quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

MORRESTE-ME

Morreste-me Amélia. Faz amanhã um mês. E eu sei que não deveria chorar-te. Não se chora uma mulher que viveu noventa e um anos. Deveria celebrar-te a vida, agradecer-te a aprendizagem longa que me proporcionaste. Mais que tudo, deveria celebrar os muitos anos que tive o privilégio de usufruir do teu amor-perfeito e não chorar por o ter perdido.

Os primeiros dias, Amélia, até correram bem. Tu sabes como sou. Aguento os primeiros impactos, mas depois, sempre que chego ao Lar a minha mãe pergunta: “Foste ver a Amélia? Como é que ela está? Estou tão preocupada”- acrescenta. E eu, invariavelmente respondo-lhe que sim, que fui e que estás muito doente. “Do coração?” – quer ela saber – “De tudo mãe. Do coração, do estômago, dos intestinos” E lembro-me do teu último almoço “deixa-me ajudar-te. Deste-me tantas vezes comer na boca. Deixa que hoje seja eu a dar-te a ti” e tu “não é a mesma coisa” e a entornares tudo e eu a pedir de mansinho “deixa que te ajude” e tu deixaste e dei-te o último almoço que comeste ali e quero voltar a ter-te ali ao pé de mim a entornar a sopa e eu a pedir por favor para ta dar.

Ficou palpável o teu afeto crochetado em quilómetros de linha fina, repousando nas minhas gavetas. “Se queres essa toalha, pede à Amélia que ta faça” disse minha mãe quando apontei um botão de rosa inscrito num quadrado de renda. E eu pedi e tu fizeste. Quando voltar a estender a toalha sobre a mesa resistirei às lágrimas?

Como detestavas que tricotasse passando a lã pelo pescoço! Achavas pouco elegante. E como estou arrependida de não me ter esforçado para aprender a fazê-lo com os gestos finos que em mim sonhaste!

As tuas sobrinhas tiveram a gentileza de te alindar com um lenço que te oferecera. “Ela leva um lenço que lhe deste” – disse-me a Nelinha. “Já viste?” perguntou a Lena. Olhei-te deitada serenamente no esquife. Não respondi. Há comoções que as palavras não descrevem.

A Felicidade ocupou o teu lugar na mesa de refeições. Que ironia! Pareces tu a dizer-me que a vida continua, mas eu estou cheia de pena de mim, de não te ter mais a gostares de mim assim, tal como sou. E penso "morreu-se-me outra Velha!" E choro desconsolada. A voz da razão bem me sussurra, celebra o facto de ainda te sobrarem duas, entre elas a tua mãe, mas a menina que em mim existe precisa da certeza do apoio e mais que tudo da certeza do carinho, da ternura e do amor, que a morte em ti me leva deixando-me cada vez mais só.

Nunca te direi adeus. Digo-te, como fazia diariamente: “Olá, Amélia” para que tu me possas retorquir como enquanto te beijava a magra face “Estás boa ou nunca o foste?” e eu, num ritual comum de risos “Ora! já sabes a resposta…” 

Não te preocupes. Todos os dias ao almoço dobro o guardanapo de papel da minha mãe como tu fazias. Ela, se soubesse, não deixaria que te esquecesse.


E no templo renovam-se as colunas…

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

UMA TARDE DE SOL

Havia desafiado um amigo e uma amiga: "Domingo, dia 8 de dezembro, às 14h e 30m , encontramo-nos à minha porta, para uma incursão pelo Lapedo?" 
Ele aceitaram o desafio. E na data aprazada, lá fomos... Seguimos pela estrada da Caranguejeira, atravessámos Santa Eufémia e procurávamos a tabuleta a dizer Lapedo. Já convencidos que, distraídos, a tínhamos passado, encontrámo-la. Virámos à esquerda e embrenhámo-nos por um caminho daqueles em que "passa um, que dois são muitos" até chegarmos ao deslumbrante parque de merendas, atravessado pela ribeira da Caranguejeira. 


