segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ZA BELARTE: ROSAS DE CAIXAS DE OVOS

Tal como prometi, hoje vou ensinar-vos a fazer rosas com caixas de ovos, tal como a minha amiga Rosário Selada me ensinou.

1. Material necessário:

Caixa de ovos - dá para duas rosas;
Pistola de cola quente;
Lápis;
Pau de espetadas;
Tintas acrílicas ou guaches a gosto;
Pincel.



2. Separam-se as duas partes da caixa de ovos.
Arrancam-se os bicos centrais e reservam-se.



3. Separam-se os seis recipientes dos ovos.



4. Limpam-se das partes de cartão mais duras.



5. Rasgam-se como se vê na foto, para fazer as pétalas.



6. Enrolam-se as pétalas, uma a uma num lápis para dar forma.




7. Pega-se na pistola que se tinha ligado previamente e põe-se cola no meio. Cuidado para não se queimarem. Atenção que a pistola "baba-se". Não sei se acontece com todas, mas com a minha que é de fraca qualidade é um facto a ter em conta. Por isso na foto n.º 1 pode ver-se um pedaço de cartão por baixo, protegendo a pedra da bancada.



8. Depois da cola, coloca se outra parte por cima, com as folhas desencontradas e aperta-se bem, para colar. Repete-se a operação, Pois cada rosa leva três peças.



9. Aqui temos as rosas quase feitas. Cada uma já tem coladas 3 dos recipientes que formam a caixa de ovos, como referi antes.



10. Lembram-se dos bicos que se reservaram no início? Pois eles aqui estão e servem para terminar as rosas.



11. Rasga-se um pouco os quatro lados, como se vê na foto. Um já está encaracolado com o lápis, o outro, na minha mão está simplesmente rasgado.



12.  Eis como se podem colar: ou fazendo uma rosa ainda com botão.


13. Ou fazendo uma rosa já com todas as pétalas abertas.



14. Mas ainda há outra maneira de concluir as rosas.
Pega-se na tampa da caixa, que também se havia reservado.



15. Rasga-se ao longa da tampa uma tira da frente.



16. Limpa-se das partes mais duras.



17. Ficará mais ou menos assim.



18. Enrola-se no pau das espetadas para lhe dar forma.



19. E cola-se no centro da rosa.



20. Para finalizar pintam-se as rosa ao nosso gosto e por fim dão-se uma pinceladas de dourado.
Aqui temos uma rosa amarela, que envelheci com umas pinceladas de castanho e a que não deixei de dar uns toques de dourado. É uma rosa aberta que enfeitei com uns estames também dourados.



Esta é vermelha e terminei-a com a tira da tampa enrolada. Levou também uns toques de dourado.


Esta rosa termina em botão 





COMO FAZER AS FOLHAS DAS ROSAS


A minha amiga ensinou-me a fazer as rosas e eu arranjei forma de fazer as folhas...

1. Material necessário:

Palete de ovos (o que se vê na foto é o que resta de uma que me ofereceram);
Arame;
Alicate de cortar arame;
Pistola de cola a quente;
Tinta acrílica ou guache para pintar;
Pincel;
Papel próprio para cobrir as hastes das flores.



1. Separam-se os recipientes que formam a palete dos ovos e recortam-se, à mão  seis folhas (tal como se fez com as rosas). 


2. Cortam-se três pedaços de arame e colam-se como se vê na foto.

   


3. Enrolam-se os arames para formar a folha da rosa.



4. Depois pinta-se e dá-se um toque de dourado. Feito isso, que não é o caso do exemplo, enrola-se o tal papel próprio para cobrir as hastes das flores. É um papel que não necessita de qualquer cola e se enrola ao viés.



