domingo, 3 de junho de 2012

O FEIXE DE CARUMA

Dia 31 de Maio, fui ao "Mercado do Livro", evento a decorrer no Mercado de Sant'Ana, ouvir o António Nunes e a esposa, de seu nome Zaida, sobrinha neta de Acácio de Paiva, falarem sobre este poeta leiriense, tão pouco lembrado.

Privilegiou-se muito a crónica social em que Acácio de Paiva é pródigo e relegou-se um pouco para segundo plano a poesia, talvez no sentido de cativar, mais facilmente, o publico presente.

. Porque faltou dizer o que para mim é o mais belo soneto de Acácio de Paiva;
. Porque considero impossível deixar de o referir quando se quer falar de Leiria;
. Porque o declamei, em muitos lados, quando fiz parte do grupo de teatro Trolaró;

Aqui o recordo:


O FEIXE DE CARUMA


O feixe de caruma! Que humildade!
São folhas mortas que o pinheiro enjeita,
Ou que o vento cruel por terra deita,
Que se calam sem dó, nem caridade.

Mas, sendo o sentimento de bondade
Aquele que aos humildes mais se ajeita,
São para os pobres a caminha estreita,
São a vida, o calor, a claridade.

O feixe de caruma! Se Maria
Virgem da Nazaré, Nossa Senhora,
Tivesse tido a estranha fantasia

(Perdão por esta audácia pecadora)
De dar à luz nesta freguesia,
De caruma cobria a manjedoura.

Acácio de Paiva
"Crésus Perdulário", 1968



6 comentários:

  1. Até há pouquíssímo tempo não conhecia este poeta. Publiquei lá no meu blogue no dia 22 de Maio a Carta do Perú dos Olivais. Nestas minhas andanças recentes pela net tenho aprendido e conhecido pessoas interessantes.

    Abraço

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    1. Olá, Sonhadora.
      "Carta do Perú dos Olivais" tem sido um trabalho muito aproveitado, pelo menos na nossa zona (Leiria), em termos de ensino/aprendizagem da língua materna, no 1.º e 2.º ciclo do ensino Básico, pelo Natal. Os alunos adoram e ouvem falar do poeta.
      Há algum trabalho dado à estampa, deste autor. Vale a pena conhecê-lo, garanto-lhe.

      Um abraço tb para si.

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  2. Ai ai, que não dei pela Isabel. Indesculpável.

    Eu também gosto muito deste soneto. E muitos outros haveria para declamar.

    Mas o esquema montado, sem ensaios nem um guião afinado, dava prevalência, à conversa e ao pretexto teatralizado da carta que andava perdida há quase 100 anos.

    Concordo que se devia ter dito mais poesia. Mas declamado por quem tivesse veia para o efeito, que, pelos presentes, teria de ser a Zaida.

    De qualquer modo, acho que esta iniciativa, nestes moldes, pode ser um bom treino para os próximos anos da Feira do Livro e mesmo para outras oportunidades. Por mim muito gostaria de alinhar num grupo de poesia de Leiria.
    Tive muita pena de não ter sido capaz de dizer a letra do Fado Liró, como deve ser. Apanhei a letra, à pressa, pouco tempo antes de ir para a Conversa. Falhou-me a caligrafia! E o engenho, claro.

    Tarde e a más horas, mas estou quase em velocidade de cruzeiro para a Poesia. Ultimamente só leio poesia, compro livros, inclusive em alfarrabistas.

    Aquela geração da primeira metade do séc. XX (fins do séc. XIX) cada dia que passa mais me fascina!

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    1. Olá, António.

      Eu tinha prometido, no seu blog, que iria e cumpri a promessa. Por certo foi por conta do "nervoso" que não me viu, dado que eu estava na primeira fila. Antes até tinha estado à conversa com a Luísa S.D.,vossa amiga, também presente. Não vos cumprimentei no fim, por não dispor de tempo.

      Confesso que achei engraçado o seu "engasganço" no "Fado Liró". Também me acontece, frequentemente, não decifrar o que escrevi.

      Embora só tenha assistido à vossa sessão, a iniciativa é louvável. Já não penso o mesmo da forma utilizada. O facto das pessoas terem de pegar no microfone e falar com ele na mão, nunca resulta para quem ouve. Muitas não sabem usar o micro e há forte prejuízo na inteligibilidade das palavras, na ótica de quem ouve. Não foi só ali que aconteceu, acontece em todos os lados em que se opta por aquela forma supostamente informal de comunicar. Resulta em grupo restrito, nunca para um auditório. Além disso, quem fala tende a dirigir-se para o interlocutor direto, quando, de facto, deve dirigir-se para o publico que assiste.

      Quanto ao grupo de poesia de Leiria... por que motivo espera? Vá em frente.Eu estou nessa.

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  3. Respostas
    1. Olá, Rafael.
      Seja bem vindo ao meu sítio.
      Muito obrigada pelo comentário.Espero que apareça mais vezes.
      Abraço.

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