segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

TALVEZ UM DIA


Às vezes bate uma dor na alma… Não dói como se tivéssemos caído e esfolado o joelho, também não tem nada a ver com uma perna partida, nem tampouco com a picada de espinho da rosa que colhemos. É uma dor que nos desfaz por dentro, devagarinho, que nos mastiga o peito, rouba o ar dos pulmões e afoga os olhos. E nós sentimo-nos tão sós, tão profundamente abandonadas que apetece parar o mundo, sair e adquirir por uns tempos a existência etérea daquilo em que acreditamos e não entendemos ou mesmo ser ar que se respira, ser brisa que sopra, ser a maresia que o vento arrasta, ser cheiro a mar e som de onda miudinha que o tempo traz e desfaz na areia da praia, nas horas da baixa-mar.
 “Amanhã tenho natação.”
“Estarei louca?” “Como me fui lembrar da natação?”
É o apelo à vida a rir-se daquilo que não perdi, porque nunca tive, mas que almejei e não consegui alcançar.
“Quem sabe?! Talvez um dia… “– diria a minha mãe se me ouvisse hoje. Di-lo-ia, não para me consolar, mas por saber, que há na vida dias que valem muitos anos.

“Quem sabe?! Talvez um dia…”

domingo, 10 de dezembro de 2017

VICISSITUDES DE ME CHAMAR ISABEL SOARES


Para que serve o nome? Consagrado como um Direito Fundamental do individuo, o nome civil, assim se chama, identifica-nos desde o nascimento até para além da morte. É eterno. Citam-no enquanto nos lembrarem, depois fica esquecido, mas não deixa de ser nosso, mesmo depois de sermos pó e nada.

Já muitas vezes contei que herdei o meu de minha avó materna, tendo os meus pais, como única originalidade, intercalado Maria, o que fez de mim mais uma entre tantas e, no fim, acrescentado Soares para que constasse que eu era filha daquele homem e não de qualquer outro e pertencia a determinada família. Pena foi não ter herdado também todas as qualidades da avó, senhora doce, calma e sofrida sem queixume, até na morte. Se alguma coisa herdei dela foi a paciência que misturada com o otimismo e a raiva pelo incontrolável herdados de meu pai, fizeram de mim mais teimosa que o burro que o meu pai nunca teve. Dizia ele…

Que não se pense que o meu pai era uma pessoa violenta. Nada disso! A maior violência de que me lembro foi a de, num momento aziago, ter acertado com um tabefe, que me era destinado, na bochecha do meu amigo C-----tinho. Eu, ainda hoje estou profundamente agradecida ao C-----tinho por me ter feito esse favor, que a mão de meu pai era pesada… e embora eu classificasse o momento de aziago, na verdade, ao C-----tinho não fez mal nenhum levar a dita bofetada. Ele continua de perfeita saúde e, convenhamos, foi uma experiência nova, dado que em casa, só a mãe lhe acariciava o traseiro com o chinelo, enquanto o pai se entretinha a gerir o negócio. O pior foi mesmo a senhora sua mãe. A ela é que doeu… as mães têm destas aflições pelas bochechas dos filhos e não só… e eu estava a ver que por causa do tabefe mal entregue ainda se zangava toda a gente. Estava, com tal receio de não poder continuar a patinar por mais tempo no corredor encerado da casa do C-----tinho, com os chinelos de trapo que a mãe nos obrigava a calçar quando deixávamos os sapatos à porta, que até quis que ele me devolvesse o controverso tabefe. Tudo se resolveu em bem. As desculpas foram aceites e eu e o C-----tinho continuámos por muitos anos, mesmo até quando a idade dizia que já não o deveríamos fazer, a patinar no corredor, no espaço entre a passadeira e a parede, eu de um lado e ele do outro, levando à frente o bengaleiro e poupando o esforço à empregada doméstica de puxar o lustro ao chão.

