segunda-feira, 22 de abril de 2013

PASSEIO A SEIA

No dia 16 de Abril, a SEMPRAUDAZ- Associação Cultural organizou um passeio a Seia, ao Museu do Pão.



Partimos de Leiria, cerca das oito horas e chegados a Seia, subimos de comboio até ao Museu do Pão





São capazes da adivinhar quem é que encontrei mal cheguei, sossegadinho e recolhido sem tugir nem bulir? Pois! Nada mais nada menos que este bichinho...



 Voltámos as costas e iniciámos a visita


 Começámos a descer...


 A mó trabalhava. Fazia-se farinha.


Na balança pesava-se a farinha.


 A arca dos cereais. Comparada com as que havia na casa de minha avó Joaquina Joana, que eram enormes e tinham um alçado todo recortado com lindos desenhos onde se poderia encostar as costas, esta parece de brincar.


 A tia Maria amassa o pão... 


 O tio Manuel encarrega-se do forno...


 Aqui temos o cesto do pique-nique e o "palhinhas" não vá alguém ter sede...


 Mas esta é a bicicleta do Zé Luís... Será que ele  também vende pão por aqui?


 E a balança do Sr. Duarte...


 O livro dos assentos...
E aquela? Será a cédula do Sr. Diamantino? Não, não me parece. Acho que aquele é outro padeiro...


Trocos! Que bom! E um Santo Antoninho...


 E haverá coisa melhor para comer com pão quente do que manteiga fresca? Então, vamos fazê-la.



 Esqueci-me do nome, mas em casa da minha avó Joaquina Joana havia uma. Servia para separar os grãos do milho do carolo. E como eu adorava dar à manivela, houvesse ou não espigas de milho lá dentro...


 Então e depois de 1974? Come-se brioche "palpitou" alguém... Se calhar...


 O pão na religião católica


O pão no judaísmo


O pão na crença popular


E já agora... Como se diz pão em várias línguas?


NEM SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM





O pão na poesia.



E depois... Mais vale "selo" que... 





O pão na cerâmica (e na ourivesaria e porcelana e ... e...)
 E não é que achei lá o bule do serviço de chá da cozinha da minha avó Isabel. "Que fizeste ao serviço?" Quis saber a T.V. "Dei-o. Não querias que o guardasse debaixo da cama..."
Século XIX - Real Fábrica de Sacavém



PÃO


Mais pão...


Pão por todo o lado...
 De todos os gostos e feitios...


 Nem estas "senhoras" escaparam à tendência da moda.


 O pão nos postais ilustrados


 Na ilustração de uma embalagem de farinha.


O pão nos calendários.


 O pão na lotaria.


 E aquela roda que a queda de água move... Há por aí uma mão em mármore de gosto duvidoso... mas mal se nota (?). O comboio que nos levara para cima havia de nos devolver ao meio de transporte em que partíramos de Leiria.



Depois entrámos na floresta encantada, na terra dos Hermios e eu fiquei sem bateria na máquina.
Esta sala é recente. Abriu ao público há cerca de três meses. Aqui se recria o ciclo do pão e metem-se as mãos na massa. 

Tiraram-me umas fotos com o barrete de padeiro e o avental que me ofereceram, mas devem ter ficado tão lindas que nem tiveram coragem de mas enviar...

Fiz um biscoito grande, de forma retangular,  com uma borboleta e um gato a jogar com uma suposta bola que depois virou sol. Será que Picasso conseguiria fazer melhor? Duvido (modéstia à parte). Deitei-o fora sem me lembrar de registar a obra de arte para meu e vosso deleite...

Seguiu-se o almoço, como sempre muito agradável.
Pretendi convencer a I. a pescar umas trutas no riacho que atravessava o chão do restaurante, mas ela não sabia nadar e teve medo de cair e afogar-se.

Depois viemos embora. Não sem antes passarmos pela
  loja do museu, 
onde algumas pessoas adquiriram vários produtos de ótima qualidade.

