sábado, 29 de outubro de 2011

ALEGRIA

Sobrevivi a uma semana intensa!!!!!!!!!!!!


Logo, para compensar, vestirei algo "que vá com o meu tom de pele" e jantarei num sítio requintado.

É fim-de-semana! VIVA!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

SOLIDÃO

Em Setembro, acabadas as vindimas, passávamos uma semana em Amadora, na casa de meu padrinho Manuel, irmão mais velho de meu pai. Para além de brincar com a Suzete, sobrinha de minha tia Elisa, a madrinha era a minha prima Milú, dez anos mais velha que eu, o tempo era gasto em largos passeios por Lisboa.

À época, impressionava-me o Rossio às seis horas da tarde. Uma mole humana saía da estação da CP e, compacta, caminhava, em direcção aos Restauradores…

Lembro-me de ficar estática a olhar a multidão, com vontade de mergulhar esbracejando, naquele mar de gente de cara fechada e de o meu pai, voltar atrás e pegar-me na mão, guiando os meus passos, para que não me perdesse.

Hoje, tantos anos vividos, com a Estrela Polar por companhia, se me pedissem para representar graficamente a solidão, era esse o quadro que pintava.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

SONHO

Chovia. E a chuva caía, compondo no telhado a melodia...





Num prado salpicado de amarelo (seriam tulipas?), eu dançava com o CAVALO VERDE.



- Mamã... mamã... mamã...

No andar de baixo, o Salvador acordou assustado com o temporal.



E eu?

Continuei a dançar à chuva, mas mudei a encenação para o ver sorrir.








quarta-feira, 26 de outubro de 2011

MANHÃ DE QUARTA-FEIRA

A chuva veio de mansinho.
Acordei cedo e permaneci deitada saboreando a melodia suave tocada na persiana do meu quarto.
Adivinhava um dia em tons de cinza, numa paisagem lavada de poeiras e folhas idas na dança do vento.
É Outono. Sabe-me bem esta cadência das estações. Outono já tardava...

E, na quietude da manhã, deixei-me apenas existir. Não havia passado, nem presente, nem futuro. Permanecia... apenas ouvidos e melodia.





Como soará a melodia dos violinos no telhado?

terça-feira, 25 de outubro de 2011

SOL E CHUVA

Você diz que ama a chuva,

mas você abre seu guarda-chuva quando chove.


Você diz que ama o sol,

mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha.


Você diz que ama o vento,

mas você fecha as janelas quando o vento sopra.


É por isso que eu tenho medo.

Você também diz que me ama


William Shakespeare (retirado da NET)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

QUEREM UMA LUZ MELHOR QUE A DO SOL!

AH! QUEREM uma luz melhor que
a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo!
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores
que estas flores -
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

domingo, 23 de outubro de 2011

O DIA DEU EM CHUVOSO

O dia deu em chuvoso.
A
manhã, contudo, esteve bastante azul.

O dia deu em chuvoso.
Desde
manhã eu estava um pouco triste.


Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.

Bem
sei, a penumbra da chuva é elegante.

Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.

Hoje
quero só sossego.

Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.

Carinhos
? Afetos? São memórias...

É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.

Boca
bonita da filha do caseiro,

Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...

O dia deu em chuvoso.


Fernando Pessoa,Poemas de Álvaro de Campos
________________________
Poema enviado pela amiga Amélia Pais
http://barcosflores.blogspot.com

sábado, 22 de outubro de 2011

QUE LINDA MANHÃ!


"Como uma flor que dobra na brisa, balança comigo... dança comigo..."

Quem resiste a um pedido destes?
Também "posso ouvir os sons do violino" quando me abraçam com a ternura do oceano.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

MEDITANDO

Segunda-feira, sete horas da manhã, saltei da cama.

Na verdade a forma verbal “saltei” é demasiado ágil tendo em conta a acção realizada. A agilidade corresponde à rapidez com que pelo pensamento passaram as tarefas a realizar antes de partir para Lisboa.