Permito-me acrescentar que a mãe do C-----tinho me adorava, vendo em mim a filha que não tivera e eu retribuía essa estima. Recordo-a muitas vezes, tal como a todas as amigas de minha mãe, que nunca me regatearam afeto (há gostos para tudo...) e confesso que chego a gargalhar com a memória das coisas desses tempos em que fui tão feliz e nem sabia.

Voltando ao meu nome…

Eu já sabia, mas a Net confirmou que havia mais mulheres com  o nome de Isabel Soares. Descobri-o quando um dia recebo um email da Z---- queixando-se que estava com graves problemas com o patrão. E eu não percebia nada daquele desabafo apelando à lei, em que Z---- se dizia com problemas. Mas qual patrão? Eu conhecia muito bem a Z----. Ela era funcionária pública… depois abri os anexos e percebi. A Z----era outra e a Isabel Soares também. Apressei-me a devolver o email, pedindo desculpa por ter aberto os anexos e explicando que eu era outra e não aquela que se pretendia, sugerindo à tal Z---- que verificasse o endereço eletrónico com cuidado. De então para cá, nem queiram saber a correspondência que fui recebendo destinada a essa Isabel Soares, advogada lá por terras do norte do país.

Mais tarde apareceram uns mails diferentes, eram destinados a uma professora, também do Norte (para aquelas bandas deve haver muita mulher chamada Isabel Soares). Descobri isso ao abrir o anexo do primeiro email desta nova série. Deparei-me com uma planificação e… não resisti. Explicando que era especializada em Supervisão Educativa, pedi desculpa e confessando esperar ser útil, emendei o documento. Depois, tomei a mesma atitude, devolvê-lo e aos seguintes, à pessoa que os remetia explicando sempre que havia mais Marias na terra.

Pois hoje voltou a acontecer. Um senhor, AA de seu nome, enviou-me um mail, com duas fotos que diz serem suas e uma melodia “para me deliciar”, “não com as fotos” acrescentou, mas com a melodia, referindo a nossa amizade recente. Como não conheço ninguém chamado AA, embora o nome até seja bonito e o senhor apessoado, lá me vi na obrigação de explicar ao sr. AA que eu não seria a tal a quem pretendia deliciar, embora me tivesse abusivamente deleitado com a melodia à outra destinada.

“Isabel Soares?” – até aquele senhor se admirou (mais tarde seria Presidente da República). “Sim, contudo, o meu pai não se chama Mário, mas Luís”. “Pois não! Quando chegar a Lisboa vou contar a minha filha que encontrei, em Leiria, uma Isabel Soares como ela.”

Chamar-me Pancrácia ou qualquer outra coisa fora do comum não me obrigaria a devolver mail atrás de mail, mas ter-me-ia privado da oportunidade de conhecer o sr. Januário eletricista que tem um cão, grande, e é casado com uma linda jovem (mandou-me a foto de família não fosse eu pensar que estaria a ser vítima de uma abordagem duvidosa), nem tinha a melodia do sr. AA para me deleitar enquanto estou aqui, fechadinha em casa, à espera que a Sra. D. “Ana” Tempestade (suaviza o efeito darem nomes às tormentas) vá pregar para outra freguesia.  



terça-feira, 10 de outubro de 2017

TEMPERO


Hoje, almocei na Tasca da Gracinda. Fui despedir-me das sardinhas assadas, que a época em que sabem bem está quase ida. Sábado passado fora o dia escolhido pelos amigos para o efeito, só que nesse dia eu não pude comparecer. Tive outro almoço em que se celebrava a amizade de dois anos de curso, vividos entre estudo e falta dele, aflições e brincadeiras, na Escola do Magistério Primário de Leiria, já lá vão quarenta e sete anos… Não tive coragem de pedir aos amigos que adiassem as sardinhas para outro sábado. Sim, só há sardinhas ao sábado ou à terça, nos dias de mercado.
Cheguei cedo. Antes telefonara a confirmar o menu do almoço. Sentei-me sossegada num dos cantos e esperei pacientemente pelas sardinhas a que uma sopa de feijão com nabiças roubaria metade da vontade de saborear.

