terça-feira, 20 de dezembro de 2011

NATAL

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).

Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

Manuel Alegre


FELIZ NATAL

3 comentários:

  1. Bom Natal também para ti e para os teus - ascendentes e descendes.

    Beijinhos natalícios

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  2. Que se renove a ESPERANÇA nos nossos corações.

    Beijinhos com canela para todos vós.

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  3. Obrigada Isabel pelas BOAS FESTAS que me deixou na Gavetnha.

    Desejo-lhe também um SANTO NATAL e um ANO NOVO cheio de SAÚDE, PAZ e ALEGRIA para si e para toda a sua FAMÍLIA

    Beijinho MHelena

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