Que vos posso dizer mais?! Fica a promessa que contarei com detalhe o próximo passeio.



sábado, 13 de abril de 2013

O DIREITO AO DELÍRIO

PARA QUE SERVE A UTOPIA?

terça-feira, 9 de abril de 2013

NOSSA SENHORA DOS PRAZERES





A Festa de Nossa Senhora dos Prazeres realiza-se no domingo de pascoela, na terra de onde é oriunda a família da minha avó materna, os Leitão, gente simples, humorada, de bem com a vida. Dos Quintino, do lado de meu avô materno, oriundos de Ribaldeira, uma aldeia perto, disseram-me que só nós restávamos e eu respeitei isso, embora sempre achasse estranho haver tantos de um lado, primos de primos que já nem primos são e do outro não haver ninguém e dar-se a coincidência de numa localidade próxima haver pessoas com o mesmo apelido e não serem da família. Mistérios. E nunca pus em causa, nem estou a pôr a explicação que me deram e que acabo de referir.


Sempre foi hábito ir à festa da Caixaria. É assim que se chama a aldeia que se situa na freguesia de Dois Portos, concelho de Torres  Vedras, 39º 3’ 0’’ N e 9º 12’ 0’’ W. 


Primeiro era a prima Conceição que reunia a família. Chegávamos a ser cinquenta em volta de uma mesa enorme que ela tinha do andar de cima, na adega, durante três dias. Depois a prima Conceição adoeceu e todos deixaram de ir à festa. Íamos visitá-la fora desse período para que não ficasse triste, por não nos poder juntar. Depois morreu e foi o Joaquim António que herdou a tarefa de juntar uns e a Graça outros. 






Domingo, dia 7, atravessei parte da aldeia e mal cheguei perto da igreja (os meus primos moram a cerca de três metros) telefonei ao meu primo: ”tirando o bolso, onde te parece que posso meter o carro?” “boa pergunta” – respondeu ele. E veio de imediato, mas eu já tinha estacionado embora pelas ruas estreitas se vissem muitas viaturas e os lugares fossem escassos. 





Pormenores do adro da igreja visto da esquerda para a direita




Acesso a uma rua, que se vê ao fundo deste pequeno largo coberto


O canário aproveitava o sol dessa tarde de festa.


Ouvi a banda e desci apressada a Travessa do Relógio de Sol.


Eu ouvia e olhava, mas a banda ainda vinha longe.


Como a igreja esta aberta fui ver a santa: Nossa Senhora dos Prazeres.
Falta o ceptro na mão direita, como se pode ver em outras imagens semelhantes.

Só o andor de Nossa Senhora dos Prazeres estava na igreja, os outros andores estavam na casa da catequese.


O altar sem as imagens, todo coberto de flores.


Finalmente aproximavam-se os festeiros (como por lá se diz)


E a Banda da Arruda dos Vinhos tocava atrás. Fiquei pasmada. Este ano não era a Banda da Ribaldeira...


Tocavam bem.


Mesmo muito bem.


Cumprimentava-se a santa. E assim se inauguravam os festejos em honra de Nossa Senhora dos Prazeres


Findo o concerto de inauguração, seguiu-se o almoço. O deles e o meu.

A minha prima Adelaide tem uma paciência de santa e faz comida ao gosto de todos. Um dos cunhados quer bacalhau com natas, o genro gosta de açorda de marisco, a sobrinha prefere lombo de porco  e eu e o meu primo só comemos o prato tradicional da região: borrego com umas espetaculares batatinhas que só ela cozinha como a minha avó Isabel. Éramos só treze à mesa, mas como ela cozinha para todos as preferências de cada um a banda poderia ter ido almoçar lá a casa. E as sobremesas? Só me atrevi a comer um bocadinho de torta de amêndoa recheada com doce de ovos e fiquei a chorar pelos outros doces que havia. 

Conversámos, brincámos, rimos e quando foram horas da procissão agarrei-me ao braço de meu primo: "Este ano o milagre da Senhora dos Prazeres é tu ires à procissão. Anda daí comigo que eu quero ir de braço dado com um rapaz jeitoso como tu (ele é muito mais velho do que eu). Fazes favor de não me deixar ficar mal e de me avisares sempre que vires um primo ou uma prima que eu deva cumprimentar, os que forem na procissão e os que estiverem às janelas ou às portas a vê-la passar, para que fiquem os cumprimentos feitos". E lá fomos nós com mais umas primas que logo encontrámos à saída da porta.

