terça-feira, 9 de abril de 2013

NOSSA SENHORA DOS PRAZERES





A Festa de Nossa Senhora dos Prazeres realiza-se no domingo de pascoela, na terra de onde é oriunda a família da minha avó materna, os Leitão, gente simples, humorada, de bem com a vida. Dos Quintino, do lado de meu avô materno, oriundos de Ribaldeira, uma aldeia perto, disseram-me que só nós restávamos e eu respeitei isso, embora sempre achasse estranho haver tantos de um lado, primos de primos que já nem primos são e do outro não haver ninguém e dar-se a coincidência de numa localidade próxima haver pessoas com o mesmo apelido e não serem da família. Mistérios. E nunca pus em causa, nem estou a pôr a explicação que me deram e que acabo de referir.


Sempre foi hábito ir à festa da Caixaria. É assim que se chama a aldeia que se situa na freguesia de Dois Portos, concelho de Torres  Vedras, 39º 3’ 0’’ N e 9º 12’ 0’’ W. 


Primeiro era a prima Conceição que reunia a família. Chegávamos a ser cinquenta em volta de uma mesa enorme que ela tinha do andar de cima, na adega, durante três dias. Depois a prima Conceição adoeceu e todos deixaram de ir à festa. Íamos visitá-la fora desse período para que não ficasse triste, por não nos poder juntar. Depois morreu e foi o Joaquim António que herdou a tarefa de juntar uns e a Graça outros. 






Domingo, dia 7, atravessei parte da aldeia e mal cheguei perto da igreja (os meus primos moram a cerca de três metros) telefonei ao meu primo: ”tirando o bolso, onde te parece que posso meter o carro?” “boa pergunta” – respondeu ele. E veio de imediato, mas eu já tinha estacionado embora pelas ruas estreitas se vissem muitas viaturas e os lugares fossem escassos. 





Pormenores do adro da igreja visto da esquerda para a direita




Acesso a uma rua, que se vê ao fundo deste pequeno largo coberto


O canário aproveitava o sol dessa tarde de festa.


Ouvi a banda e desci apressada a Travessa do Relógio de Sol.


Eu ouvia e olhava, mas a banda ainda vinha longe.


Como a igreja esta aberta fui ver a santa: Nossa Senhora dos Prazeres.
Falta o ceptro na mão direita, como se pode ver em outras imagens semelhantes.

Só o andor de Nossa Senhora dos Prazeres estava na igreja, os outros andores estavam na casa da catequese.


O altar sem as imagens, todo coberto de flores.


Finalmente aproximavam-se os festeiros (como por lá se diz)


E a Banda da Arruda dos Vinhos tocava atrás. Fiquei pasmada. Este ano não era a Banda da Ribaldeira...


Tocavam bem.


Mesmo muito bem.


Cumprimentava-se a santa. E assim se inauguravam os festejos em honra de Nossa Senhora dos Prazeres


Findo o concerto de inauguração, seguiu-se o almoço. O deles e o meu.

A minha prima Adelaide tem uma paciência de santa e faz comida ao gosto de todos. Um dos cunhados quer bacalhau com natas, o genro gosta de açorda de marisco, a sobrinha prefere lombo de porco  e eu e o meu primo só comemos o prato tradicional da região: borrego com umas espetaculares batatinhas que só ela cozinha como a minha avó Isabel. Éramos só treze à mesa, mas como ela cozinha para todos as preferências de cada um a banda poderia ter ido almoçar lá a casa. E as sobremesas? Só me atrevi a comer um bocadinho de torta de amêndoa recheada com doce de ovos e fiquei a chorar pelos outros doces que havia. 

Conversámos, brincámos, rimos e quando foram horas da procissão agarrei-me ao braço de meu primo: "Este ano o milagre da Senhora dos Prazeres é tu ires à procissão. Anda daí comigo que eu quero ir de braço dado com um rapaz jeitoso como tu (ele é muito mais velho do que eu). Fazes favor de não me deixar ficar mal e de me avisares sempre que vires um primo ou uma prima que eu deva cumprimentar, os que forem na procissão e os que estiverem às janelas ou às portas a vê-la passar, para que fiquem os cumprimentos feitos". E lá fomos nós com mais umas primas que logo encontrámos à saída da porta.

Ora tendo em conta que a minha mãe é filha única, imaginem a quantidade de primos que eu não tenho na Caixaria... Mas tenho mesmo primas e primos adoráveis, que gostam de ser minhas primas e meus primos e eu gosto de ser prima deles. Ah! E há velhos muito velhos:"Então não me lembro da Isabel Quintina?! Até me lembro do seu avô. Quem é que não conhecia o Quintino da Ribaldeira? E a minha avó morreu há quase cinquenta anos e eu nem sequer conheci o meu avô...

E venho para Leiria e volto à vida cheia de mimo.


5 comentários:

  1. Qualquer dia saio por aí de máquina a tiracolo em busca das romarias e das bandas, pode ser que ganhe inspiração para umas pinceladas.
    :)

    Gostei das fotos, pena a falta de sol.

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    1. E não ter chovido foi uma sorte... Foi mesmo uma interrupção concedida pela santa. Já a 20Kms de casa desabou uma chuvada que mal via a estrada...

      A aldeia é engraçada e as pessoas muito acolhedoras ou não fossem meus primos :). Não é uso matar o porco pois é uma zona de influência árabe, come-se sobretudo borrego, com uma deliciosas batatas que são cozidas com pele e depois fritas em azeite. A festa religiosa também não tem ali tanta carga espiritual como as da da nossa zona (ou será a minha família... mas nós somos crentes). Muitas famílias de Lisboa têm ali a segunda casa onde passam fins de semana e dias de férias. Alguns dos meus primos fizeram a suas vidas em Lisboa e agora que se reformaram voltaram à aldeia, para viverem os dias com outra qualidade.

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    2. Isabel,escrevo,escrevo e não fica nada escrito.Tenho pena.

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