segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

sábado, 14 de dezembro de 2013

IN LUDO

Recebi o convite e fui, com uma amiga, porque as outras duas não conseguiram despachar-se a horas, ao concerto dos alunos do Orfeão de Leiria - Conservatório de Artes,  que teve lugar no Mimo - Museu da Imagem e Movimento, cuja finalidade foi proporcionar o intercâmbio entre a Música e as Artes Plásticas, representadas na exposição "In Ludo"(1), pela fotografia de João Daniel, Miguel Proença, Jorge Ricardo e "instalação" de Isabel Garcia (escultora).

A curadoria da Exposição, que decorrerá até 28 de Dezembro, é de António Guerra.


Foram chamar-nos à cafetaria e instalámo-nos. 


Mas onde é que está a Ilda?


E a Ilda não aparecia...


Finalmente apareceu, com António Guerra, curador da exposição. Cumprimentou-nos. explicou o que se ia passar e...


... afastou-se para a esquerda, dando a vez às explicações de António Guerra.

Começou o concerto

José Cerejo


Joaquim Januário. A tua foto ficou muito mal. És mais bonito do que te pus aqui. As miúdas sabem. :) 


Maria de Oliveira


Catarina e Madalena 


Quinteto "Quintústico" com Ilda Coelho


 Carolina Rosa


E ela espreitava, atenta... aquecendo as mãos porque ia tocar a seguir.


Bárbara Bento. A professora ouve "babada" a boa execução.


Vá lá! Não se esqueceu de entrar... Estava a ver que o enlevo era tanto que se distrairia... :)


As meninas da flauta, que antes atuaram individualmente: Cristiana, Carolina Martins, Carolina Rosa e Bárbara


Ó Sandra francamente! Sai daí! Sandra Leitão, diretora pedagógica, escondida atrás da coluna, "babando-se" mais discretamente, que a professora que se vê ao fundo e que todos os outros que assistiam sentados nas cadeiras. 
Acho que vou levar uns puxões de orelhas, mas o que aqui conto é verdade. Eu bem os vi. Sim João Pedro, tu estavas na fila atrás de mim... Dos outros dois professores, que também estavam presentes, não posso falar. Esses não conheço. 



Terminado o concerto, em que todos os executantes se portaram muito bem, para encanto dos próprios, orgulho dos professores e nosso deleite, apreciámos a exposição.


" Instalação Via Mendax" - o desafio de Isabel Garcia, senhora de extrema simpatia, que adorei conhecer, inspirada na lenda de tradição oral Hansel e Gretel (Irmãos Grimm).

É um jogo de opções em que cada um tem de se embrenhar pelo seu caminho, o que nem a proteção dada às pistas impede que aconteça.


SKenografia 3d - Miguel Proença




 Fio de Prumo - Jorge Ricardo


Ser e não ser - João Daniel (um pouco de surrealismo que nos encantou).

(1) In Ludo
Fotografia / escultura

Ilusão, S. f. (do latim iludo, a partir do prefixo in, acrescido do verbo ludo):
1. engano dos sentidos, do pensamento ou do espírito, que faz tomar a aparência pela realidade;
2. o que se nos afigura ser, mas não o é;
3. engano dos sentidos ou do espírito;
4. quimera;
5. esperança irrealizável.

Do ludo vem alusão (aludo), intervalo (interlúdio), representação (prelúdio).


Duas horas muito bem passadas.  Muito obrigada pelo convite. Parabéns a todos os intervenientes pelo ótimo trabalho.





quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

MORRESTE-ME

Morreste-me Amélia. Faz amanhã um mês. E eu sei que não deveria chorar-te. Não se chora uma mulher que viveu noventa e um anos. Deveria celebrar-te a vida, agradecer-te a aprendizagem longa que me proporcionaste. Mais que tudo, deveria celebrar os muitos anos que tive o privilégio de usufruir do teu amor-perfeito e não chorar por o ter perdido.

