segunda-feira, 30 de maio de 2011

MAIS UMA VOLTA PELO JARDIM

Aproveitando todo o tempo que tive, andei investigando pelo jardim e fui descobrindo recantos maravilhosos, como este de que vos deixo testemunho.
Sentei-me por uns momentos, deliciando-me na sombra e enchendo os olhos de verde.
Este Acer tem uma folha muito original. Será destas belas folhas que o Olímpio está sempre a falar?
Os cactos estavam lindos. Que fabulosa flor cor de fogo!
E as piteiras cheiinhas de figos, fazendo-me lembrar as que havia nos terrenos arenosos junto da casa de minha avó Joaquina Joana. Contudo, os figos ainda não estavam maduros.
Sobre esta planta se derramou o sangue do dragão, que um cavaleiro andante matou em minha defesa...
Havia nenúfares brancos e
nenúfares fúcsia.
Eu gosto muito de nenúfares; lembro-me sempre da história do nenúfar e da libelinha...

sábado, 28 de maio de 2011

FUI AO JARDIM...

Aconteceu terça-feira, dia 24 de Maio.
Mal cheguei os meus olhos saltaram das fabulosas tílias para esta maravilha. O que era? Perguntei-me.
E... foi fácil encontrar as resposta.Mas, não pude deixar de registar esta magnífica tília amarela. Também fotografei a prateada, mas deixo-vos aqui esta.Deliciei-me com o cheiro da alfazema, das rosas... Lírios já não havia. Havia muitas mais flores que fotografei.Entretanto andei às rãs. Em abono da verdade, tenho de confessar que não me ligaram qualquer importância e pude fotografá-las viradas para a esquerda, para a direita e até a tomar banho.Até o pombo se saciava indiferente à objectiva...
E os insectos "namoravam" em lençóis de seda cor-de-rosa

Tudo sob o olhar condescendente do "Rapaz de Bronze"... Não! Que tolice! Da menina sua convidada.
A casa era grandiosa.
Quem adivinha onde fui passear?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

ANDANÇAS

Quando era professora, costumava dizer que logo que me reformasse nunca mais escreveria nem o nome. Abriria uma tasca e venderia pasteis de bacalhau e taças de branco e tinto.
As amigas aplaudiram a ideia e não tardaram a sugerir que levasse uns pastelinhos de amostra para uma prospecção de mercado. Fiz os pasteis, dei-os a provar, garanti os clientes e quando reformada me dispunha a iniciar o negócio, descobri que alguém mais expedito me roubara a ideia. Azar dos azares! Vi-me obrigada a buscar outros interesses...
Aquele manifesto interesse pela culinária não passava de uma brincadeira.
Hoje, o compromisso com a causa pública obriga-me a caminhar para os Marrazes.
Muitas vezes vou a pé para gáudio dos sentidos. Inebrio-me de cores, sons e cheiros, enquanto percorro a distância entre a minha casa e a sede da Junta de Freguesia. No dia doze, fiz-me acompanhar da máquina fotográfica e sem engenho e arte lá fui fazendo alguns registos.
Bem perto ainda de casa, não resisti a estas flores, que descuidadas crescem junto ao poste da luz.
Logo no início da subida voltei-me para trás, porque a perspectiva me pareceu mais feliz. O cheiro desta trepadeira é inebriante.
E em frente o pormenor desta janela, cujo vitral merece ser apreciado ao natural, chama a atenção.
Aqui mora o número sete.
As nêspera ainda estão verdes, mas prometem...
E esta ternura de malva rosa e sardinheira?
As laranjas já se comem. Comeriam... se as pudéssemos colher.
Ainda desfolhei um malmequer. mal me quer ... bem me quer... mal me quer. A conclusão é sempre a mesma...
Alegrei logo os olhos nesta bela trepadeira.
Pode haver quem não goste, mas para mim, esta vivenda é a materialização de "A noite estrelada" de Van Gogh
Já não há camélias nestes jardins, mas as orquídeas estão lindas.
E este verde fabuloso e arrumadinho
Quem não gostaria de possuir esta buganvília?
A foto tem luz em excesso. Gosto de ver roupa estendida. Se um mercado nos mostra a alma de um povo; a roupa estendida diz-nos como esse povo resiste.
Dizem que nasce aos molhos no monte sem ser semeado, mas neste jardim, o alecrim também não falta.
Mais flores....
Alegres nos muros.
E rosas, muitas rosas, rosas por todo o lado.
A escola do primeiro ciclo.
E, para matar saudades, uma árvore a lembrar outra dum jardim da minha infância. Só que "a minha" tinha flores cor-de-rosa.
Bebi água, atravessei a rua e fui trabalhar. Horas mais tarde fiz o percurso inverso.
Por esta pequena amostra que dizem da minha freguesia? Não é linda?
Se gostaram, venham descobri-la, há muito, muito mais para conhecer.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