                                      

A primeira coisa que reparei foi que estava num vale glaciar, que a ribeira cortara em U. Coisa rara e interessantíssima dado que no nosso país abundam os rios com as margens em canyon delineadas em forma de V. Ah! Aquelas margens eram mesmo a pique!


A ribeira corria de mansinho e andei no sentido da nascente.


 Aproximei-me da queda de água. Que seria aquele buraco? Vim sem saber...


Este feto lindíssimo verdejava entre as pedras, na margem esquerda.


 E esta hera, em tons outonais, trepava na rede que delimitava um espaço a Este do Parque de merendas, na margem direita da ribeira, onde me encontrava.


O sol já havia percorrido cerca de um terço da caminhada para oeste, espreitando entre as árvores, para não evaporar a água que verdejava a relva e me molhava as sapatilhas e as perneiras das calças.

Olhei para trás...


Depois para a frente...

Passei junto à ponte e fiz o registo.

O amigos esperavam-me, um pouco afastados, com os pés salvaguardados da humidade e cara de quem se perguntava porque me demorava.

Com promessa de voltarmos em altura propícia a piqueniques, partimos em busca do "menino" dado que ele ali não estava...

Fizemos o caminho até à estrada principal e descemos até ao Centro de Interpretação do Lapedo.




Desilusão! Estava encerrado. Hoje sei que é da responsabilidade da CMLeiria, pelouro da Cultura e que abre a pedido de grupos que ali se desloquem em visita.


Descemos até ao miradouro.



Não deixei de fotografar algumas espécies que me encantaram...



E deixei-me seduzir pela paisagem.

E os amigos? Bom conversámos, convivemos, rimo-nos e como não achámos o "menino" fomos à procura de um pôr do sol bonito, pois que já não víamos um há imenso tempo... :)

Rumámos ao Pedrogão, a única praia do concelho de Leiria, para que o nosso amigo a conhecesse


Entrámos pela Praia Norte.












E deliciámo-nos com o fim de tarde maravilhoso que o por do sol nos ofereceu.

Foi uma tarde de excelente convívio. Espero que a amiga e o amigo tenham gostado tanto quanto eu gostei e que tenhamos hipóteses de voltar a repetir este tipo de encontros em que festejemos a palavra AMIGO.

sábado, 7 de dezembro de 2013

ESTÁ QUASE AÍ...

Pois é, está quase aí, se houver mecenas, um novo livro do Cristóvão. E não é que ele me elegeu como "madrinha" desta guerra pacífica que mantém com as letras?
Vai daí calhou-me o prefácio, mas como eu não gosto de prefácios, resolvi chamar-lhe outra coisa...

A Expansão no feminino

Ana de Chaves

Quem é Ana de Chaves? Poderão perguntar alguns, tal como eu perguntei a Cristóvão Santos, pois que dela apenas sabia ter dado o nome à baía e ao Pico, em tempos considerado o mais alto de São Tomé, quando este, febril de entusiasmo e já com a investigação iniciada me abordou no sentido de trocarmos impressões sobre o novo trabalho a que se propunha.

Na pesquisa histórica a que essa conversa com Cristóvão Santos me levou fui descobrir mais que uma mulher fascinante, sobre a qual, em muitos aspetos, os investigadores ainda não chegaram a acordo, talvez um mito, se se considerar como mito “uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares”(1), mais um nome feminino absolutamente incontornável na expansão marítima portuguesa, mais uma mulher que, e não menosprezando o facto do maior papel das mulheres na expansão ser sem dúvida o de mães, ter sido o de dar aos mares os homens aventureiros e destemidos que o afrontassem, logo seguido de, em terra, assegurarem o trabalho que a ausência dos homens lhes deixava como obrigação, se terá notabilizado por mais feitos do que esses, próprios do destino comum e por isso injustamente banalizado das mulheres da sua época, dado que o tempo a agigantou e a memória coletiva que a trouxe do século XVI ao século XXI a perpetuará no futuro.