Ora tendo em conta que a minha mãe é filha única, imaginem a quantidade de primos que eu não tenho na Caixaria... Mas tenho mesmo primas e primos adoráveis, que gostam de ser minhas primas e meus primos e eu gosto de ser prima deles. Ah! E há velhos muito velhos:"Então não me lembro da Isabel Quintina?! Até me lembro do seu avô. Quem é que não conhecia o Quintino da Ribaldeira? E a minha avó morreu há quase cinquenta anos e eu nem sequer conheci o meu avô...

E venho para Leiria e volto à vida cheia de mimo.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

AH, AS AMIGAS!


Estacionara no Largo da República e seguia passeio fora, desgrenhada, cheia de frio, tão enrugada, tão triste, “tão fora de esperar bem”, tão necessitada de que me engomassem… Pensava no dia vinte de Março “Ah! Onze horas e dois minutos?! Mas que prima terá chegado? A vera não foi de certeza. Por onde andará a primavera?”

E o vento soprava fortemente… e os meus cabelos, acabados de pentear na cabeleireira, digladiavam-se irados sem que se vislumbrasse qualquer hipótese de trégua e eu continuava agarrada à parka mais leve que vestira, saudosa da mais quente que deixara em casa.

“A Ilda só não falhará Bach, porque sabe a música de cor”- pensei, sentindo-me a Madame Mim da banda desenhada e lembrando o concerto desta noite onde a minha amiga Ilda Coelho, atuará num palco baixo, havendo a hipótese de encarar as pessoas que a escutarão.

 Cruzo-me com a A.V. “Isabel, nem te conhecia, cada vez estás mais nova. Estás mesmo boa.”E não perguntava, afirmava. “Mulher, tira os óculos” – proferi azeda - ela seguia, tal como eu, de óculos escuros. “Não tiro não, que vejo muito bem. Estás ótima. Adorei encontrar-te.”

Ah! Não há como as amigas para nos levantarem o astral! Sobretudo nos dias de vento gelado quando seguimos, passeio fora, mal agasalhadas.
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quinta-feira, 4 de abril de 2013

IRREVERÊNCIA


Há dias a minha amiga facebookeana AR estava com “os nerves”, escrevia ela, por conta da filha de dez anos e eu ri com o comentário publicado. Conversámos depois, a propósito do assunto através do chat e só após terminarmos a conversa me recordei do episódio que passo a descrever.

Jantávamos, eu e as minhas duas filhas sentadas em volta da mesa redonda daquela sala de refeições contígua à cozinha, na casa onde então residíamos, quando a mais nova, que tinha na altura oito anos, manifestou pela primeira vez a sua pretensão:

- Quando for grande quero ser tradutora de CEE e vou trabalhar para Londres.

Eu achei a ideia hilariante e em vez de corrigir o erro, retorqui:

- Ai que bom! Já tenho quem me pague umas férias em Inglaterra.

- Não, mamã, eu pago-te é o bilhete de Londres para Lisboa.

A mais velha, onze anos de olhar maroto, achou por bem interferir:

- E eu pago o bilhete de Lisboa para Londres.

Eu ri com vontade. Era a costela, do meu lado materno e paterno, homogénea e precocemente misturadas a falarem na sua forma predileta: a ironia.  

- Como gostam de mim! As duas a querem ver-me pelas costas!

E depois do que vos conto, digam-me: quando as vossas filhas arrebitarem o nariz ainda vão considerar-se com o monopólio da irreverência?

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A IDA AO MÉDICO


UMA BREVE EXPLICAÇÃO

Há um tempo que penso seriamente dar algum espaço ao meu blogue. E quando escrevo: dar algum espaço, tenho em mente, evidentemente, a não publicação de textos meus.

Algumas questões se me têm posto. Uma dela prende-se com o título: HORIZONTE SEM HORAS. Será que ainda se justifica? Na verdade continuo a gostar de me passear por uma paisagem larga, com água por perto. Gosto do cheiro das manhãs. Gosto de caminhar sem cuidados, como se possuísse o tempo e de facto até possuo. Possuo o meu tempo, o que já vivi e o que me resta, seja lá quanto for também será incontestavelmente meu e feito de vagares. Continuo a gostar do marulhar fininho das ondas na baixar mar, mas naquela paisagem onde me saciava de esperança, morreu o sonho do cavalo verde. Foi sofrido…

Bom e andando eu numa de escrevo não escrevo, a que se juntaram as férias da Páscoa, a estada do neto em Leiria e a saída da filha mais nova para o estrangeiro, ainda tive tempo para dar uma saltada até à minimaratona de Lisboa e andar com tonturas (para além da tonteira de que sofro habitualmente), com o mar nos ouvidos e os cardumes de todos os oceanos à cabeça.