5. Aqui pode ver-se como fica o arame coberto.



6. Se se pretender fazer o pé da rosa pode usar-se um arame um pouco mais grosso, colocando-o primeiro na rosa e enrolando depois o papel próprio para cobrir, juntando a folha. Não é preciso cola nem qualquer produto. O dito papel segura a folha perfeitamente.
Na foto que se segue exemplifico com um pau de espetada, porque não tinha arame mais grosso do que o que usei nas folhas e também porque foi o material que utilizei num arranjo de flores que fiz há uns dias.



7. Na foto seguinte pode ver-se em pormenor a folha de uma das rosas do arranjo.



8. E aqui está o produto final, a que acrescentei uma flores de arame.
Metam mãos à obra e divirtam-se.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

UM DIA

É o mar
Este mar
mar de vagas
pequeninas
sussurrantes
Um mar-berço
de ternura
de afagos
O mar
que espelha o brilho
emprestado de teus olhos
Mar-redondo
onde me adentro
e te sonho
no embalo do abraço


Verde-Infanta
deito os olhos ao mar
a este mesmo-outro

Mar-tenebroso
vagas alterosas
perigo e abismo
Dúvida e desconhecido
em salpicos de espuma

Mar e céu
azuis
que a lonjura dilui

E eu
insignificante
pincelada de verde, sonho

Um dia
Um dia
serei azul

S. Martinho do Porto, 1 de Janeiro de
2015

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

SEMPRAUDAZ - ASSOCIAÇÃO CULTURAL


Sonhei com lúcidos delírios
À luz de um puro amanhecer
Numa planície onde crescem lírios
E há regatos cantantes a correr.
Sophia de Mello Breyner Andresen

Uma mulher comprometida com o conhecimento sonhou. Sonhou transmitir o saber para além dos anos para os quais a sua profissão de professora de Filosofia lhe permitira fazê-lo, no ensino público. Incapaz de permitir que a vida se esvaísse no corredor da esperança, Helena Moreira Duarte Carvalhão, figura incontornável da história de Leiria, na segunda metade do século XX, soube imprimir movimento ao sonho e, após a aposentação, fundou no início de 1999 a primeira Academia Sénior da cidade de Leiria. Nascendo assim, da sua vontade férrea e do voluntariado de várias professoras e professores amigos a Academia de Cultura e Cooperação, com o apoio da Câmara de Leiria e da Misericórdia de Leiria, entidade que cedeu as instalações onde, durante treze anos, funcionaram as diferentes atividades que, entre vários objetivos, tinham o fim de arrebatar ao isolamento, mantendo ativas e fazendo sentir-se úteis pessoas com idade superior a cinquenta anos. 

Com a promessa de uma sede própria formou-se posteriormente uma nova associação. Em 13 de Outubro de 2012, a Câmara Municipal de Leiria, através do Presidente Dr. Raul Castro, assinou com a Dra. Helena o protocolo de cooperação e atribuiu como sede própria o Edifício - Praça Eça de Queiroz à instituição recém-criada: Sempraudaz - Associação Cultural, da qual a Dra. Helena Carvalhão é a Presidente.


Dois anos são passados. A festa aconteceu segunda-feira. Do programa constou a conferência sobre Sophia de Mello Breyner Andresen, proferida pela Professora Teresa Vieira, a declamação de poemas pelo grupo de teatro e a partilha do bolo de aniversário, entre os convidados e associados.

Para a Sra. D. Helena, a quem admiro o extraordinário dom de antecipar o futuro e que por motivos de saúde não pode estar presente, deixo, com os sinceros votos de rápidas melhoras, as palavras de Sophia:

Feliz aquela que efabulou o romance
Depois de o ter vivido
A que lavrou a terra e construiu a casa
Mas fiel ao canto estridente das sereias
Amou a errância o caçador e a caçada
E sob o fulgor da noite constelada
À beira da tenda partilhou o vinho e a vida.
Isabel Soares
Jornal de Leiria, 16 de Outubro de 2014, modestamente na página 18.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

DÚVIDAS

Numa qualquer sexta-feira, fui ao médico.