É pois em plena época da expansão marítima portuguesa, mais precisamente na segunda metade do século dezasseis, no reinado de D. João III, que se situa esta história da História, já que de uma novela se trata, tendo por cenário, como pelo título facilmente se adivinha, a ilha de São Tomé.

Ana de Chaves, bisavó de uma outra mulher com o mesmo nome, que entre muitos bens terá tido terras doadas em 1535, em regime de sesmaria, seria de origem europeia, não se sabendo se judia, se filha do rei D. João III ou aia da rainha, que esta por ciúmes teria feito desterrar, chegando mesmo alguns depoimentos a mencionarem Cezilia Chaves (falecida em 1540), sua mãe mandada para São Tomé acompanhada da filha, com alargado dote constituído por possessões territoriais. Sabe-se contudo, que teve uma vida de grande senhora, que recebeu em sua casa viajantes influentes de todo o mundo conhecido que aportaram a São Tomé e que terá criado e protegido instituições de caridade.

É esta Ana de Chaves que vamos encontrar ao longo das páginas deste livro. Foi a essa mulher que, tendo enviuvado e casado segunda vez, sem que a história nos tenha feito chegar o nome do segundo marido, Cristóvão Santos ficcionou parte da vida, dando-nos a apreciar, numa leitura agradável, as dificuldades e a relevância económica da colonização, a necessidade de reconhecimento político dos novos territórios e de como o reconhecimento social, posterior a todos os outros, passava sempre por uma política de casamentos.

Desejo que vos seja tão grata quanto para mim, foi a leitura desta novela.
Isabel Soares




           (1) Mircea Eliade, Aspectos do Mito                 

sábado, 2 de novembro de 2013

TERIA SIDO MELHOR

Dia um de novembro, antes de ir dar o almoço a minha mãe, fui comprar o meu, ao Piu-Piu. A dona Maria cortava qualquer coisa na sala contígua à loja “bom dia. Mas o que é isso que está a fazer em vez de vir cuidar de mim?” –perguntei brincando, porque gosto de arreliar a dona Maria. “E a senhora que não refilasse. Bom dia. Ora diga lá” “Lá”- respondi a rir. “O que deseja?” – perguntou a dona Maria. Escolhi o que pretendia almoçar e jantar nesse dia, porque meia dose chega perfeitamente para duas refeições a quem, como eu, não é grande garfo, paguei os três euros e meio e já me vinha embora quando me ofereceu uma broinha doce “não quer bolinho?” Aceitei e saí.

Gulosa, com a desculpa de que ainda faltava muito para o meu almoço, resolvi comer a pequena broa. Surpresa! Tinha um sabor próximo das que costumo confecionar. E sem saber como, ali estava eu e a Clara no carro da Zinda, já de regresso da escola da Ortigosa, por altura da Ponte da Pedra, “Para! Para!” gritava eu sentada no banco de trás e a Zinda atarantada “mas paro porquê?” “porque vais virar para a esquerda” e ela cada vez percebia menos e a Clara também não percebia nada… “Vamos comprar um feixe de lenha e vamos amassar o bolinho para casa da dona Cipriana. Elas sabiam lá quem era a dona Cipriana…

Comprámos a lenha e depois na Sismaria, todos os ingredientes necessários. 

A Clara foi buscar as filha ao Castelinho e o meu pai as minhas ao Pinóquio, os respetivos Jardins de Infância que as crianças frequentavam. 