MÃOS

Agarrada àquilo que não é

Mas que sonho

Que seja

Alongo o afecto nos dias.


De mãos abertas

Ofereço um amor imenso.

E o silêncio

Fala da importância

De um umbigo

Que não é o meu.


Que rota terá a vida

Se a tua disponibilidade não é

O meu mar navegável?


E no tormento da deriva

Quando os olhos encontram

O sorriso do meu bisavô

No velho retrato de parede

Que encima o monitor deste PC

Eu sei o que nunca tive:

Mãos, mãos que enlaçam

Aquela outra Isabel.


Mãos

Que amparam,

Que protegem,

Que acariciam.


As tuas mãos …

…nas minhas mãos

terça-feira, 17 de maio de 2011

FAST FOOD

Após algumas voltas na cama tentando dormir mais um pouco, na tentativa frustrada de vencer o cansaço acumulado ao longo das últimas semanas, levantei-me calmamente. Em cada manhã, depois de acordar, não volto a adormecer. O dia espreita e a minha curiosidade é grande. Como será o dia de hoje? E não há nada como saltar da cama e começar a mexer. Só assim poderei ver como é para depois poder contar como foi.


Após os ritos matinais; visita à estomatologista. Há oito dias quando da consulta, esta verificara que tinha o céu-da-boca ferido. Pois não, queimara-me?! Sou daquelas pessoas estranhas que não gostam de bicas a ferver nem de chávenas escaldadas, o que me terá calhado, com a nefasta consequência de queimar a boca. A estomatologista não facilitou ”estas feridas têm de ficar bem saradas, volte cá para a semana, para eu verificar, com esta luz forte, como estará a mucosa” e eu, como sou bem-mandada, lá fui, cumpridos os oito dias sugeridos. Foi maior a espera que a consulta, mas vim com a certeza de que tudo estava bem.


“A manhã vai alta” reclamou o estômago quando saí do Centro Hospitalar de S. Francisco. Parei no Lidle, situado um pouco mais abaixo, para comprar uma banana para entreter a fome. “Em casa, a fruta deve estar a acabar”, lembrei-me então e como descendente de Eva que se presa, comprei também algumas maçãs “vá lá saber-se quando aparece o Adão?!”.


Numa corrida desci ao centro da cidade. Aproxima-se a passos largos o dia da estreia teatral. Este ano cabe-me “assassinar” a personagem “a actriz” da peça “O meu caso” de José Régio. Precisava de completar os acessórios da toillete. Faltavam os sapatos, porque resolvi, ainda sem dizer a ninguém, mudar a minha indumentária. O vestido inicialmente acordado é quente, não só para o calor que tem feito, mas também para actuar no palco do Teatro Miguel Franco, com os holofotes tão próximos de nós. Sei do que falo! É um palco que já pisei muitas vezes.