Ele chegou e cumprimentou os amigos, que lhe ofereceram lugar na mesa que ocupavam do outro lado da sala. Embora o espaço seja exíguo, só reparei porque aquele homem, muitos anos de leis e barra de tribunal (imaginei eu) chegara num gesto tão largo e tão sonoro que seria impossível passar despercebido. Não aceitou partilhar aquela mesa “não vale a pena ficarmos todos mal sentados” – ouvi, já desligada da cena que não chegara a interessar-me, mergulhada de novo nas sardinhas…

“Posso ocupar este lugar na sua mesa?” O cavalheiro acabara de me cair no prato… “Com certeza! Queira sentar-se” – retorqui. “As sardinhas estão boas?” “Ofereço-lhe a que está na travessa, para que possa avaliar” - que não, que viriam outras para si… “Como explicar a este homem que estou a brincar aos caranguejos?” – perguntei aos imaginados botões da camisa que não vestia. Em pequena escondia-me no quarto escuro, com a cabeça de fora, sonhando as formas das coisas que lá se arrumavam, depois habituei-me a mergulhar em mim, olhando a vida e ouvindo-a, não como ela é, mas como gostaria que fosse. (Agora que estou cronicando, reparo que fui uma criança estranha de que resultou uma adulta meio esquisita…)

Não sei como, ouvi-nos a falar do bacalhau de que a sua amiga finlandesa não gostava “e eu com isso?” (“frase idiomática” com que no vocabulário familiar dizemos que o assunto não interessa) - pensei, não disse… e lá fui respondendo e sorrindo à conversa de ocasião. A minha mãe, se visse, orgulhar-se-ia… Tão educadinha e simpática, que a sua filha estava a ser…
Afinal não havia mais sardinhas. “Fez mal por não ter saboreado a que lhe ofereci! A sardinha havia voltado para trás na travessa.
O senhor escolheu outro prato e eu, que acabara de almoçar, saí depois de lhe desejar uma excelente tarde.

A caminho do carro arrumado morro de São Gabriel acima, confirmei-me mergulhada noutra etapa da existência. Passara tantos anos entre angústias e medos de errar, vencendo desafios constantes muitas vezes a fazer o que não sabia naquela filosofia do que “se não sei aprendo”, que agora só o que me traz paz me dá felicidade. Homens como aquele nunca seriam bom tempero para as minhas sardinhas.


sábado, 26 de agosto de 2017

ALLEZ VITE





Agosto é um mês de sonoridades. As pessoas riem facilmente e falam alto, mais alto do que costumam, sem pensarem que pode haver quem não esteja interessado em ouvir. A alegria e o encantamento aliados ao desejo de que as férias não acabem geram a confusão.

É também o mês em que as conversas se vestem de linguagens-outras com forte predominância do francês. Os nossos emigrantes, depois de um ano mal dormido entre as labutas várias e hercúleas do quotidiano, saboreiam sofregamente o sol e o mar e falam “estrangeiro”. À exceção dos próprios, todos acharão um ridículo exibicionismo, mas não deixa de ser um fenómeno interessante. Que indicadores não nos daria um questionário bem elaborado acerca do conforto, da maneira de estar, do que é ser português no mundo, ou da nossa cultura?!

Certo sábado ou domingo de um qualquer verão, enfiei-me no carro e fui tomar café à praia da Vieira. A sorte brindou-me rapidamente com um lugar para estacionar. Saí do carro e deparei-me com um grupo de pessoas que, no passeio em frente, admiravam os esforços de uma criança, quatro anos talvez, às voltas com uma bicicleta. Alguém, possivelmente a mãe, incentivava:

- Allez! Vite, vite… Allez!

E o rapazinho, pois de um rapazinho se tratava, sem conseguir equilibrar-se não cumpria a ordem. Não havendo “allez” não se vislumbrava o “vite”.

