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segunda-feira, 4 de maio de 2026

RECORDAÇÕES

Naquela manhã de setembro, viajando no navio Funchal a caminho da Ilha da Madeira, fui à proa do navio. Questionava-me sobre o que sentiriam os marinheiros portugueses nos tempos das descobertas.

O varandim da proa antecedia a cabine do piloto e ali, no local mais avançado, era eu e a imensidão do mar, na grandiosidade do céu. “Evidentemente!”

Eu, de pé, no centro daquele universo esmagador que a manhã luminosa revelava para mim, navegando, porque sabia que o navio se movia, numa vasta extensão de água, apontando a linha do horizonte que, a cada metro percorrido, continuava equidistante. “Evidentemente!” Num tempo sem idade, Tales de Mileto (624 a. C. – 546 a. C.) e Ptolomeu (70 ou 90 – 168) seguiam comigo de mãos dadas, nessa manhã de setembro. “Evidentemente!”

E eu ali, ser insignificante mergulhado em infinito, prisioneira do “evidente” que “mente” aos órgãos dos sentidos, justificando o geocentrismo de Ptolomeu, sabia-me liberta pela “mente”, porque mente não é só uma forma verbal, é também substantivo. E amparada pela mente esclarecida de séculos de interrogações, estudo, ciência e pensamento filosófico, dei graças pela sabedoria alcançada com o experimentalismo de milhões de anónimos e com a persistente e corajosa clarividência de outros, cujo nome, como o de Galileu Galilei (1564, Pisa – 1642) ecoarão no tempo, até à eternidade, enquanto, espantada, vivia uma epifania.  



 

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