Segunda-feira, cumprindo um preceito anual, consultou o cardiologista.
“Tem um pequeno bloqueio cardíaco” “não quero saber nada disso” “só estou a avisá-la””diz-me o mesmo todos os anos. Não vou preocupar-me com isso. Venho cá para que o senhor se preocupe””só posso vigiar”
Ela vestia umas calças brancas e uma blusa vermelha com bolinhas, feita possivelmente de um pedaço de trapo subtraído ao vestido da Minnie. Tinha um ar estival que se enquadrava bem naquele dia de sol.
Pelo decote da blusa, prodigamente cortado em V divisavam-se uns círculos esbranquiçados seguros com adesivo anti-alérgico e de entre os seios nasciam em ondulações irregulares dois fios pretos que se ligavam aos dísticos superiores.
Ao nível do estômago notavam-se saliências irregulares; do lado esquerdo um molho de fios atado também com adesivo e do direito uma caixa, um paralelepípedo rectangular, que bem poderia ser a carga de explosivos.
“Chegou a mulher-bomba.” Avisava quando se aproximava dos amigos. “E vai explodir?””Ao menor toque” e riam todos.
As vinte e quatro horas em que carreguei o Holter foram divertidas.