A criatura insistia:
- Allez! Allez! Vite… vite…
E o rapaz, nada…

Então, em desespero de causa, a hipotética mãe, esticando o braço em frente, numa ordem irrefutável, exclama:

- Ó vacão, põe os pés nos pedais!

Ah! De então para cá, os meus meses de agosto nunca mais foram os mesmos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ZA BELARTE: ROSAS DE CAIXAS DE OVOS

Tal como prometi, hoje vou ensinar-vos a fazer rosas com caixas de ovos, tal como a minha amiga Rosário Selada me ensinou.

1. Material necessário:

Caixa de ovos - dá para duas rosas;
Pistola de cola quente;
Lápis;
Pau de espetadas;
Tintas acrílicas ou guaches a gosto;
Pincel.



2. Separam-se as duas partes da caixa de ovos.
Arrancam-se os bicos centrais e reservam-se.



3. Separam-se os seis recipientes dos ovos.



4. Limpam-se das partes de cartão mais duras.



5. Rasgam-se como se vê na foto, para fazer as pétalas.



6. Enrolam-se as pétalas, uma a uma num lápis para dar forma.




7. Pega-se na pistola que se tinha ligado previamente e põe-se cola no meio. Cuidado para não se queimarem. Atenção que a pistola "baba-se". Não sei se acontece com todas, mas com a minha que é de fraca qualidade é um facto a ter em conta. Por isso na foto n.º 1 pode ver-se um pedaço de cartão por baixo, protegendo a pedra da bancada.



8. Depois da cola, coloca se outra parte por cima, com as folhas desencontradas e aperta-se bem, para colar. Repete-se a operação, Pois cada rosa leva três peças.



9. Aqui temos as rosas quase feitas. Cada uma já tem coladas 3 dos recipientes que formam a caixa de ovos, como referi antes.



10. Lembram-se dos bicos que se reservaram no início? Pois eles aqui estão e servem para terminar as rosas.



11. Rasga-se um pouco os quatro lados, como se vê na foto. Um já está encaracolado com o lápis, o outro, na minha mão está simplesmente rasgado.



12.  Eis como se podem colar: ou fazendo uma rosa ainda com botão.


13. Ou fazendo uma rosa já com todas as pétalas abertas.



14. Mas ainda há outra maneira de concluir as rosas.
Pega-se na tampa da caixa, que também se havia reservado.



15. Rasga-se ao longa da tampa uma tira da frente.



16. Limpa-se das partes mais duras.



17. Ficará mais ou menos assim.



18. Enrola-se no pau das espetadas para lhe dar forma.



19. E cola-se no centro da rosa.



20. Para finalizar pintam-se as rosa ao nosso gosto e por fim dão-se uma pinceladas de dourado.
Aqui temos uma rosa amarela, que envelheci com umas pinceladas de castanho e a que não deixei de dar uns toques de dourado. É uma rosa aberta que enfeitei com uns estames também dourados.



Esta é vermelha e terminei-a com a tira da tampa enrolada. Levou também uns toques de dourado.


Esta rosa termina em botão 





COMO FAZER AS FOLHAS DAS ROSAS


A minha amiga ensinou-me a fazer as rosas e eu arranjei forma de fazer as folhas...

1. Material necessário:

Palete de ovos (o que se vê na foto é o que resta de uma que me ofereceram);
Arame;
Alicate de cortar arame;
Pistola de cola a quente;
Tinta acrílica ou guache para pintar;
Pincel;
Papel próprio para cobrir as hastes das flores.



1. Separam-se os recipientes que formam a palete dos ovos e recortam-se, à mão  seis folhas (tal como se fez com as rosas). 


2. Cortam-se três pedaços de arame e colam-se como se vê na foto.

   


3. Enrolam-se os arames para formar a folha da rosa.



4. Depois pinta-se e dá-se um toque de dourado. Feito isso, que não é o caso do exemplo, enrola-se o tal papel próprio para cobrir as hastes das flores. É um papel que não necessita de qualquer cola e se enrola ao viés.