A dona Cipriana, amiga de minha mãe, gostava de mim e de há muito se habituara a aturar-me os “de repente” nas brincadeiras de infância com o filho que perdera há alguns anos, disponibilizou-se de imediato para nos ensinar a amassar as broas e foi o senhor Alberto, o marido, que, depois de chegar da Junta Nacional do Vinho, onde trabalhava, nos serviu de padeiro, no forno que mandara construir na divisão contigua à cozinha. Foi um resto de tarde alegre, divertidíssimo, para todos nós. Lanchámos, dividimos as broas, limpámos o que havíamos sujado e regressamos a casa felizes com as broinhas dos santos.

E ali esta eu, junto à churrasqueira Piu-Piu, a caminho do carro, muito mais de trinta anos após, com uma broa meia mordida na mão, cheia de saudades de mim, da minha força arrebatadora, da minha alegria de viver, frágil, sem saber se já perdi a força, se se desvaneceu a alegria, mas sobretudo doente de medo por não saber se já não tenho mais nada para provar a mim mesma, se já não sou capaz de provar mais nada e à beira de me quebrar.

Teria sido melhor não aceitar a broinha.  

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

COM AMIGOS DESTES...

Depois de almoço, estacionara o carro, como habitualmente, junto às piscinas e deslocava-me tranquilamente a pé, para o centro da cidade.

Ao pretender atravessar a passadeira na Avenida vinte e cinco de Abril, há um carro que para para me deixar passar. Nem reparo no condutor e agradeço a simpática atitude com um gesto de cabeça, como sempre faço e avanço. Já estava na outra faixa da estrada, o carro arranca e ao avançar o condutor grita:

- Estás velha!

Então olho para trás. Ao volante seguia o Rafael, um daqueles amigos que conheci bem pequenina, antes de descobrir que era gente.

- Velho estás tu. Olha para esse bigode todo branco. Por isso é que eu não deixo crescer o meu. - gritei-lhe já do passeio do outro lado da estrada.

Digam-me, com amigos destes, quem precisa de inimigos?

terça-feira, 29 de outubro de 2013

VINTE E SETE DE OUTUBRO

O sol acordou a madrugada com um sorriso radioso. “Vá, levanta-te.” – disse mimoso para o novo dia – eu ouvi, e fingindo-me dona do mimo, pulei da cama e abri a persiana. A luz entrou e o calor também pelo vidro da janela do quarto, que ficara toda a noite meio aberto.
“Bom dia sol, bom dia vida, bom dia amanhecer”.

A manhã estava esplêndida. Apressei-me a levantar as persianas de todas as outras divisões. E a casa inundou-se de sol. Cumprido o ritual de sentir o dia na pele, com a ida à varanda, logo que cheguei à sala, sentei-me calmamente às voltas com a torrada que deixara a fazer e o copo de leite do pequeno-almoço. Nem liguei a TV. Queria lá saber as notícias, não ouviria nada que me apetecesse. Limitei-me a fazer planos para a manhã: “hoje vou descer até ao rio.”











A moda chegou a Leiria...


 É na Ponte Chinesa...


Manhã, mas que linda manhã!


Depois de dar almoço a  minha mãe fui almoçar com uma amiga. Ela telefonara no dia anterior a sugerir: "Vamos amanhã almoçar à praia. É para nos despedirmos das sardinhas" E fomos. Tarde e más horas, pois não quis deixar de ir cumprir o ritual com minha mãe, mas fomos.


Vieira de Leiria






Aconteceu uma tarde de verão!

sábado, 19 de outubro de 2013

FORMAS DE MATAR UM ESCRITOR por MICHEL LAUB

29/03/2013 - 03h04
Formas de matar um escritor
DE SÃO PAULO

Exemplo de frase atribuída a Clarice Lispector na internet: "Ainda bem que sempre existe outro dia, e outros sonhos, e outros risos, e outras pessoas, e outras coisas". Outro exemplo: "Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome".

Ambas estão num site que, reagindo ao que o mundo virtual faz contra autores como Luis Fernando Verissimo e Caio Fernando Abreu, dispõe-se a conferir a autenticidade de citações. Tarefa digna, embora eu fique em dúvida sobre o que é pior: a Clarice falsa (sonhos e pessoas) ou a verdadeira (desejo sem nome).

