quinta-feira, 15 de julho de 2010

FIM

Foram muitas as pessoas que se cruzaram comigo na infância tendo deixado na minha vida marcas indeléveis.

Poderia ainda falar da Joaquina dos Pinheiros, empregada lá em casa, que ia comigo colher o musgo do presépio, na Mata de Marrazes, com quem aprendi que os impulsos podem causar danos irreparáveis nos afectos; do ti Caseiro, dos Marrazes trabalhador da Moagem, que quando ia à Estação despachar os fardos que seguiriam no comboio de mercadorias, me ia buscar a casa para me levar numa “voltinha pelo cais”, na carroça que conduzia, com ele aprendi disponibilidade; do Dr. Francisco Dias, mais que nosso médico, um amigo, no colo de quem eu me acolhia mal entrava no consultório, fosse ou não eu a doente e que quando ia a nossa casa me sentava sempre em cima da mesa da cozinha para eu ficar grande “muito depressa”, com ele aprendi responsabilidade e segurança; da D. Maria Rosa e da D. Deolinda, minhas professoras do ensino primário, pois com uma aprendi entusiasmo e optimismo e com a outra sentido de justiça. E com todas aprendi amor.

Para além das pessoas que tenho vindo a referir muitas mais, ao longo dos anos, contribuíram para fazer de mim a pessoa que sou, se tenho algumas qualidades o mérito é delas, os defeitos adquiri-os todos por minha conta e risco. Encontrando-me longe de ser um projecto acabado espero, poder ainda contar por muitos anos, com a amizade dos que me cercam e que, para além destes amigos, venha a encontrar outros que me ajudem a crescer, porque em humanidade nunca se é suficientemente grande.

Sou uma mulher de esperança! Procuro afincadamente o lado positivo de tudo o que me acontece por isso, estou agradecida ao “Região de Leiria” e a quem na Assembleia de Freguesia me intitulou de “cidadã do mundo”. O facciosismo de um levou-me a criar este blogue para fazer ouvir a minha voz, a arrogância da outra fez-se olhar para a minha história de vida.

Depois do acordo de Schengen, que estabelece uma política de livre circulação de pessoas no espaço geográfico da Europa, subscrito por Portugal em 25 de Junho de 1992, urge, mais que nunca saber quem somos e de onde somos. Abolidas as fronteiras do espaço e do tempo, estas pela rapidez com circula a comunicação, firmo-me em dizer: Nasci na Guia, cresci entre Dois Portos e Carreira com amarras lançadas na Freguesia de Marrazes e possuo uma alma rústica de que muito me orgulho. Não sou uma marrazense de gema, pois as circunstâncias não permitiram que nascesse na Freguesia de Marrazes; sou uma marrazense de clara, porque foi numa clara opção de vida que os meus pais se fixaram nesta freguesia, quando eu tinha dois meses de idade.

Acabaram aqui os textos escritos na primeira pessoa.

3 comentários:

  1. Não acredito que a minha amiga não nos vá continuar a deliciar com mais alguns dos seus extos, contando-nos tão belas e maravilhosas HISTÓRIAS da sua vida real!

    Espero que continue...pois quero dizer que tenho adorado!

    Boas férias

    maria da cruz

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  2. Olá, Maria da Cruz,
    Registo sensibilizada o seu incentivo à minha escrita. Eu vou continuar a escrever, só não o farei na primeira pessoa para não sentir que desnudo a alma. Fá-lo-ei na terceira pessoa, como quem conta histórias de outrem. Assim, podendo a escrita ser autobiográfica, prevalecerá a dúvida se estarei ou não a falar de mim e isso dá-me maior liberdade.
    Muito obrigada pela sua gentileza e simpatia. Um beijinho para si.

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  3. Não percebo porquê! Porquê o fim dos textos em primeira pessoa? É preciso continuar!...

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