quarta-feira, 11 de setembro de 2013

VOU SURPREENDER-TE

Manhã,  toca o telemóvel. Mal tivera tempo de acordar e ir à varanda espreitar a ipomeia, que a cada amanhecer, continua a saudar-me efusivamente em azul.

A “patroa” a esta hora?! Ri-me. Sai trabalho extra para a tarde. Atendo: “Bom dia. Como está? Precisa de alguma coisa?” Pois claro que precisava. “Pode contar. Fique descansada.” “Obrigadinha, Isabel”.

Lembrei-me do Dr. Silvério, Diretor da Escola do Magistério Primário: “A culpa é sua. Na tropa não se pode ser bom sargento.” Muitos anos mais tarde o Professor Bruto da Costa disse-o de forma académica: “É muito orientada para a tarefa”…

Porque será que, tantas luas contadas, ainda não consegui ser promovida a oficial? Tantos anos depois, ainda continuo a sofrer de excesso de orientação? Não haverá chá, mezinha, comprimido, xarope, benzedura que cure a doença?

A esperança é em mim uma teimosia. Uma manhã, alguém telefonará: “Isabel, veste roupa prática e calça sapatos para todo o terreno. Traz os teus olhos de mata-borrão e a alma vestida de sorrisos. Passo aí a pegar-te. Hoje vou surpreender-te."

E vamos… vamos por aí, nem que seja a “caldo verde” pentear macacos, como dizia em bebé a minha filha mais velha.

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