Os primeiros dias, Amélia, até correram bem. Tu sabes como sou. Aguento os primeiros impactos, mas depois, sempre que chego ao Lar a minha mãe pergunta: “Foste ver a Amélia? Como é que ela está? Estou tão preocupada”- acrescenta. E eu, invariavelmente respondo-lhe que sim, que fui e que estás muito doente. “Do coração?” – quer ela saber – “De tudo mãe. Do coração, do estômago, dos intestinos” E lembro-me do teu último almoço “deixa-me ajudar-te. Deste-me tantas vezes comer na boca. Deixa que hoje seja eu a dar-te a ti” e tu “não é a mesma coisa” e a entornares tudo e eu a pedir de mansinho “deixa que te ajude” e tu deixaste e dei-te o último almoço que comeste ali e quero voltar a ter-te ali ao pé de mim a entornar a sopa e eu a pedir por favor para ta dar.

Ficou palpável o teu afeto crochetado em quilómetros de linha fina, repousando nas minhas gavetas. “Se queres essa toalha, pede à Amélia que ta faça” disse minha mãe quando apontei um botão de rosa inscrito num quadrado de renda. E eu pedi e tu fizeste. Quando voltar a estender a toalha sobre a mesa resistirei às lágrimas?

Como detestavas que tricotasse passando a lã pelo pescoço! Achavas pouco elegante. E como estou arrependida de não me ter esforçado para aprender a fazê-lo com os gestos finos que em mim sonhaste!

As tuas sobrinhas tiveram a gentileza de te alindar com um lenço que te oferecera. “Ela leva um lenço que lhe deste” – disse-me a Nelinha. “Já viste?” perguntou a Lena. Olhei-te deitada serenamente no esquife. Não respondi. Há comoções que as palavras não descrevem.

A Felicidade ocupou o teu lugar na mesa de refeições. Que ironia! Pareces tu a dizer-me que a vida continua, mas eu estou cheia de pena de mim, de não te ter mais a gostares de mim assim, tal como sou. E penso "morreu-se-me outra Velha!" E choro desconsolada. A voz da razão bem me sussurra, celebra o facto de ainda te sobrarem duas, entre elas a tua mãe, mas a menina que em mim existe precisa da certeza do apoio e mais que tudo da certeza do carinho, da ternura e do amor, que a morte em ti me leva deixando-me cada vez mais só.

Nunca te direi adeus. Digo-te, como fazia diariamente: “Olá, Amélia” para que tu me possas retorquir como enquanto te beijava a magra face “Estás boa ou nunca o foste?” e eu, num ritual comum de risos “Ora! já sabes a resposta…” 

Não te preocupes. Todos os dias ao almoço dobro o guardanapo de papel da minha mãe como tu fazias. Ela, se soubesse, não deixaria que te esquecesse.


E no templo renovam-se as colunas…

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

UMA TARDE DE SOL

Havia desafiado um amigo e uma amiga: "Domingo, dia 8 de dezembro, às 14h e 30m , encontramo-nos à minha porta, para uma incursão pelo Lapedo?" 
Ele aceitaram o desafio. E na data aprazada, lá fomos... Seguimos pela estrada da Caranguejeira, atravessámos Santa Eufémia e procurávamos a tabuleta a dizer Lapedo. Já convencidos que, distraídos, a tínhamos passado, encontrámo-la. Virámos à esquerda e embrenhámo-nos por um caminho daqueles em que "passa um, que dois são muitos" até chegarmos ao deslumbrante parque de merendas, atravessado pela ribeira da Caranguejeira. 


                                      

A primeira coisa que reparei foi que estava num vale glaciar, que a ribeira cortara em U. Coisa rara e interessantíssima dado que no nosso país abundam os rios com as margens em canyon delineadas em forma de V. Ah! Aquelas margens eram mesmo a pique!


A ribeira corria de mansinho e andei no sentido da nascente.


 Aproximei-me da queda de água. Que seria aquele buraco? Vim sem saber...


Este feto lindíssimo verdejava entre as pedras, na margem esquerda.


 E esta hera, em tons outonais, trepava na rede que delimitava um espaço a Este do Parque de merendas, na margem direita da ribeira, onde me encontrava.


O sol já havia percorrido cerca de um terço da caminhada para oeste, espreitando entre as árvores, para não evaporar a água que verdejava a relva e me molhava as sapatilhas e as perneiras das calças.

Olhei para trás...


Depois para a frente...

Passei junto à ponte e fiz o registo.

O amigos esperavam-me, um pouco afastados, com os pés salvaguardados da humidade e cara de quem se perguntava porque me demorava.

Com promessa de voltarmos em altura propícia a piqueniques, partimos em busca do "menino" dado que ele ali não estava...

Fizemos o caminho até à estrada principal e descemos até ao Centro de Interpretação do Lapedo.