Comprados os sapatos, dos mais baratos que havia no “Guimarães” ainda fui adquirir lã para confeccionar uma mantinha para a minha neta, trabalho a que possivelmente passarei a dedicar-me entre as três e as sete da manhã…


E foi quando vinha para casa, ao passar junto ao café do Teatro, ao ver pessoas a comer na esplanada, que me perguntei “que vais almoçar, cabeça de vento?” e rir-me com vontade, num sorriso tão aberto que o senhor que se cruzou comigo, mesmo com um relógio no pulso perguntou-me as horas, quiçá supondo que me ria para ele. Mas não, viera-me à lembrança um amigo dos meus tempos de menina para quem, certo tipo de pessoas apressadas, só comia ovos estrelados com batatas fritas, menu que, por isso, se recusava a comer. A minha comida de recurso costuma ser constituída por douradinhos de pescada, com bolinhas de espinafres e castanhas assados em vinte minutos de forno, mas o provimento acabara-se no jantar de ontem. Que contraste com a festa num restaurante do Chacal, no fim-de-semana em Lisboa!


Sou professora aposentada, detesto batatas fritas, mas hoje o meu almoço foi um prato de sopa e um ovo estrelado com salada.


Aliada à pressa, a fome é o melhor dos temperos!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

FIM DE TARDE

Lembro-me deste dia, véspera de devoções.

Ele aguardava olhando o renque de tílias, naquele largo que o seu amor fazia transbordar de sol, apesar da hora. Ela surgiu, vinda de dentro, como que nascida de uma oração à vida, na saia vermelha que vestia conjugada com o lenço do pescoço. Que surpresa! Os olhos transbordaram no que os lábios não diziam, nem as mãos tocavam.

Rumaram a oeste, queriam ver o mar. Penso que escolheram a Vieira para que o rumorejar das ondas abafasse o que não podiam gritar ao vento. E, naquela tarde, quando os lábios se aproximaram naquele beijo tímido, sem jeito e os corpos levemente se abraçaram, a melena desgrenhada daquele rapaz feliz insinuou na tarde uma sinuosidade, uma harmonia que encheu de plenitude aquela praia que antes não existira no coração de qualquer deles. Ela ainda sente na mão o afago dos seus dedos e no ombro o calor do seu ombro.

Anos mais tarde, numa consulta de alergologia disseram-lhe “reage à tília”. “Pudera, são saudades” retorquiu.

E, ainda hoje, naquele largo, junto à parede onde ela teimou que um azulejo perpetuasse a “tolerância”, as tílias sussurram juras que sabem que nunca cumprirão.

Aquele fim de tarde não existiu senão para ser lembrado.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

ADEUS NÚMERO TRÊS


Deixo-te com tua vida

teu trabalho

tua gente

com teus pores-do-sol

e teus amanheceres.



Semeando tua confiança

deixo-te junto ao mundo

derrotando impossíveis

segura sem seguro.



Deixo-te frente ao mar

decifrando-te a sós

sem minha pergunta às cegas

sem minha resposta rota.



Deixo-te sem minhas dúvidas

pobres e mutiladas

sem minha imaturidade

sem minha veteranice.



Mas também não creias

de pés juntos em tudo

não creias nunca creias

neste falso abandono.



Estarei onde menos

esperares

por exemplo

numa árvore anciã

de obscuros cabeceios.



Estarei num distante

horizonte sem horas

na marca do tato

em tua sombra e minha sombra.



Estarei repartido

em quatro ou cinco meninos

desses para quem olhas

e em seguida te seguem.



E tomara possa estar

de teus sonhos na trama

esperando teus olhos

e te olhando.