5. Aqui pode ver-se como fica o arame coberto.



6. Se se pretender fazer o pé da rosa pode usar-se um arame um pouco mais grosso, colocando-o primeiro na rosa e enrolando depois o papel próprio para cobrir, juntando a folha. Não é preciso cola nem qualquer produto. O dito papel segura a folha perfeitamente.
Na foto que se segue exemplifico com um pau de espetada, porque não tinha arame mais grosso do que o que usei nas folhas e também porque foi o material que utilizei num arranjo de flores que fiz há uns dias.



7. Na foto seguinte pode ver-se em pormenor a folha de uma das rosas do arranjo.



8. E aqui está o produto final, a que acrescentei uma flores de arame.
Metam mãos à obra e divirtam-se.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

UM DIA

É o mar
Este mar
mar de vagas
pequeninas
sussurrantes
Um mar-berço
de ternura
de afagos
O mar
que espelha o brilho
emprestado de teus olhos
Mar-redondo
onde me adentro
e te sonho
no embalo do abraço


Verde-Infanta
deito os olhos ao mar
a este mesmo-outro

Mar-tenebroso
vagas alterosas
perigo e abismo
Dúvida e desconhecido
em salpicos de espuma

Mar e céu
azuis
que a lonjura dilui

E eu
insignificante
pincelada de verde, sonho

Um dia
Um dia
serei azul

S. Martinho do Porto, 1 de Janeiro de
2015

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

SEMPRAUDAZ - ASSOCIAÇÃO CULTURAL


Sonhei com lúcidos delírios
À luz de um puro amanhecer
Numa planície onde crescem lírios
E há regatos cantantes a correr.
Sophia de Mello Breyner Andresen

Uma mulher comprometida com o conhecimento sonhou. Sonhou transmitir o saber para além dos anos para os quais a sua profissão de professora de Filosofia lhe permitira fazê-lo, no ensino público. Incapaz de permitir que a vida se esvaísse no corredor da esperança, Helena Moreira Duarte Carvalhão, figura incontornável da história de Leiria, na segunda metade do século XX, soube imprimir movimento ao sonho e, após a aposentação, fundou no início de 1999 a primeira Academia Sénior da cidade de Leiria. Nascendo assim, da sua vontade férrea e do voluntariado de várias professoras e professores amigos a Academia de Cultura e Cooperação, com o apoio da Câmara de Leiria e da Misericórdia de Leiria, entidade que cedeu as instalações onde, durante treze anos, funcionaram as diferentes atividades que, entre vários objetivos, tinham o fim de arrebatar ao isolamento, mantendo ativas e fazendo sentir-se úteis pessoas com idade superior a cinquenta anos. 

Com a promessa de uma sede própria formou-se posteriormente uma nova associação. Em 13 de Outubro de 2012, a Câmara Municipal de Leiria, através do Presidente Dr. Raul Castro, assinou com a Dra. Helena o protocolo de cooperação e atribuiu como sede própria o Edifício - Praça Eça de Queiroz à instituição recém-criada: Sempraudaz - Associação Cultural, da qual a Dra. Helena Carvalhão é a Presidente.


Dois anos são passados. A festa aconteceu segunda-feira. Do programa constou a conferência sobre Sophia de Mello Breyner Andresen, proferida pela Professora Teresa Vieira, a declamação de poemas pelo grupo de teatro e a partilha do bolo de aniversário, entre os convidados e associados.

Para a Sra. D. Helena, a quem admiro o extraordinário dom de antecipar o futuro e que por motivos de saúde não pode estar presente, deixo, com os sinceros votos de rápidas melhoras, as palavras de Sophia:

Feliz aquela que efabulou o romance
Depois de o ter vivido
A que lavrou a terra e construiu a casa
Mas fiel ao canto estridente das sereias
Amou a errância o caçador e a caçada
E sob o fulgor da noite constelada
À beira da tenda partilhou o vinho e a vida.
Isabel Soares
Jornal de Leiria, 16 de Outubro de 2014, modestamente na página 18.