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domingo, 27 de janeiro de 2013

PORTUGAL PORQUE SIM

(...)


Podia pedir-te e dar-te contas
de tudo aquilo que sonhámos e não alcançámos.
Podia fazer tudo isso e muito mais,
mas prefiro vislumbrar na tristeza dos teus olhos
a ternura com que segues o rasto das aves e das estrelas
e depois abraçar-te e dizer-te: meu querido Portugal,
serás, até ao fim, a luz que não se apaga nem se rende
quando sonhamos com tudo aquilo que ainda te falta ser.

                                     José Jorge Letria

domingo, 30 de dezembro de 2012

A DIFERENÇA


SÍSIFO

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

                                    Miguel Torga

Lancei o poema ao vento e o eco respondeu:

"Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças..."



E os dias repetir-se-ão sempre iguais. O Sol nasce e põe-se imperturbavelmente. Não há qualquer ingrediente que torne diferente esta cadência. O milagre somos nós. Nós possuímos a capacidade de tornar os dias diferentes. É o significado que atribuímos aos muitos momentos de interação com os outros, que pinta a vida com as cores do arco-íris.

Sejam felizes!


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

TARDE DE TERÇA-FEIRA, TREZE


Depois de almoço, quando saía de casa, não pretendia passear pela margem do rio, mas levava comigo uma vontade irresistível de me deliciar com a paisagem.

Havia pegado na máquina fotográfica, descido as escadas e enfiado no carro, na firme disposição de ir a pé, pelo Marachão, o caminho mais longo até ao Centro Cívico, para cumprir as minhas horas de voluntariado.

Parei o carro junto às piscinas, como habitualmente, só que em vez de caminhar em direção à  Ponte Europa, virei para a cidade.

Fiz o primeiro registo.


Há muito tempo que não nos cruzávamos. Aconteceu: "Posso oferecer-lhe uma coisa para ler?" "Claro que pode" - respondeu o meu melhor sorriso, à vista da pagela. " A senhora é tão simpática! Posso oferecer-lhe também esta revista?" pergunta a amiga. "Com certeza!".

E segui carregada com aquela literatura que remetia para a Bíblia (aviso das senhoras- apóstolas de Jeová), dobradinha no bolso da parka que transportava no braço, à espera de um caixote de lixo distante, que não lhes entristecesse as feições.

O sorriso, às vezes, prega-nos partidas.




"Será que vou encontrar o monge budista, na camisa de xadrez azul com a gravata amarela? Será que hoje veste a camisa de xadrez verde com a gravata castanha? Por que chão estenderá agora os livros que não vende?" Saberia depois, que não. Ainda não foi desta.


Passei com habitualmente por baixo da ponte que liga Leiria e Marrazes olhando para o alto, como sempre faço.

E a voz da minha mãe, que tanto se preocupa com as minhas passeatas pelo rio - "vê lá se escorregas e cais à água... " E eu a rir: "Ora, sei nadar!"



Deixei que o casal se afastasse, para fazer o registo, porque me apeteceu caminhar para algum lado que não existe, também assim, com alguém ao meu lado. Quem visse haveria de dizer: "Levava asas leves e brincos na alma" (Alice Brito, As mulheres da Fonte Nova, pág 111)


"No chão, tapetes de folhas secas acusavam a madureza do tempo à espera do Inverno." (Alice Brito, As mulheres da Fonte Nova, pág 175)


E eu sub-repticiamente a caminhar, mal levantando os pés, feita pássaro no movimento que imprimia às folhas.



Olhei para trás... A beleza afirmava-se 



E afirmar-se-ia mais ainda, olhando em frente, à vista do Parque...


E fui andando... materializando o infinito no ponto, ao fundo, com que a perspetiva me enganava. E eu deixava que me enganasse. Estava ali para isso.


 A ponte chinesa, a minha preferida. "Justapõe-se" dirão alguns... e daí? Que leveza!


Olhei para o lado. Gosto de olhar em todas as direções. Os referentes ajudam a fixar a rota.


E a vida, força a acontecer em qualquer lado, inegavelmente, com um pingo de água e uma réstia de sol. Somos iguais: basta-nos pouco para desabrocharmos...



Praça Eça de Queiroz... As horas cumpriram-se...


 Um olhar à esquerda, naquele fim de tarde. 

E à direita...

E aquela sensação de liberdade mesclada de ausência a percorrer-me o corpo, trouxe-me de volta.



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

ROSAS BRANCAS



                                                                         

Foto da autoria de António Nunes


Num verde amarelado, aquela árvore ondula levemente sujeita à chuva e à aragem, vejo-a através da vidraça, sentada à mesa da sala, de onde escrevo. E invejo aquela árvore que o outono há de despir para a primavera renovar. O verde dela amarelou, o meu extinguiu-se.

Quando eu morrer rosas brancas…

domingo, 15 de janeiro de 2012

ARCO-ÍRIS

(imagem encontrada na NET)

Estendo os braços


Só eu

em cada lado da noite.


Fascinadas pelo silêncio

as palavras

marulham na alma

ternura... ternura... ternura


A forma do teu corpo

E uma mão

Simplesmente uma mão

pegando a minha


O sonho acontecia…


E acontecia

amor em cada gesto

Um afago simples

Só ternura


E na noite

Foste

O arco-íris…