Pois hoje uma amiga abordou-me “Isabel, há tanto tempo que não escreves no blogue! Todos os dias vou ver se tens algo novo publicado. Gosto tanto de te ler. Vê lá se voltas a escrever.”

Eu sorri e limitei-me a confirmar: “De facto, não tenho publicado.”

Desde pequena que me questiono que falta faria se não tivesse nascido. Há quem garanta que todos temos um papel específico a desempenhar. Cá para mim parece-me que isso é conversa de quem nos quer de bem com a autoestima. Eu creio que se não tivesse nascido o mundo passaria bem sem mim. Uma vez disse isto a um amigo e ele zangou-se: “já contaste quantos alunos ensinaste a ler? Quantos alunos-mestres ensinaste a ensinar a ler? A quantos professores ensinaste a melhorar as práticas letivas?” “ Conversa. Se não fosse eu, era outra qualquer”. E ele ia-me batendo. Bom, mas já que nasci e ando por cá e sem qualquer vontade de me “pôr a andar”, sinto-me com algumas obrigações para as amigas e feliz e útil se, durante segundos, lhes amenizar o dia.

Então para quem gosta de me ler, cá vai uma história verídica, de que me lembrei por ter consultado recentemente o médico. Quem me conhece bem acredita que aconteceu mesmo.


A IDA AO MÉDICO

Quando as amigas ou os amigos combalidos se queixam recomendo sempre uma ida ao médico “se os remédios se inventaram são para serem tomados quando precisamos deles” costumo pregar-lhes assisadamente, contudo, não é o que faço. Quando sou eu que me sinto mal, espero que passe. E a situação vai-se arrastando e nunca passa sem uma consulta.

Sou, reconheço, uma péssima doente. Aliás, filha de minha mãe, não teria muitas hipóteses, ou seria tal como ela de cuidados extremos, para não dizer excessivos ou o seu contrário. Pois saí o contrário.

Detesto mesmo ir ao médico, porque, não sei como, acabo muitas vezes no papel do clínico e no fim eu pago a minha consulta e o médico não me paga a dele. A minha mãe diz que é por eu não passar receita. Possivelmente será por isso. Bom, eu sou daquelas pessoas que até me automedico, confesso, mas cumpro as visitas anuais que o bom senso impõe que se façam. 

Uma dessas visitas é, como acontece com todas as mulheres, a ida ao ginecologista. Há cerca de dois anos, mal entrei no consultório, o meu ginecologista estava muito indisposto “Ai Sra. Dona Isabel estou muito doente. Estou muito mal do estômago. Daqui a um ano já cá não estarei para a consultar.” “Porquê? Deixa de dar consulta?” “Não. Já devo ter morrido. Estou muito mal do estômago.” E continuou a lamuriar-se, aiando e contorcendo-se, dizendo-se tão doente que eu confesso-me sem arte para exprimir tal dor, tão terrível mal. Em cima da secretária a chávena da bica bem curta que a Teresa, a empregada, tinha trazido do café que se situa no rés-do-chão.

Eu ouvi, ouvi, ouvi… e quando o médico repetia já não sei por que vez que ia morrer eu levantei-me da cadeira em que estava sentava à sua frente, com a secretária de permeio debrucei-me sobre ele com o indicador direito bem espetado no seu nariz e disse: “Livre-se! Por que pensa que escolhi um médico mais novo que eu? (ele tem seguramente menos dez anos) Julga que estou para andar a mudar de médico?  Está proibido de morrer antes de mim. Pare de beber café que melhora logo. E agora chame a Teresa e trate de me ir observar que tem a sala de espera cheia de gente, que tem mais que fazer que estar ali à espera que morra.” Ele obedeceu. Eu não precisei de passar receita para que as melhoras fossem imediatas.

Agora digam-me, quem é que merecia os setenta euros da consulta?