Numa qualquer sexta-feira, fui ao
médico.
“Não estou doente.” – disse ao
clínico, um jovem pela idade da minha filha mais velha ou talvez nem
tanto. Ele levantou os olhos do PC.
Agora os médicos interagem mais com os computadores do que com os doentes. E eu,
para que não me tomasse por arrogante, ou presumida, ou como me quisesse chamar,
emendei: “Bom! Penso que não estou doente. Isso terá de ser o doutor a avaliar,
pois recai no âmbito das suas competências. O médico voltou a interessar-se
pelo PC.
“Venho por uma questão que se
prende com a qualidade de vida” – continuei – “nem tão pouco sei se poderei
encontrar o que pretendo numa caixa de comprimidos.” O médico escrevia e eu
desfiava o rosário das minhas ideias, pretensões, dúvidas, ou lá o que se queira
chamar ao discurso que ininterruptamente proferia.
Quando me calei, o doutor desviou
o nariz do PC, olhou-me, e num tom surpreendido sentenciou: “É uma senhora
castiça, característica a que sabe muito bem aliar a inteligência.”
Eu sorri à leitura subjetiva que
fiz do que acabava de ouvir, que não vem ao caso e lá vim com uma receita de
pílulas que continuo na dúvida se devo ou não adquirir. No fim paguei setenta e
cinco euros de consulta.
Conclusão: Castiça poderei ser,
quanto à inteligência… tenho sérias duvidas. Pregar aos peixes ter-me-ia saído
muito mais barato.