quinta-feira, 12 de abril de 2012

DÃO-SE ALVÍSSARAS

Ontem, por circunstâncias da minha vida familiar, vi-me na contingência de ter de falar com uma senhora, que evito ao máximo abordar.

A senhora em causa é uma jovem bonita, com um sorriso fácil, mas quando conversamos, para além do socialmente aconselhável, há qualquer coisa que não funciona. Há sempre ruído na comunicação… Não sei se é o meu ar de “bicho-do-mato”, se acontece que ao fim de tantos anos de aposentação, ainda não terei conseguido despir o papel de supervisora pedagógica, ou se haverá qualquer outro motivo, cuja responsabilidade não enjeito, a verdade é que acho que a senhora se sente sempre posta em causa, quando a minha finalidade não é essa, acabando por dizer algo que me deixa os cabelos em pé, mais do que habitualmente andam, sem que eu tenha hipótese de os recolocar no devido lugar, pois seria impensável retorquir como me apeteceria.

As nossas conversas, raras, felizmente, fazem sempre lembrar-me a Dra. Elisabete, minha professora de Francês, no antigo quarto ano do Liceu, que adorava divagar por outras matérias, que não propriamente aquelas para que era paga. Contou uma vez a Sra. D. Elisabete, nem sei há quantos anos… ou talvez saiba e nem valha a pena enumerar… que os diplomatas tinham aulas, não sei se de dialética se de retórica, com uma chávena de chá na mão, para aprenderem autocontrolo.

Depois das conversas inicialmente referidas, eu penso sempre que me teriam sido muito úteis as aulas deste tipo, para não acabar azeda e com necessidade de digerir a má disposição por algum tempo.

Ontem, mais uma vez, aconteceu. Saí rabugenta, mal disposta e achei por bem, em vez de voltar para casa, ir ver as montras da cidade até remoer a bílis que me tinha subido à boca e que eu, educadamente contive (que orgulho para a minha mãe, se estivesse em condições de assistir a esta exibição da filha…)

Passeei-me pela cidade, apaixonei-me por um colar na montra de uma ourivesaria, que nessas circunstâncias sou de amores fáceis, mas admitindo-me sem troikos, para satisfazer a paixão, fui andando ao sabor do acaso a remoer a conversa de minha conveniência…

Na hora do regresso lembrei-me que precisava de fruta e entrei no “Pingo Doce” da Avenida Heróis de Angola. Dois pequenos passos e à minha frente, vermelhos, lindos, embalados e expostos como eu gosto, estavam os morangos. “Começo por aqui” – pensei deitando a mão a uma das embalagens. Foi então que reparei, mesmo ao lado, empilhadas na horizontal e no mesmo caixote, estendiam-se convidativas caixinhas de chocolate belga, próprio para fondue.

A minha imaginação voou louca, mais rápida que a luz fixou a cena que me curaria o azedume da manhã…

Um almoço a dois, apenas um almoço. E plagiava o poema “convida-me só para jantar/ num restaurante sossegado/ numa mesa de canto/ e fala devagar/ e fala devagar” e à sobremesa... fondue de morangos em chocolate quente…

Eu tenho a tacinha para fazer o fondue, foi um presente da minha amiga P. Comprei morangos. Havia chocolate…

Dão-se alvíssaras a quem encontrar o CAVALO VERDE…

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