segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

DOMINGO: MANHÃ, MAS QUE LINDA MANHÃ


Há talvez uns quatros dias que acordo com a cabeça cheia de música, desta música, de cuja parte instrumental gosto muito:



Esse facto tem feito com que passe os dias inteiros a trautear a canção. Possivelmente por isso, porque não sei cantar, recomeçou a chover. Ao terceiro dia, nem as nuvens aguentaram a desafinação. Ah! mas não há hipóteses do tempo melhorar. Eu continuo a cantar de manhã à noite, sem que a voz me doa. 

Domingo, contudo, último dia em que a atmosfera resistiu, à minha melodia, esteve mesmo uma linda manhã. Saltei da cama cantarolando e tratei de me pôr a caminho depois dos cuidados habituais de cada novo dia.

Desci a ladeira a pé.


 Atravessei a porta...


E eis-me na ponte a atravessar da margem direita  para a esquerda, que é como quem diz a virar costas a Marrazes e a caminhar em direção a Leiria, com o olhar virado à foz, enchendo-me desta linda e calma paisagem de inverno.


Caminhei pelo Marachão até ao centro da cidade


E voltei para trás. "Ah! mas nunca fotografei a Ponte do Bairro dos Anjos, deste lado."

E fui tirando fotos...


à medida que me aproximava.

 Na outra margem, o café onde, com a Paula Miguéis, costumava estudar Direito Penal. Agora tem um ar desolador, mas mal chega a primavera torna-se um local muito aprazível.


De repente uma folha tardia lembrou-me que o inverno começara há pouco tempo...


Vai um passeio de avião?


Os técnicos verificam as condições do voo.


Tudo nos conformes. Toca a levantar voo.


Mas quem tiver medo de voar, pode optar por um passeio de barco. Não há barco, mas há gare 
fluvial. Já não falta tudo...


Preferi continuar a pé, em ameno cavaquear com o sol e a paisagem. Encantei-me com as heras...


...no seu caminhar lento e seguro envolvendo o tronco das árvores.


E fui andando, andando...


... e regalando a vista. Não havia verde. A natureza dormia para só voltar a acordar na primavera


Antes da Ponte Europa, atravessei para os Marrazes e comecei o regresso pela margem direita.


Olhei para trás. Que lindo o rio correndo devagarinho para a foz!


Mas os peixes Senhor? Porque lhes dais tanta dor? Por que padecem assim?


Enchi os olhos de amarelo nestes malqueres que à luz do sol refulgiam. 


Voltei a passar a Porta, desta vez em sentido contrário. Subi calmamente a ladeira e cheguei a casa. 

Domingo: manhã, mas que linda manhã!

domingo, 29 de dezembro de 2013

O PAI NATAL

Quando era pequenina... pois é verdade, também já fui pequenina... diziam que era o Menino Jesus que me dava as prendas no Natal.

Eu colocava o sapatinho na chaminé, já em camisa de dormir, prontinha para entrar na cama e a curiosidade tomava conta de mim naquela noite de vinte e quatro para vinte e cinco de dezembro, até conseguir a muito custo adormecer, para só de manhã me aquietar e comover com a generosidade do Menino Jesus.  

Eu achava o Menino Jesus altruísta. Na verdade, nem sabia que a palavra existia, mas achava-O muito bonzinho, porque Ele, um Menino que gostaria de brincar, dava os brinquedos a todos os outros. Parece-me até, que foi graças a este conceito de generosidade, que minha mãe conseguiu que eu desse, com o coração em chaga, todos os brinquedos a uma menina da Carreira, de que nem lembro o  nome, quando ela entendeu que eu não tinha idade de brincar com eles. Foi pois com dor, que aprendi a dar aos outros, se calhar acontecia o mesmo em cada Natal ao Menino Jesus. E a minha mãe, bem na linha de minha avó Isabel, sempre foi assim: capaz de dar até a camisa, desde que achasse que ela servia alguém, que ela tinha uma função social ao serviço do próximo.

Nunca entendi muito bem como é que o Menino Jesus transportava tanto brinquedo e os distribuía pelas chaminés de cada casa, mas como o serviço aparecia feito e bem, nunca me preocupei muito em desvendar o mistério.

Muito mais tarde, o Menino Jesus, talvez devido ao cansaço, fez-se substituir pelo Pai Natal. Este vinha de trenó, puxado pelas renas e distribuía as prendas. Como figura mais possante, percebia-se melhor que aguentasse a trabalhar a noite inteira sem enganos e canseiras.




Mas as chaminés foram sofrendo alterações. Encheram-se de antenas e algumas até de heras. "Como entrar?" - questionava-se o Pai Natal.



Optou por escadas de corda...
 tentou subir a pulso...


Aprendeu até aquele novo desporto urbano, que a ignorância não me permite saber o nome, e pulou até à varanda desta casa...

Noutras usou o trapézio do Circo Moderno que está lá em baixo no espaço da Feira de Maio, para dar um ou outro espetáculo, na esperança de que o içassem para dentro.

O Pai Natal, embora com muitas horas de ginásio, não tinha preparação física à altura do esforço exigido. Ao fim de tantos anos por aí  numa azáfama destas, os músculos não são o que foram e ele é contra as substâncias artificiais com que muitos obtêm aquele aspeto de "dinamite".

Creiam, foi um desepero esta Noite de Natal.




Desesperado, caindo de cansaço, perdeu o saco e acabou enforcado, em indecente e má figura, na varanda do primeiro andar esquerdo do prédio onde habito.

Eu moro no segundo direito... Percebem agora por que fiquei sem prendas?