“Não estou doente.” – disse ao clínico, um jovem pela idade da minha filha mais velha ou talvez nem tanto.  Ele levantou os olhos do PC. Agora os médicos interagem mais com os computadores do que com os doentes. E eu, para que não me tomasse por arrogante, ou presumida, ou como me quisesse chamar, emendei: “Bom! Penso que não estou doente. Isso terá de ser o doutor a avaliar, pois recai no âmbito das suas competências. O médico voltou a interessar-se pelo PC.

“Venho por uma questão que se prende com a qualidade de vida” – continuei – “nem tão pouco sei se poderei encontrar o que pretendo numa caixa de comprimidos.” O médico escrevia e eu desfiava o rosário das minhas ideias, pretensões, dúvidas, ou lá o que se queira chamar ao discurso que ininterruptamente proferia.

Quando me calei, o doutor desviou o nariz do PC, olhou-me, e num tom surpreendido sentenciou: “É uma senhora castiça, característica a que sabe muito bem aliar a inteligência.”

Eu sorri à leitura subjetiva que fiz do que acabava de ouvir, que não vem ao caso e lá vim com uma receita de pílulas que continuo na dúvida se devo ou não adquirir. No fim paguei setenta e cinco euros de consulta.

Conclusão: Castiça poderei ser, quanto à inteligência… tenho sérias duvidas. Pregar aos peixes ter-me-ia saído muito mais barato.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

A CARTA DE CONDUÇÃO


“Por que não tiras a carta de condução?” Não havia quem não perguntasse. E alguns até acrescentavam: “Uma rapariga tão despachada como tu…” Ela ria-se. “Ora, gosto mais de acelerar nos sofás da sala.” - e dava a conversa por terminada. Só que a questão voltava a ser-lhe posta. Ninguém entendia as suas razões que, verdade seja dita, ela também não revelava. Era um “porque não” implícito, que ninguém aceitava: “Hoje a carta é uma necessidade e não um luxo” – havia quem sentenciasse. E ela sorria. O sorriso substituía o esclarecimento que negava.

Ela tinha um segredo. Ora todos sabemos o que é um segredo. Só não sabemos, como ninguém sabia, qual era o seu segredo. Nem sequer havia quem suspeitasse que existia um segredo. Tão alegre, tão faladora, tão espontânea! Segredos?! Nem pensar. Pois havia mesmo um segredo! E se era segredo, como o poderia revelar? Era por não poder responder que sorria. Sorria e calava a razão pela qual nunca pensara aprender a conduzir um automóvel. Aquele motivo, segredo inconfessado até à mãe, era uma limitação que ela aceitou, como aceita tudo o que a vida lhe proporciona e não sabe ou não pode alterar. Era a sua circunstância e tratou de ser feliz com ela.

Como o tempo não para, a vida foi acontecendo.

Desde pequena que usava óculos, melhor dizendo, deveria usar. Se os cuidados da mãe se aligeirassem, esquecia-se de os colocar. Já em adulta, brincava: “Sem óculos vejo o ordenado inteiro, se os coloco fico com metade”. Ela sofria de hipermetropia e achava que via muito melhor sem óculos do que com eles, o que até era verdade. Possuía uma extraordinária visão de longe e de perto, só após muito esforço é que os olhos lacrimejavam. Para quê os óculos?!

O oftalmologista insistia: “Use os óculos. Ao longe, com eles colocados, vê tanto como uma pessoa com visão normal” “mas vejo menos” - respondeu naquele dia. O oftalmologista, com ar fechado, encarou-a e sentenciou “mas tem problemas por não usar os óculos.” Ela olhava-o desafiadora e o médico continuou “nunca lhe aconteceu, à noite, quando viaja de carro, não saber para que lado é a curva da estrada?” Ela quase pulou da cadeira “o seu segredo!” Num misto de espanto e alívio, confessou ao oftalmologista que sentia essa limitação. “Por isso nunca pensei aprender a conduzir um automóvel.” “Pois então use os óculos, vai notar a diferença.”