Mario Benedetti (Poeta uruguaio)


(Chau Número Tres)
Tradução: Celina Portocarrero


É assim que se cumpre a minha circunstância: Adivinhar na lonjura o Cavalo Verde...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

ROTA DA LAGARTEIRA

Desta vez o passeio foi no concelho de Ansião, na freguesia da Lagarteira, que dista a 5Km da sede de concelho."O topónimo principal da freguesia sugere ser um local onde são ou foram comuns as tocas ou buracos onde se recolhem lagartos." (De acordo com o desdobrável supra)
Fomos recebidos numa casa situada num pequeno largo, onde nos serviram o pequeno almoço: leite, café, pão e broa quente com mel e queijo fabulosos. Nessa praça iniciava-se a Rua dos Verdes. Pensava encontrar ruas de outras cores, mas essa foi ao longo de toda a manhã a cor predominante para repouso dos olhos e alegria da alma.
Daqui partimos, deliciando os ouvidos com o som da passarada, o nariz com o cheiro das flores e os olhos nos cambiantes de verde, onde todas as cores do arco-íris tomavam a forma de flores.
Até as batateiras estavam maravilhosas!
Em qualquer canto havia flores que pareciam crescer espontaneamente.
E os malmequeres estendiam-se por alguns metros de terreno.
Havia maias, orquídeas, sargaço, bocas de lobo...
Eis senão quando aparece a 1.ª lagarta! Que susto! E um crocodilo! Que medo... Ou seria um dragão? E aquele atrás, o gnomo do arco-íris? E o pote! Onde está o ouro?
Chegados à Igreja de Sto António, todos entraram. Uns solicitando amores novos, outros talvez renovação dos amores antigos...
Uma linda imagem da Virgem; não me souberam dizer qual.
O altar. Fiquei fascinada com este Sto. António, que não é careca. Tem um lindo caracol no alto da cabeça.
Os homens fizeram-lhe perder quase todo o cabelo. Se conservou algum foi porque optou por pregar aos peixes...
Será que as alcachofras vão florir a tempo das fogueiras dos Santos Populares?
Há aí alguém com gripe? Chá da erva das sete chaga é remédio santo...
O Santo António ficara para trás, mas eu não resisti; peguei um e comecei: mal-me-quer, bem-me-quer... Nada feito, mal-me quer!
O teu pai é careca?
Colhia-se a erva com cuidado e interpelava-se uma amiga, que invariavelmente responderia "não". Soprava-se então a erva, as sementes voavam e exclamava-se alegremente "é pois". Inocências da infância quantas vezes repetidas?
Indecisão... Seguir em frente?! O letreiro não augurava nada de bom... mas lá fomos.
Para logo encontrarmos estas ovelhas "new wave"
Quem pela hera passou e uma folha não apanhou... do seu amor não se lembrou!
O percurso não era fácil, ao chão de cascalho acrescentava-se o declive acentuado. Havia uma senhora que ficava sempre para trás por causa das fotografias (não digo quem é, porque não me acuso)
Fotografei os figos, as nozes, as uvas, a promessa de amoras que as silvas exibiam, as oliveiras fabulosamente floridas, mas só aqui ficam as cerejas que hão-de vir a ser frutos vermelhos e suculentos.
Há quantos anos não via uma amoreira? No recreio da Escola Primária de Sismaria da Gândara, que frequentei, havia uma, à qual trepava para colher folhas para alimentar os bichos da seda. Nesta, as amoras eram grandes, mas ainda estavam verdes.
Altar da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios
Como se chamará a quintarola? Da Vista? Do Olho? Responda quem souber.
De qualquer pedra brotavam flores.
Aqui, já tinham colhido os jarros.
Onde estarão as tartarugas? Disseram-nos que estariam lá, mas primaram pela ausência.
Da Igreja Matriz, em honra de S. Domingos, só aproveitei a foto deste delicioso baixo relevo particularmente cosmopolita , que retrata a Sagrada Famíla, num dia, lá por alturas do século dezassete ou inícios do dezoito, em que terá ido à cidade comprar botas para o Menino e para S. José. A tarde solarenga tê-los-á apanhado desprevenidos e terão adquiridos estes fabulosos chapéus de três bicos. Achei uma ternura.
E a originalidade deste vaso?

Cheguei a casa cansada, mas com a alma lavada pelo verde da paisagem e pela roupagem da Primavera nesta manhã de Domingo.