domingo, 5 de maio de 2013

OBRIGAM-ME


NOTA PRÉVIA
Há dias, numa qualquer madrugada, publiquei o pequeno texto que se segue. De imediato recebi ordem de um amigo de que o apagasse.

O meu amigo, um conhecido intelectual cá do sítio, com obra dada à estampa e prémios literários no currículo, é daqueles de que não me consigo livrar, nem quero (confesso em abono da verdade), há mais de meio século, com tal ordem levou-me a concluir o que eu já desconfiava: “O texto é pouco ortodoxo.” E lá entrámos nós numa conversa no chat no Facebook, que eu, para além de adorar conversar até sobre coisa nenhuma, também gosto de trocar opiniões sobre algo oportuno.

Afinal estava enganada. O meu amigo achou o texto engraçado e pretendia que eu concorresse com ele a um concurso de “short story” que está a decorrer, facto pelo qual o dito texto não poderia ser publicado, pois a concurso só seriam aceites textos inéditos.

Fiquei deveras sensibilizada com a simpática ideia do meu amigo e mais ainda com a confiança que mostrou depositar nos meus hipotéticos dotes de escrevinhadora, mas já me dou por feliz com a alargadíssima meia centena de pessoas que por aqui me lê (tantas vezes mais que cinquenta… outras vezes menos…). Acho que, mesmo dos que não conheço, já sou um bocadinho amiga. Chega-me a vossa simpatia. Por isso o texto aqui está. Não preciso de tentar qualquer outro reconhecimento.

OBRIGAM-ME

Fui à depilação. Ritual que de vez em quando as mulheres cumprem, felizmente para mim, muito “de vez em quando”. Muitos sorrisos, muitos cumprimentos, beijinhos e todas aquelas gentilezas a que Ana me habituou: ”Já tinha saudades, não a via desde Janeiro” “Pois aqui me tem, aproveite e vingue-se da ausência”.

Lá fui para o gabinete decorado agradavelmente e aquecido, usufruindo de música ambiente. Chega Ana e começa a desempenhar o seu trabalho… “a senhora, que é tão moderna, deveria fazer uma tatuagem, agora usa-se”. “Tatuagem não. Sou incapaz de sofrer até mesmo uma picadela de alfinete para ficar mais bonita, mas se tiver uma caneta de feltro, não me importo que desenhe um coração e escreva aí: amor de mãe”

Eu não quero dizer tolices, mas obrigam-me…

4 comentários:

  1. É assim um bocadinho como a mim... Se bem que eu nem espero que me obriguem...

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  2. texto delicioso.:)

    cheguem aqui via "graça sampaio" e este passa a ser um sítio de passagem obrigatória.

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  3. Olá, Humana. Seja bem vinda. É um prazer recebê-la no meu sítio.
    Volte sempre.

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