terça-feira, 24 de julho de 2012

SIGO


Sigo
À margem de mim
mergulho os pés
na frescura do dia

As mãos acariciam
A latitude da ausência
Os passos marcam a cadência…

Marulham ondas
Negam-se os silêncios
Que o vazio das vozes não vestiu

E a solidão sorriu…


A paisagem reverdece
É primavera?
E que acontece?

Espero a vida?
A vida espera-me?


Um dia e outro dia
Sigo assim
Não caminho na praia
Mas em mim

2 comentários:

  1. Palavras delicadamente entrançadas que fazem lembrar a mais fina das filigranas...
    "Caminante, no hay camino, se hace camino al andar..."

    http://www.youtube.com/watch?v=2DA3pRht2MA

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    Respostas
    1. Cantares (Antonio Machado)

      Posted on POESIA LATINA, by Maria Teresa Pina

      Tudo passa e tudo fica
      porém o nosso é passar,
      passar fazendo caminhos
      caminhos sobre o mar

      Nunca persegui a glória
      nem deixar na memória
      dos homens minha canção
      eu amo os mundos sutis
      leves e gentis,
      como bolhas de sabão

      Gosto de ver-los pintar-se
      de sol e grená, voar
      abaixo o céu azul, tremer
      subitamente e quebrar-se…

      Nunca persegui a glória

      Caminhante, são tuas pegadas
      o caminho e nada mais;
      caminhante, não há caminho,
      se faz caminho ao andar

      Ao andar se faz caminho
      e ao voltar a vista atrás
      se vê a senda que nunca
      se há de voltar a pisar

      Caminhante não há caminho
      senão há marcas no mar…

      Faz algum tempo neste lugar
      onde hoje os bosques se vestem de espinhos
      se ouviu a voz de um poeta gritar
      “Caminhante não há caminho,
      se faz caminho ao andar”…

      Golpe a golpe, verso a verso…

      Morreu o poeta longe do lar
      cobre-lhe o pó de um país vizinho.
      Ao afastar-se lhe viram chorar
      “Caminhante não há caminho,
      se faz caminho ao andar…”

      Golpe a golpe, verso a verso…

      Quando o pintassilgo não pode cantar.
      Quando o poeta é um peregrino.
      Quando de nada nos serve rezar.
      “Caminhante não há caminho,
      se faz caminho ao andar…”

      Golpe a golpe, verso a verso.

      (Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

      RUI,BEM HAJA, POR ME TER LEMBRADO!

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