Os ossos reclamavam mais cama e apetecia-me rabujar, sem ter com quem, mas deixara tudo para “amanhã” e a solução era mexer-me.

A invariável torradinha do pequeno-almoço, acompanhada com o copo de leite morno é que não poderia deixar de ser saboreada, na paz do Senhor, sentada calmamente, a pensar na morte da bezerra, que não há meio de morrer para, confirmado o facto, me enfiar debaixo do chuveiro e acabar de acordar.

Despachei-me e pus-me a caminho de Lisboa, não muito cedo, para quem tem horários para cumprir e nunca sabe qual o fluxo de trânsito que vai enfrentar na segunda circular.

O troco da IC2 está um descalabro. Ultrapassei todas as viaturas pela direita e quando a via estreita, por conta das obras, e fica reduzida à faixa da esquerda, abri a janela, pus a mão de fora e disse “adeus” ao camionista que me deixou entrar no desfile que seguia a passo. Há sempre uma alma caridosa, incapaz de resistir a um gesto simpático.

O nevoeiro matinal com que me deparei logo que entrei na A8, remeteu-me inconscientemente para a minha colega CC “Senhor Presidente, seria bom que mandasse colocar uma lâmpada no pátio da escola. Ao fim da tarde não se vê a ponta dum… a ponta dum… a ponta de nada!” Pois ali ia eu, vendo “a ponta dum… a ponta de nada”, cheia de pressa, a pisar a cento e cem. E naquele meio limbo de quem está à porta do céu a prestar contas sem vislumbrar mais que a ponta do nariz, dei comigo a pensar como seria bom ter alguém que pegasse em mim e me levasse sem que eu soubesse para onde, de preferência para um sítio sossegado, no alto de um monte, paisagem larga e sem ruído, me desse a mão para adormecer e permanecesse em todos os lados da noite para que me mimar.

“Em que esquina da vida, estarás detido, cavalo verde dos meus sonhos loucos?” “Um dia morrerei tão só como tenho vivido”.

A voz da filha mais velha ecoou-me no pensamento “lastimo que a tua vida esteja nesta confusão por minha causa, mas acho que nunca foi de outra maneira e tu até gostas.”

E sem querer, porque detesto fazê-lo, olhei para trás no tempo e vi-me, do momento em que me encontro, esquecida das agruras, fortalecida pelas dificuldades resolvidas, a passar como no cinema, alguns episódios que vivi: os fins-de-semana a cozinhar para haver refeições variadas para as filhas, ao longo dos dias; as discussões por causa dos livros em co-autoria que se publicaram; as longas horas a preparar aulas; as folhas a voar, quando fazia os trabalhos para a especialização, já depois das filhas deitadas e altas horas na madrugada a apanhar as folhas do chão e juntar tudo “há-de aproveitar-se alguma coisa” e dezassete na nota final – “como conseguiste?” “atirei a sabedoria ao ar, misturei e passei a limpo”. E os verões em S. Martinho “deverias ter chegado ontem” dizia o Tó Zé “imagina que deu à costa um italiano todo nu” “como souberam que era italiano?” “trazia um esparguete no c..” E a Z. a rir da minha ingenuidade.

E as filhas crescerem e a vida a andar para a frente.

“Quem terá comido as peras doces, que me couberam em sorte?” Não tive direito a peras doces, mas acabei a rir à gargalhada.

E por alturas de S. Martinho o telefonema da filha “não precisavas de vir tão cedo, não disse nada porque assim não farás o percurso a voar. Aproveita para poupar a gasolina”

Já não há respeito. Não se fazem mais filhas como antigamente. Se o Sol brilhasse teria ido para a praia.


