sexta-feira, 20 de maio de 2011

MÃOS

Agarrada àquilo que não é

Mas que sonho

Que seja

Alongo o afecto nos dias.


De mãos abertas

Ofereço um amor imenso.

E o silêncio

Fala da importância

De um umbigo

Que não é o meu.


Que rota terá a vida

Se a tua disponibilidade não é

O meu mar navegável?


E no tormento da deriva

Quando os olhos encontram

O sorriso do meu bisavô

No velho retrato de parede

Que encima o monitor deste PC

Eu sei o que nunca tive:

Mãos, mãos que enlaçam

Aquela outra Isabel.


Mãos

Que amparam,

Que protegem,

Que acariciam.


As tuas mãos …

…nas minhas mãos

4 comentários:

  1. Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
    Com mãos tudo se faz e se desfaz.
    Com mãos se faz o poema – e são de terra.
    Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

    (M: Alegre)

    ResponderEliminar
  2. Aquelas mãos...
    Que então...
    Fizeram a guerra...
    Seguram a mão do irmão
    Fecundam o ventre da terra
    Afagam um rosto de criança
    Desenham um arco d'esperança...

    Não são marca de maldição!
    Não são!!
    São um gesto do tempo...
    São um sinal do coração.

    ResponderEliminar
  3. Na mão serena que num gesto de onda
    Em estátua musical o ar modela.

    Na mão torcida que num frio de gelo
    A parede do tempo em fundos gritos risca.

    Na mão de febre que num suor de chama
    Em cinzas vai tornando quanto toca.

    Na mão de seda que num afago de asa
    Faz abrir os sonhos como fontes de água.

    Na tua mão de paz, na tua mão de guerra,
    Se já nasceu amor, faz ninho a mágoa.

    José Saramago

    ResponderEliminar
  4. Há dias encontrei numa gaveta a foto do meu bisavô Manuel, que por ser marinheiro terá feito muitas vezes a rota de Moçambique, o que lhe valeu a alcunha de Manuel Quelimanas. Apressei-me, então a trocar um dos quadros da parede, em frente da qual está o meu PC, pela sua foto.
    Tenho bem na direcção do meu olhar a imagem de um homem alto e possante, com o ar enternecido por um velado sorriso, sentado numa cadeira, segurando no colo uma menina, uma das netas, não a minha mãe, uma sua prima, de nome Isabel, tal como eu, que ele agarra, ternamente, com as mãos enormes. Acho que sexta-feira, também me apeteceram umas mãos enormes e um sorriso terno, numa expressão firme para me mimarem a alma. Muito obrigada pelos poemas que tiveram a gentileza de aqui escrever.
    Um abraço fraterno para todos vós.

    ResponderEliminar