Páginas

sábado, 28 de julho de 2012

YOU'll NEVER WALK ALONE






Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.
 Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue-o!
F. Nietzsche, Assim falou Zaratustra

terça-feira, 24 de julho de 2012

CAMINANTE NO HAY CAMINO






SIGO


Sigo
À margem de mim
mergulho os pés
na frescura do dia

As mãos acariciam
A latitude da ausência
Os passos marcam a cadência…

Marulham ondas
Negam-se os silêncios
Que o vazio das vozes não vestiu

E a solidão sorriu…


A paisagem reverdece
É primavera?
E que acontece?

Espero a vida?
A vida espera-me?


Um dia e outro dia
Sigo assim
Não caminho na praia
Mas em mim

terça-feira, 17 de julho de 2012

ESTAREI DOENTE?


Andei preocupada com uma situação para a qual não vislumbrava solução a meu contento. Diria mesmo que andei angustiada, rabugenta e zangada comigo própria. Às amigas, nem uma palavra sobre o assunto. Só gosto de falar dos problemas depois de restabelecida a normalidade, para me rir deles.
Em alturas destas, costumo correr para  S. Martinho. O passeio pela praia, na baixa-mar, a par e passo com o marulhar fininho das ondas e com a brisa a beijar-me a face, desata-me as ideias e os raciocínios fluem com mais rapidez… Sinto a praia deserta como se tivesse parado o mundo, saísse um bocadinho para voltar a entrar, logo após ter-me encontrado. Nesta altura do ano, adivinhava S. Martinho cheio de gente e eu não poderia desfrutar daquele espaço só para mim. 
Posto de parte o passeio à beira-mar, o que resta a uma mulher para refrescar a cabeça? Ir às compras! A época apresentava-se propícia. Por todo o lado se anunciavam promoções. Se bem o pensei, melhor o fiz. Meti-me no carro e, num ápice, estava no Shopping.
Montras e mais montras, um “entra e sai” de loja em loja. Apalpei tecidos, experimentei sapatos, apreciei malas, brincos, pulseiras e tudo o mais que havia para ver e mexer… Compras? Não fiz nenhuma, nada me agradou, nada vi que precisasse.
Na verdade eu não precisava senão da solução para o problema que me atormentava, contudo não é menos verdade que uma mulher encontra sempre alguma coisa imprescindível onde gastar os trocos. Quando tal não acontece, "algo de grave se passa" – garante uma das minhas amigas.
Estarei doente?

domingo, 15 de julho de 2012

LER


Ler! Que vício incrível! Não sei se por deficiência profissional, se por qualquer outra razão, ou se por razão nenhuma, tenho o vício de ler tudo, absolutamente tudo, em que os meus olhos tropeçam.

A amizade pusera-me a ler, no PC, obras não publicadas, mas eu sou do tempo (como a expressão sabe a anos de hábitos) em que se lia na horizontal, em que não bastavam os olhos, em que as mãos intervinham no ato de ler. Era preciso virar as páginas…

E que saudades eu tinha do papel! Pegar num livro e sentir as folhas, virá-las, sentir o cheiro, comendo sofregamente as palavras, saciando o tato…

Fui à “Boa Leitura”, procurava um Goleman, há muito adiado: “não temos, mas mandamos vir”. A menina puxou do bloco de encomendas; escreve, não escreve… Os olhos espraiaram-se pelas bancas, onde imensos livros se mostravam despudoradamente. Foi “amor à primeira vista”. Os nomes da autora, em letra alaranjada, em degradé, na capa escura de um livro de bolso, chamaram-me a atenção. Escrito assim, Tami Hoag justapunha-se à cor e tamanho do título da obra: “Águas Calmas”. A promessa de intriga fervilhava… Peguei no livro. A mão deslizou pela capa; o livro era maneirinho, como todos em edição de bolso. Que delícia ao tato!  “Vou levar este”.

Aconteceu dia cinco. Oito dias depois, as cerca de seiscentas páginas de leitura condensada estavam cumpridas, sem descuidar amigos e confraternizações.

Quem me conhece dirá que trai Irving Wallace, meu escritor preferido para este género literário, mas eu não precisava de ler, eu precisava de mexer num livro. Deixei-me seduzir pelo tato…

quinta-feira, 12 de julho de 2012

FATALIDADE



Não sei tecer
senão espumas,
nuvens
e brumas.
Coisas breves,
leves,
que o vento desfaz.

Como prender-te
em teia tão frágil?

Luísa Dacosta

sábado, 7 de julho de 2012

PARA OS AMIGOS


..............................
E de vós me levanto
e vos levo pesando
e ardendo até onde
me ajudais a ser
melhor ou talvez
menos só.

Vítor Matos e Sá, in 'Companhia Violenta'