terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

DE MÃOS DADAS COM O SOL (Segunda etapa: A amiga Gláucia)


Já na avenida onde mora a "comadre" Gláucia, ...




... deparei-me com fregueses impacientes que aguardavam a abertura do minimercado.


Outros aguardavam calmamente gozando as doçuras do sol.


Atentei na informação e "pus-me"...


... pus-me à procura da "valise de carton" que tinha deixado algures (sítio onde arrumo muita coisa)... Ora, quem procura, sempre encontra!



Subi ao número não sei quantos: "Queres uma laranja?" "Não. Quero companhia para passear." Aguardei que a "comadre" desse almoço à pombinha branca e...


... saciada esta, felizmente a colónia de morcegos levantou arrais, ou ainda lá estaríamos a apanhar mosca para o seu almoço (ai, quando ela ler isto, torce-me o pescoço e faz canja de Zabel) atrelou-se a "Melga": "Não ladres à tia Isabel", mas a Melga não me reconheceu como família e manifestou-o bem alto - refilona com a dona! 
Só pode!
Descemos dispostas a ir até ao rio.




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

DE MÃOS DADAS COM O SOL (Primeira etapa: A caminho)


No domingo, acordei com uma vontade quase irreprimível de escrever, mas o bom tempo convidava a um passeio a pé.
Assim, depois de almoço, desci as escadas e saí do prédio.


 Encontrei de imediato a primavera


 E seguimos da mãos dadas, a primavera e eu, com o sol meio envergonhado daquela tarde de inverno, em que a chuva nos dera tréguas.


Colhemos narcisos. E a primavera e sol estenderam-me, repousando na tarde e eu continuei.


  Detive-me junto às ervas daninhas da beira da estrada. Alguém provou a seiva desta flores amarelas ou fui só eu que em garota fiz tolices?


Mais dois passos e não resisti...

    

Colhi um trevo... Sou eu que faço a minha sorte.



          A Natureza resplandecia.  Até as silvas floresciam com uma pujança para mim desconhecida.                                                                                                                           


E a brincadeira infantil: "O teu pai é careca?" E eu-menina a soprar as sementes ao vento: "É careca!"



 Será que outra Isabel reconhece alguma destas varandas? Ou serei eu que estou confundida?


 Continuei o passeio, pela Rua Comissão da Iniciativa.


 Detive-me para dois dedos de conversa com AS MULHERES DE LEIRIA - escultura de Pedro Anjos Teixeira, inaugurada a 22 de Maio, no âmbito das comemorações do IV centenário de elevação de Leiria a cidade.


 Mais uns passos e a curiosidade permitiu que encontrasse a Porta Verde. Está velha, desbotada e gastas porque, em cada amanhecer, é por ela que passam biliões de pessoas antes de pôr o pé no novo dia.


 Atenção ao aviso!


E aquilo o que seria, mesmo ali do lado esquerdo desta porta sem vidros? 


Tinham-me dito que eram raros... Ah! Em Leiria há muitos! Mesmo à mão de colher, nas floreiras do edifício sede da Junta de Freguesia.


 Colhi um branco, tal como quero para mim. Branco com sinónimo de sincero, verdadeiro. Newton provou que o branco é a mistura de todas as cores... e eu quero o arco-íris.


Tropecei em tristeza e desolação


E detive-me a VER.A.CIDADE.


Alguém sabe o que foi esta horta? Nada mais nada menos que a cerca onde brincavam as meninas que frequentavam o Liceu Nacional de Leiria. Era o logradouro do Anexo do Liceu. 


Sinto-te a falta, amiga.


Pois é!


E o ato revolucionário surgiu a dois passos.


O "Ferro de Engomar" lembrou-me que havia trabalho que me esperava...


Mas que importava?! Amor ainda se escreve com pétalas de rosa.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

MAIS E MENOS

No amor, regras que contem,
Há uma só que não é vã:
Amar hoje mais do que ontem
Mas bem menos que amanhã

E eu num fado que isto guarde
Também acrescentaria
Amo-te mais cada tarde
Do que amei nascendo o dia

E cada vez muito mais
Do que antes, mas tais requintes
São muito menos, ver vais
Do que nos dias seguintes

Com resultados tão plenos
Como somar dois e dois:
Muito mais e muito menos
Conforme "antes" e "depois"

No amor, regras que contem,
Há uma só que não é vã:
Amar hoje mais do que ontem
Mas bem menos que amanhã

Vasco Graça Moura

Homenageado e condecorado pelo Presidente da República a 31 de Janeiro. 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

FESTA DA ALBERTINA (2012)



Captação de imagens: Filhas da Albertina;
Montagem: Albertina, a professora de informática que dá aulas pelo telefone.

NUM DIA EXCESSIVAMENTE NÍTIDO

Num dia excessivamente nítido,
Dia em que dava a vontade de ter trabalhado muito
Para nele não trabalhar nada,
Entrevi, como uma estrada por entre as árvores,
O que talvez seja o Grande Segredo,
Aquele Grande Mistério de que os poetas falsos falam.

Vi que não há Natureza,
Que Natureza não existe,
Que há montes, vales, planícies,
Que há árvores, flores, ervas,
Que há rios e pedras,
Mas que não há um todo a que isso pertença,
Que um conjunto real e verdadeiro
É uma doença das nossas idéias.


A Natureza é partes sem um todo.
Isto é talvez o tal mistério de que falam.
Foi isto o que sem pensar nem parar,
Acertei que devia ser a verdade
Que todos andam a achar e que não acham,
E que só eu, porque a não fui achar, achei.

 Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, poema XLVII"

domingo, 26 de janeiro de 2014

UN SOUVENIR



Vídeo e montagem de autoria de António Nunes

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

SER QUE NUNCA FUI

 Começo a chorar
do que não finjo
porque me enamorei
de caminhos
por onde não fui
e regressei
sem ter nunca partido
para o norte aceso
no arremesso da esperança

Nessas noites
em que de sombra
me disfarcei
e incitei os objectos
na procura de outra cor
encorajei-me
a um luar sem pausa
e vencendo o tempo que se fez tarde
disse: o meu corpo começa aqui
e apontei para nada
porque me havia convertido ao sonho
de ser igual
aos que não são nunca iguais

Faltou-me viver onde estava
mas ensinei-me
a não estar completamente onde estive
e a cidade dormindo em mim
não me viu entrar
na cidade que em mim despertava


Houve lágrimas que não matei
porque me fiz
de gesto que não prometi
e na noite abrindo-se
como toalha generosa
servi-me do meu desassossego
e assim me acrescentei
aos que sendo toda a gente
não foram nunca como toda a gente

Mia Couto, Raiz de Orvalho e Outros Poemas