À noite, adormeço de mão dada com o escuro e também sei que vou morrer sozinha, ou não fora a morte um acto solitário, mas garanto-vos: A minha vida tem valido a pena!

sábado, 15 de outubro de 2011

O TICO E O TECO

As minhas bonecas nunca tiveram nome. Foram simplesmente as minhas bonecas. Com a maior de que me lembro, comprada pelo meu pai, porque muitas outras tive antes e depois, usava a meias a linda touca cor-de-rosa que a madrinha Elisa me confeccionou em tricote. Finou-se a boneca, que pelo desenho do cabelo até seria um boneco, com o primeiro banho que lhe dei. Era em cartão, como grande parte das outras e do que aconteceu à touca nem tenho memória.

Só muitos anos mais tarde, já adulta e mãe, cuidando do afecto e do imaginário de duas criancinhas, senti necessidade de dar nome às coisas. O canário que celebrava a nossa entrada em casa, cantando enquanto subíamos as escadas do rés-do-chão até ao primeiro andar, chamava-se Chiquinho Pirilau. O relógio impiedoso que nos punha fora da cama todas as manhãs foi carinhosamente apelidado de Joquinha, era lindo, cor de laranja, com duas enormes campânulas. A Soneca e Tonico formaram o casal de piriquitos de quem estoicamente limpei o lixo anos a fio. Esqueci o nome dos peixes e de tudo o mais.

As crianças cresceram, mas o hábito mantém-se.

O GPS é o “Jaquinzinho”. Passeamos juntos muitas vezes, mas não são raras as alturas, lá pela capital, em que me diz que vire à direita e tenho de voltar à esquerda, no sítio indicado… Homens!

E até os dois únicos neurónios que possuo estão personalizados: o Tico e o Teco.




O Tico e o Teco são dois amigos inseparáveis. Moram porta com porta e não vivem um sem o outro.

Nasceram para pensar. As mãos, os ouvidos, o nariz, a boca e os olhos estão sempre a fazer perguntas, muitas, muitas perguntas e nem se apercebem que as fazem, porque o Tico e o Teco são muito, muito rápidos a responder.

As pessoas quando falam connosco também exigem respostas mesmo que não façam perguntas. O senhor passou e disse: “Bom dia” E o Tico e o Teco disseram à boca que a resposta seria “Bom dia” e não outra coisa qualquer.

É isto que é pensar. Encontrar as respostas para as perguntas que a vida nos está sempre a colocar mesmo quando se esquece do ponto de interrogação.

Ah! Mas não se pense que isto de encontrar respostas é assim tão fácil como parece. Às vezes, mesmo muitas vezes, custa mais entender as perguntas do que dar as respostas.

Pois o Tico e o Teco, quando se viam atrapalhados quer com as perguntas quer com as respostas, ordenavam imediatamente aos cantos da boca que se levantassem para que esta sorrisse, pois mal por mal chegaria eles andarem “às aranhas” sem saberem resolver a situação, não era preciso a cara… ficar com cara de pau.

E, entre um riso e outro, a cara convencia-se que estava contente e o Tico e o Teco arranjavam um tempinho extra para entender as perguntas, consultar as enciclopédias da cabeça, remendar o coração e dar respostas acertadas às questões.

Mas outro dia… Sabem o que aconteceu outro dia?

A vida ameaçou com um pinote, coisa pequena, de somenos, mas o Tico e o Teco estavam em dia não.

É que nem todos os dias são iguais. Há dias em que estamos de seda, muito frágeis, muito sensíveis, com o coração à flor da pele e mal se carrega dói logo. É tal e qual como quando se espeta o indicador numa nódoa negra: ”Dói-te aqui?” E dói que se farta!

O Tico e o Teco estavam num desses dias. O Tico encolheu-se muito dorido, ficou pequenino, pequenino, quase sumiu, só lhe apetecia chorar e o Teco só refilava, refilava “que não podia ser” “que estava farto” “não faltava mais nada”. Um perfeito desatino.

Assim o Tico e o Teco ficaram em curto-circuito, de tão amigos e certinhos, deram em desafinar. Cada um a puxar para seu lado, faziam lembrar aquela história dos burros teimosos presos num ponto equidistante de dois fardos de palha diametralmente opostos. Até que a dona da cabeça, farta de tanta confusão num copo de água, resolveu acabar com a barulheira: “mas afinal o que é isso comparado com o RAIO da terra?”

