sexta-feira, 28 de outubro de 2011

SOLIDÃO

Em Setembro, acabadas as vindimas, passávamos uma semana em Amadora, na casa de meu padrinho Manuel, irmão mais velho de meu pai. Para além de brincar com a Suzete, sobrinha de minha tia Elisa, a madrinha era a minha prima Milú, dez anos mais velha que eu, o tempo era gasto em largos passeios por Lisboa.

À época, impressionava-me o Rossio às seis horas da tarde. Uma mole humana saía da estação da CP e, compacta, caminhava, em direcção aos Restauradores…

Lembro-me de ficar estática a olhar a multidão, com vontade de mergulhar esbracejando, naquele mar de gente de cara fechada e de o meu pai, voltar atrás e pegar-me na mão, guiando os meus passos, para que não me perdesse.

Hoje, tantos anos vividos, com a Estrela Polar por companhia, se me pedissem para representar graficamente a solidão, era esse o quadro que pintava.

8 comentários:

  1. "Isabelinha"
    O importante é nunca perder o Norte...
    e a nossa estrelinha...
    faz-nos mais forte.
    :)
    Bom Fim-de-Semana!

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  2. Olá, Rui.
    Trago uma bússola, comigo, para o caso de não ver o Sol e de ainda não ser noite...
    Bom fim-de-semana também para vós.

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  3. A Estrela Polar
    Vinicius de Moraes
    Eu vi a Estrela Polar
    Chorando em cima do mar
    Eu vi a Estrela Polar
    Nas costas de Portugal

    Desde então não seja Vênus
    A mais pura das estrelas
    A Estrela Polar não brilha
    Se humilha no firmamento

    Parece uma criancinha
    Enjeitada pelo frio
    Estrelinha franciscana

    Teresinha, Mariana
    Perdida no Pólo Norte
    De toda a tristeza humana
    Composição: Vinicius de Moraes / Antonio Ma

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  4. " As pessoas têm estrelas que não são as mesmas.
    Para uns, que viajam, as estrelas são guias.
    Para outros, elas não passam de pequenas luzes.
    Para outros, os sábios, são problemas.
    Para o meu negociante, eram ouro.
    Mas todas essas estrelas se calam.
    Tu porém, terás estrelas como ninguém...
    Quero dizer: quando olhares o céu de noite,
    (porque habitarei uma delas e estarei rindo),
    então será como se todas as estrelas te rissem!
    E tu terás estrelas que sabem sorrir!
    Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido.
    Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá).
    Terás vontade de rir comigo.
    E abrirás, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu.
    Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"

    Antoine de Saint-Exupery

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  5. Só se vê bem com o coração, o essencial é
    invisível aos olhos.

    Antoine de Saint-Exupéry

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  6. história da estrela
    que fica por cima
    da minha janela?
    Tão bela! Tão bela!

    Sebastião da Gama, "Pelo Sonho É Que Vamos"

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