Ler! Que vício incrível! Não sei se
por deficiência profissional, se por qualquer outra razão, ou se por razão
nenhuma, tenho o vício de ler tudo, absolutamente tudo, em que os meus olhos tropeçam.
A amizade pusera-me a ler, no PC,
obras não publicadas, mas eu sou do tempo (como a expressão sabe a anos de
hábitos) em que se lia na horizontal, em que não bastavam os olhos, em que as
mãos intervinham no ato de ler. Era preciso virar as páginas…
E que saudades eu tinha do papel!
Pegar num livro e sentir as folhas, virá-las, sentir o cheiro, comendo
sofregamente as palavras, saciando o tato…
Fui à “Boa Leitura”, procurava um
Goleman, há muito adiado: “não temos, mas mandamos vir”. A menina puxou do
bloco de encomendas; escreve, não escreve… Os olhos espraiaram-se pelas bancas,
onde imensos livros se mostravam despudoradamente. Foi “amor à primeira vista”.
Os nomes da autora, em letra alaranjada, em degradé, na capa escura de um livro
de bolso, chamaram-me a atenção. Escrito assim, Tami Hoag justapunha-se à cor e
tamanho do título da obra: “Águas Calmas”. A promessa de intriga fervilhava… Peguei
no livro. A mão deslizou pela capa; o livro era maneirinho, como todos em
edição de bolso. Que delícia ao tato! “Vou
levar este”.
Aconteceu dia cinco. Oito dias depois,
as cerca de seiscentas páginas de leitura condensada estavam cumpridas, sem
descuidar amigos e confraternizações.
Quem me conhece dirá que trai
Irving Wallace, meu escritor preferido para este género literário, mas eu não
precisava de ler, eu precisava de mexer num livro. Deixei-me seduzir pelo tato…