, que se situa uns metros mais abaixo, mas antes prometera ir buscar outra amiga que mora mais longe.
Àquelas lindas horas fiz pataniscas de bacalhau para o farnel (havia prometido que levava) e lá me deitei, tarde e más horas para me levantar às seis e meia dessa mesma manhã.
O despertador tocou e eu não atinava com as teclas para o fazer calar. De olhos fechados é difícil, mas não foi impossível e foi ainda de olhos fechados que cheguei à banheira onde a água do chuveiro mos começou a abrir. Acho que ainda não estariam completamente abertos quando me sentei na camioneta.
Alcongosta cumpriu-se. No horizonte desse dia adivinhava-se uma noite descansada.
Tenho por hábito dizer, quando algo não me corre a contento, “apetece-me atirar ao rio”, mas tenho o cuidado de acrescentar “só não o faço porque a água está molhada”. Na verdade muitas vezes o motivo nem chega a ser esse, pois a água é tão pouca que “nem está molhada” e eu correria o risco de partir a cabeça.
Pois esta manhã aconteceu o impensável. O silvo agudo do despertador, onde eu me esquecera de anular a marcação do dia anterior, interrompeu o melhor dos meus sonos.
É hoje, é hoje que me atiro ao rio. Daqui a bocado tratarei disso, mas levo a castanhola de cana que comprei em Alcongosta, não pensem os patos que dormem, se eu não pude fazê-lo!