Quer dizer, a Clarice transformada em autoajuda ou a tirada de contexto, numa vulgarização do registro original. A segunda frase é o ponto de vista de uma personagem --a protagonista de "Perto do Coração Selvagem"--, e fora do ambiente claustrofóbico e idiossincrático do romance vira apenas banalidade.
Há muitas formas de matar um escritor, e a mais segura talvez seja botá-lo num pedestal, escondendo as falhas e oscilações que o tornam humano --e, portanto, próximo do que a literatura deve ser. Acontece quando o transformamos num oráculo, com verdades a revelar sobre temas que pouco ou nada têm a ver com os seus.

Caso dramático é o de ficcionistas cujo mérito maior não é a capacidade de síntese, ou mesmo as ideias. "Grande Sertão: Veredas" é um clássico por vários motivos, um deles o acúmulo caudaloso e virtuoso de termos raros e palavras inventadas por Guimarães Rosa, num ritmo e ambientação a serviço de uma grande narrativa de aventura.

É um efeito que só se potencializa por causa desse fluxo --ao qual o leitor precisa dedicar tempo, paciência e atenção diversos do que exige uma simples frase. Destacar do romance uma fala como "pão ou pães, é questão de opiniães", do jagunço Riobaldo, é escolher (e indiretamente apontar como essência) apenas o que Rosa tem de diluído --uma celebração algo ingênua, ou algo demagógica, de uma suposta sabedoria popular.

Se a fala até pode ser charmosa pela sintaxe, sonoridade e empatia que evoca no contexto de "Grande Sertão", na vida real equivale a uma criança dizendo espertezas diante de adultos. "Viver é muito perigoso", outra máxima conhecida do livro, não é uma tolice, ok, mas repita-a sem a muleta de um medalhão das letras, em tom compenetrado, numa festa ou reunião de trabalho, e saboreie o efeito que causará.

Claro que citar é inevitável. Há autores talhados para isso, de frasistas como Nelson Rodrigues e Paulo Francis a romancistas cujos diálogos valem de maneira autônoma. Isso ocorre quando os personagens estão no mesmo nível do criador, sem que o último precise se rebaixar ou distanciar --com ironia, crueldade, paternalismo ou condescendência-- para exprimir a voz dos primeiros.

Também quando não emprestamos às frases uma filosofia moral adaptada a conveniências. Transformar Rubem Braga num militante da ecologia, como fez um programa recente de TV por causa de um trecho sobre passarinhos, é alistar o cronista numa batalha que não era a sua, ao menos nos termos ideológicos de hoje. E trair o que ele tinha de particular, sua melancolia cética e nunca açucarada, na contramão de qualquer bom sentimento da moda.

Da mesma forma, "o que desejo ainda não tem nome" talvez diga algo de "Perto do Coração Selvagem", mas usar isso em confissões de Facebook --como se houvesse grande transcendência nos anseios indizíveis do eu feminino-- é puxar para si uma sugestão de mistério, profundidade, alma complexa. Um egocentrismo tão contemporâneo e distante do que o texto de Clarice significou, inclusive em risco de incompreensão e fracasso, à época em que foi escrito (1943).

A boa ficção usa mentiras para dizer a verdade, e as citações malfeitas são o contrário: usam verdades (trechos reais) para mentir (atribuir ao livro um sentido que ele não quer ter). Ao contrário do que pensa quem as promove, é um desserviço à literatura. Apenas mais um, num tempo em que pouca gente tem disposição para abrir um romance --ou pensar qualquer coisa-- e ir além de meia dúzia de slogans.
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Michel Laub é escritor e jornalista. Publicou cinco romances, entre eles "Diário da Queda" (Companhia das Letras, 2011). Escreve a cada duas semanas, sempre às sextas-feiras, na versão impressa da "Ilustrada"