Desilusão! Estava encerrado. Hoje sei que é da responsabilidade da CMLeiria, pelouro da Cultura e que abre a pedido de grupos que ali se desloquem em visita.


Descemos até ao miradouro.



Não deixei de fotografar algumas espécies que me encantaram...



E deixei-me seduzir pela paisagem.

E os amigos? Bom conversámos, convivemos, rimo-nos e como não achámos o "menino" fomos à procura de um pôr do sol bonito, pois que já não víamos um há imenso tempo... :)

Rumámos ao Pedrogão, a única praia do concelho de Leiria, para que o nosso amigo a conhecesse


Entrámos pela Praia Norte.












E deliciámo-nos com o fim de tarde maravilhoso que o por do sol nos ofereceu.

Foi uma tarde de excelente convívio. Espero que a amiga e o amigo tenham gostado tanto quanto eu gostei e que tenhamos hipóteses de voltar a repetir este tipo de encontros em que festejemos a palavra AMIGO.

sábado, 7 de dezembro de 2013

ESTÁ QUASE AÍ...

Pois é, está quase aí, se houver mecenas, um novo livro do Cristóvão. E não é que ele me elegeu como "madrinha" desta guerra pacífica que mantém com as letras?
Vai daí calhou-me o prefácio, mas como eu não gosto de prefácios, resolvi chamar-lhe outra coisa...

A Expansão no feminino

Ana de Chaves

Quem é Ana de Chaves? Poderão perguntar alguns, tal como eu perguntei a Cristóvão Santos, pois que dela apenas sabia ter dado o nome à baía e ao Pico, em tempos considerado o mais alto de São Tomé, quando este, febril de entusiasmo e já com a investigação iniciada me abordou no sentido de trocarmos impressões sobre o novo trabalho a que se propunha.

Na pesquisa histórica a que essa conversa com Cristóvão Santos me levou fui descobrir mais que uma mulher fascinante, sobre a qual, em muitos aspetos, os investigadores ainda não chegaram a acordo, talvez um mito, se se considerar como mito “uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares”(1), mais um nome feminino absolutamente incontornável na expansão marítima portuguesa, mais uma mulher que, e não menosprezando o facto do maior papel das mulheres na expansão ser sem dúvida o de mães, ter sido o de dar aos mares os homens aventureiros e destemidos que o afrontassem, logo seguido de, em terra, assegurarem o trabalho que a ausência dos homens lhes deixava como obrigação, se terá notabilizado por mais feitos do que esses, próprios do destino comum e por isso injustamente banalizado das mulheres da sua época, dado que o tempo a agigantou e a memória coletiva que a trouxe do século XVI ao século XXI a perpetuará no futuro.

É pois em plena época da expansão marítima portuguesa, mais precisamente na segunda metade do século dezasseis, no reinado de D. João III, que se situa esta história da História, já que de uma novela se trata, tendo por cenário, como pelo título facilmente se adivinha, a ilha de São Tomé.

Ana de Chaves, bisavó de uma outra mulher com o mesmo nome, que entre muitos bens terá tido terras doadas em 1535, em regime de sesmaria, seria de origem europeia, não se sabendo se judia, se filha do rei D. João III ou aia da rainha, que esta por ciúmes teria feito desterrar, chegando mesmo alguns depoimentos a mencionarem Cezilia Chaves (falecida em 1540), sua mãe mandada para São Tomé acompanhada da filha, com alargado dote constituído por possessões territoriais. Sabe-se contudo, que teve uma vida de grande senhora, que recebeu em sua casa viajantes influentes de todo o mundo conhecido que aportaram a São Tomé e que terá criado e protegido instituições de caridade.

É esta Ana de Chaves que vamos encontrar ao longo das páginas deste livro. Foi a essa mulher que, tendo enviuvado e casado segunda vez, sem que a história nos tenha feito chegar o nome do segundo marido, Cristóvão Santos ficcionou parte da vida, dando-nos a apreciar, numa leitura agradável, as dificuldades e a relevância económica da colonização, a necessidade de reconhecimento político dos novos territórios e de como o reconhecimento social, posterior a todos os outros, passava sempre por uma política de casamentos.

Desejo que vos seja tão grata quanto para mim, foi a leitura desta novela.
Isabel Soares




           (1) Mircea Eliade, Aspectos do Mito