quinta-feira, 24 de novembro de 2011

PATRIOTA? NÃO: SÓ PORTUGUÊS

Patriota? Não: só português.
Nasci português como nasci louro e de olhos azuis.

Se nasci para falar, tenho que falar-me.


Alberto Caeiro, in "Fragmentos"

QUINTA-FEIRA

É quinta-feira. Está uma manhã de Sol.

Através da vidraça, a Rita e eu mergulhámos o olhar na luz do horizonte. Há menos trânsito que o habitual. Será da adesão à greve geral? A BT informou que as pessoas saíram todas muito mais cedo de casa. Na TV, a senhora ensina a pôr “corretamente” a mesa. A manhã vai acontecendo devagar.

Visto da minha janela, o dia parece primaveril, mas algures, as temperaturas estão baixas, disseram-me há pouco, pelo telefone, à laia de bons dias.

É tempo de frio, mas quem diria que há frio?!

O Sol brilha lá fora e a esperança cresce no meu peito.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

terça-feira, 22 de novembro de 2011

SEM TÍTULO

Nós temos cinco sentidos:
São dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio?

David Mourão-Ferreira

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ANDAIME

O tempo que eu hei sonhando

Quantos anos foi de vida!

Ah, quanto do meu passado

Foi só a vida mentida

De um futuro imaginado.


Aqui à beira do rio

Sossego sem ter razão.

Este seu correr vazio

Figura, anónimo e frio,

A vida vivida em vão.


A ‘sp’rança que pouco alcança!

Que desejo vale o ensejo?

E uma bola de criança

Sobre mais que minha ‘s’prança,

Rola mais que o meu desejo.


Ondas do rio, tão leves

Que não sois ondas sequer,

Horas, dias, anos breves

Passam – verduras ou neves

Que o mesmo sol faz morrer.


Gastei tudo que não tinha.

Sou mais velho do que sou.

A ilusão, que me mantinha,

Só no palco era rainha:

Despiu-se, e o reino acabou.


Leve som das águas lentas,

Gulosas da margem ida,

Que lembranças sonolentas

De esperanças nevoentas!

Que sonhos o sonho e a vida!


Que fiz de mim? Encontrei-me

Quando estava já perdido.

Impaciente deixei-me

Como a um louco que teime

No que lhe foi desmentido.


Som morto das águas mansas

Que correm por ter que ser,

Leva não só as lembranças –

Mortas, porque hão de morrer.


Sou já o morto futuro.

Só um sonho me liga a mim –

O sonho atrasado e obscuro

Do que eu devera ser – muro

Do meu deserto jardim.


Ondas passadas, levai-me

Para o alvido do mar!

Ao que não serei legai-me,

Que cerquei com um andaime

A casa por fabricar.


Fernando Pessoa - Cancioneiro

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

UM CASO DE POESIA


-Paulo, viu por aí o meu cavalo verde?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ESPERANÇA

Que quem possa ter ouvido a postagem anterior, não desespere. Após uma noite tenebrosa, o Sol traz a esperança de um novo dia.