quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

À SEMELHANÇA DE FREI TOMÁS

Numa quarta-feira, única manhã em que disponho de umas horas livres, em Lisboa, espreitei na loja do pequeno Centro Comercial onde costumo comprar algumas peças de roupa e encantei-me com umas calças de ganga. Azar! Já não havia o número.

Chegada a Leiria, no feriado de quinta-feira passada, convidei a minha amiga P, para ir comigo a uma localidade próxima, onde sei haver uma loja que vende aquela marca de calças e onde costumamos ir passear algumas vezes, quer queiramos ou não adquirir alguma coisa.

A minha amiga P. é a mais consumista de todas as minhas amigas e assume o facto com a maior naturalidade. “Gosto de coisas boas e bonitas” costuma dizer. “Quem não gosta?”- pergunto eu. Pois com imensa piada a minha amiga P. há uns tempos para cá, assumiu-se como o amplificador de som da Troika e não pára de fazer a todos os amigos discursos sobre as necessidades de contenção, coisa que ela, na prática, nem sabe o que é.

Na quinta-feira, passada inquirida sobre a compra que pretendia realizar, ouvi o discurso. Porque eu quase nem visto calças de ganga, porque com frio já nem sabe bem vestir as ditas e a estes, outros argumentos se juntaram, demonstrando que o investimento seria desnecessário. Eu fui rindo e explicando que ainda estávamos na meia estação, que o modelo era giríssimo e que as calças de ganga que possuía estavam velhas e gastas.

Antes de nos dirigirmos à loja pretendida ainda passámos por outra onde eu experimentei um casaco que ia muitíssimo bem com “o meu tom de pele” e foi a minha deixa para entrar naquele coro de lamentações “nem pensar, em tempos de crise” “mais caro que o ordenado mínimo!?” “Compro-o depois nos saldos” e saí porta fora, aplaudida pelos elogios da minha amiga: “Fazes muito bem. Com os tempos que correm sabe-se lá se o dinheiro não fará falta para outra coisa? E a cimeira deste fim-de-semana? Nem sabemos se não teremos de ir segunda-feira, logo de manhã, ao banco levantar quanto dinheiro temos”.

Subimos a escada rolante de um lado e descemos do outro, mais uns metros de corredor e estaríamos onde eu pretendia ir, mas antes… “Espera, esta loja está com reduções e tem coisas giríssimas. Vou entrar”. E a minha amiga entra e dirige-se, direitinha, ao expositor dos seus encantos, comigo atrás. Mexe, apalpa, experimenta…

Enfim, eu continuo sem calças, mas a minha amiga possui mais duas camisolas e um casaco…

“Mas as coisas são lindas, lindas, lindas.”- Comenta a P. quando, por eu ter contado aos amigos, todos brincamos com o facto.

“À semelhança de Frei Tomás, façam como ela diz…”

2 comentários:

  1. Por essas e por outras é que eu gosto de ir às compras sozinha...

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  2. Podes crer que acho estas situações divertidíssimas. Que me importam os sermões alheios? Já sou crescidinha, faço o que me apetece.

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