O Tico e o Teco quando ouviram a palavra raio pronunciada daquela maneira puseram-se logo em sentido com medo que estivesse prestes a ribombar um trovão.

“Quero juízo na cabeça!” – disse a dona da cabeça que já tinha os miolos a ferver.

O Tico e o Teco olharam um para o outro e sorriram. “É mais fácil sorrir do que andar zangado” disse o Teco “e até é mais bonito” disse o Tico.

A Isabel, que era a dona da cabeça, foi comer marmelada sem pão.

E acabou a confusão.

sábado, 8 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A SOLUÇÃO

Última Quinta-feira de Setembro. Lisboa. Precisava de estar em Leiria às vinte e uma horas e já passava das dezanove.

Afigurou-se-lhe que a melhor opção seria seguir pela IC17, onde a obrigatoriedade dos setenta quilómetros por hora, que passados os túneis todos os condutores esquecem, compensaria o pára-arranca da segunda circular. Quando ouviu as notícias do trânsito comprovou que fizera uma boa opção. O trânsito intenso do fim de tarde agravara-se com um acidente, na segunda circular.

Logo que pode começou a acelerar. Paragem obrigatória na área de serviço de Torres Vedras. “Vai visitar os amiguinhos” brincam as filhas, mas ela pára para comprar pastéis de feijão à mãe, que natural da zona, é destes bolos uma fervorosa apreciadora.

Segunda etapa, nova corrida.

E foi junto à saída para Pataias, ainda em plena A8, mas já relativamente próximo do destino, que se fez luz. A solução estava ali, rodava calmamente na faixa da direita: uma auto-caravana!

Vislumbrando uma nova vida, sobretudo mais calma, entrou no Salão da Filarmónica de Marrazes onde iria acontecer a sessão da Assembleia de Freguesia.

“Vou comprar uma auto-caravana” declarou a I.A. à laia de cumprimento “eu vendo-te a minha carrinha de nove lugares. Tiras os bancos e colocas um colchão”; “viatura velha só com condutor acoplado”; “isso não pode ser, preciso do meu Z. para me aquecer os pés”.

Então ela pensou: a solução é, sem dúvida, a auto-caravana. Também dará para percorrer, sem cansaço, os quilómetros de parvoíces com que, quando estão juntas, fazem várias vezes ao dia o perímetro da Terra.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

SER PROFESSOR...

Ser professor é ser artista,

malabarista,

pintor, escultor, doutor,

musicólogo, psicólogo...

É ser mãe, pai, irmã e avó,

é ser palhaço, estilhaço,

É ser ciência, paciência...

É ser informação,

É ser acção.

É ser bússola, é ser farol.

É ser luz, é ser sol.

Incompreendido?... Muito.

Defendido? Nunca.

O seu filho passou?...

Claro, é um génio.

Não passou?

O professor não ensinou.

Ser professor...

É um vício ou vocação?

É outra coisa...

É ter nas mãos o mundo de

AMANHÃ

AMANHÃ

Os alunos vão-se...

E ele, o mestre, de mãos vazias,

Fica com o coração partido.

Recebe novas turmas,

Novos seres ávidos de cultura

E ele, o professor,

Vai ensinando com toda a ternura,

O saber, a orientação

Nas cabeças novas que amanhã

Luzirão no firmamento da Pátria.

Fica a saudade, a amizade.

O pagamento real?

Só na eternidade.

*”Ser Professor” – transcrição na integra de reflexão de autor anónimo (professor da UNL) presente num restaurante , outrora escola primária na Vila de Carrasqueira.

5 de Outubro - DIA INTERNACIONAL DO PROFESSOR

A comemoração deste dia é uma iniciativa da UNESCO assumida desde 1994.

A escolha deste dia prende-se com a data em que foi publicado o Estatuto do Professor (1966),um documento que reconheceu os professores com um instrumento que define as suas responsabilidades e os seus direitos.