Passaram muitos anos após esta consulta de “adivinho”. Garante quem sabe que ela tirou a carta de condução com o número mínimo de lições de código e de condução exigido por lei, que, até hoje, não sofreu qualquer acidente rodoviário e aprendeu que, na vida, até o irremediável deve ser questionado.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

INQUIETAÇÃO


O cenário era o da mata dos Marrazes da sua infância. Aquele dos tempos dos piqueniques organizados pelo Atlético Clube da Sismaria, pelo dez de Junho. Não sabe a que propósito acontecia a festa, mas todos estavam animados. Vestia a sua idade atual e estava contente, como todos os que a rodeavam e eram muitos. Não sabe quem estaria responsável pelo bar: se o Sr. Chico, se o Silva Gante, se outro membro da direção do ACS daquela época.

Quis pagar, nem sabe que despesa. Meteu a mão na carteira, sem olhar. Como ao tato faltou o porta-moedas, prestou atenção: “Fui roubada.” - concluiu num misto de indignação e insegurança. “Pagar a conta! Como? – Preciso de dinheiro.” Não podia ir ao Multibanco – os cartões de débito haviam desaparecido com o porta-moedas. “A casa! Tenho de ir a casa!” Apressadamente procurou as chaves, mas nem a do carro, nem a da porta. Também a bolsa onde as guardava tinha sumido… Restava a Carma, a empregada que tem uma chave para entrar quando não está para lhe abrir a porta. Mas ela não sabia onde morava a Carma. Na paisagem onde tudo acontecia, o bairro onde reside a empregada, cem metros de ladeira a descer para o Sampão, não existia. 

“Como é que faço? Como é que faço?” Até os documentos de identificação haviam desaparecido...

"Ninguém me conhece. Como é que faço? Como é que faço?


“Não fazes de maneira nenhuma. Não precisas de fazer!”- ouviu-se a exclamar. Ido o pesadelo, com o sono por dormir, acabara de acordar.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

AMIGAS

A tia entrou e alongou-se pela sala, ocupando um lugar do lado direito. Ela encontrava-se já do lado esquerdo. Não se conheciam pessoalmente, mas sabiam da existência uma da outra.
Terminadas as exéquias, ela atravessou a sala. A tia era a única pessoa da família a quem ainda não apresentara condolências.

- Perdão.  – disse a senhora – Não estou a reconhecê-la.
- Chamo-me…
- Ah! Sei bem quem é… - (E os olhares acariciaram-se mutuamente.)
- Queria dizer-lhe…
- Sei que é uma pessoa alegre. Muito obrigada pelos momentos de alegria que proporcionou ao meu sobrinho.

Ela ficou sem jeito. Sorriu. Sorriu balbuciando:
- Gostei de a conhecer. Que pena ter sido nestas circunstâncias!
Depois, encaminhou-se para a porta e saiu atrás dos outros.

Ao sentimento de perda pela morte do amigo, aliava a falta daquela amizade que só não fora porque ela se esquivara a conhecer a família.
- Temos muito tempo. – dissera tanta vez.
Afinal o tempo fora escasso. Mas uma dor bastava, estrangulou aquele acréscimo de tristeza: “sabes lá se seriam amigas…”

Quanto tempo passou? Que importa?!

Há dias, aproveitando uma tarde amena, ela sentara-se na esplanada do café habitual e vagava pelas páginas de um livro. Alguém vindo por detrás enfiou-lhe os dedos nos cabelos acariciando-lhe o alto da cabeça. Nem se mexeu. Saboreou a carícia…

- Olá! – e a tia sorria – Há quanto tempo não nos vemos?!
Levantou-se e cumprimentou a senhora.

Seriam amigas, sim!