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

DECIDIDAMENTE



Ela chegou no dia vinte quatro cerca das dezassete horas e trinta minutos. Bem-disposta nem se deu ao trabalho de abrir a porta. Tocou e esperou que lha abrisse. Voltei em corrida para o tacho do arroz doce que continuava ao lume e precisava de ser mexido constantemente para não pegar.

“Ouvi dizer que hoje, há aqui um jantar muito bom.” Olhei-a sem entender, tinha acabado de me cumprimentar e claro que o jantar seria bom, para além de ser véspera de Natal, dizem que herdei o jeito para a cozinha de minha avó Isabel, o que equivale a veladamente dizerem que cozinho bem, se não tão bem como ela, pelo menos fazendo-a lembrar, o que é muito bom.

“O menu é o que sugeriste” – respondi. “Nada disso: Telefonaram-me a informar de que havia um arranjo da Mata dos Marrazes, que tornará o jantar muito mais apetitoso”.

Ali estava ela, a mais nova, de conluio com a mais velha a rir-se de mim nas minhas bochechas. “Decididamente, estou velha!” – pensei- “Já me apanham assim, sem mais nem menos, na primeira curva da ironia, sem que me aperceba com antecedência, que caminhos trilham. Filhas!”

Ao início da tarde, a mais velha telefonara, no preciso instante em que eu chegava a casa, toda molhada, depois de uma incursão, debaixo de chuva torrencial, pela Mata dos Marrazes com a finalidade de apanhar uma pontas de pinheiro, uns ramos com bolinhas vermelhas e umas folhas de hera para fazer um arranjo de Natal. A isso acrescentara, depois, umas folhas de nespereira que apanhara ainda no quintal de uma casa que visitara, como Pai Natal.

“Já está na mesa” – informei – será que andaram a rir-se de mim nas minhas costas?” “Olha que ideia, lá éramos capazes disso. A hipótese de apanhares uma pneumonia ou de te cair um pinheiro em cima em troca desta obra de arte, foram riscos insignificantes. Leiria não esteve em alerta laranja?” Que sim, que estivera, lá confirmei. “Ah! Vou já mandar a foto à nana. Não quero que lhe caia mal o jantar da sogra, por lhe faltar esta visão magnífica.”

A filha a ralhar comigo! Onde é que já se viu? Trocaram-se os papeis? Estou velha! Decididamente velha... e o mais grave é que ainda nem tinha dado por isso.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

sábado, 14 de dezembro de 2013

IN LUDO

Recebi o convite e fui, com uma amiga, porque as outras duas não conseguiram despachar-se a horas, ao concerto dos alunos do Orfeão de Leiria - Conservatório de Artes,  que teve lugar no Mimo - Museu da Imagem e Movimento, cuja finalidade foi proporcionar o intercâmbio entre a Música e as Artes Plásticas, representadas na exposição "In Ludo"(1), pela fotografia de João Daniel, Miguel Proença, Jorge Ricardo e "instalação" de Isabel Garcia (escultora).

A curadoria da Exposição, que decorrerá até 28 de Dezembro, é de António Guerra.


Foram chamar-nos à cafetaria e instalámo-nos. 


Mas onde é que está a Ilda?


E a Ilda não aparecia...


Finalmente apareceu, com António Guerra, curador da exposição. Cumprimentou-nos. explicou o que se ia passar e...


... afastou-se para a esquerda, dando a vez às explicações de António Guerra.

Começou o concerto

José Cerejo


Joaquim Januário. A tua foto ficou muito mal. És mais bonito do que te pus aqui. As miúdas sabem. :) 


Maria de Oliveira


Catarina e Madalena 


Quinteto "Quintústico" com Ilda Coelho


 Carolina Rosa


E ela espreitava, atenta... aquecendo as mãos porque ia tocar a seguir.


Bárbara Bento. A professora ouve "babada" a boa execução.


Vá lá! Não se esqueceu de entrar... Estava a ver que o enlevo era tanto que se distrairia... :)


As meninas da flauta, que antes atuaram individualmente: Cristiana, Carolina Martins, Carolina Rosa e Bárbara


Ó Sandra francamente! Sai daí! Sandra Leitão, diretora pedagógica, escondida atrás da coluna, "babando-se" mais discretamente, que a professora que se vê ao fundo e que todos os outros que assistiam sentados nas cadeiras. 
Acho que vou levar uns puxões de orelhas, mas o que aqui conto é verdade. Eu bem os vi. Sim João Pedro, tu estavas na fila atrás de mim... Dos outros dois professores, que também estavam presentes, não posso falar. Esses não conheço. 



Terminado o concerto, em que todos os executantes se portaram muito bem, para encanto dos próprios, orgulho dos professores e nosso deleite, apreciámos a exposição.


" Instalação Via Mendax" - o desafio de Isabel Garcia, senhora de extrema simpatia, que adorei conhecer, inspirada na lenda de tradição oral Hansel e Gretel (Irmãos Grimm).

É um jogo de opções em que cada um tem de se embrenhar pelo seu caminho, o que nem a proteção dada às pistas impede que aconteça.


SKenografia 3d - Miguel Proença




 Fio de Prumo - Jorge Ricardo


Ser e não ser - João Daniel (um pouco de surrealismo que nos encantou).

(1) In Ludo
Fotografia / escultura

Ilusão, S. f. (do latim iludo, a partir do prefixo in, acrescido do verbo ludo):
1. engano dos sentidos, do pensamento ou do espírito, que faz tomar a aparência pela realidade;
2. o que se nos afigura ser, mas não o é;
3. engano dos sentidos ou do espírito;
4. quimera;
5. esperança irrealizável.

Do ludo vem alusão (aludo), intervalo (interlúdio), representação (prelúdio).


Duas horas muito bem passadas.  Muito obrigada pelo convite. Parabéns a todos os intervenientes pelo ótimo trabalho.