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domingo, 27 de janeiro de 2013

PORTUGAL PORQUE SIM

(...)


Podia pedir-te e dar-te contas
de tudo aquilo que sonhámos e não alcançámos.
Podia fazer tudo isso e muito mais,
mas prefiro vislumbrar na tristeza dos teus olhos
a ternura com que segues o rasto das aves e das estrelas
e depois abraçar-te e dizer-te: meu querido Portugal,
serás, até ao fim, a luz que não se apaga nem se rende
quando sonhamos com tudo aquilo que ainda te falta ser.

                                     José Jorge Letria

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

CALA-TE



Cala-te, voz que duvida
e me adormece
a dizer-me que a vida
nunca vale o sonho que se esquece.

Cala-te, voz que assevera
e insinua
que a primavera
a pintar-se de lua
nos telhados,
só é bela
quando se inventa
de olhos fechados
nas noites de chuva e de tormenta.

Cala-te, sedução
desta voz que me diz
que as flores são imaginação
sem raiz.

Cala-te, voz maldita
que me grita
que o sol, a luz e o vento
são apenas o meu pensamento
enlouquecido….

(E sem a minha sombra
o chão tem lá sentido!)

Mas canta tu, voz desesperada
que me excede.
E ilumina o Nada
Com a minha sede. 

José Gomes Ferreira


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

UM POUCO MAIS DE NÓS



Podes dar uma centelha de lua,
um colar de pétalas breves
ou um farrapo de nuvem;
podes dar mais uma asa
a quem tem sede de voar
ou apenas o tesouro sem preço
do teu tempo em qualquer lugar;
podes dar o que és e o que sentes
sem que te perguntem
nome, sexo ou endereço;
podes dar em suma, com emoção,
tudo aquilo que, em silêncio,
te segreda o coração;
podes dar a rima sem rima
de uma música só tua
a quem sofre a miséria dos dias
na noite sem tecto de uma rua;
podes juntar o diamante da dádiva
ao húmus de uma crença forte e antiga,
sob a forma de poema ou de cantiga;
podes ser o livro, o sonho, o ponteiro
do relógio da vida sem atraso,
e sendo tudo isso serás ainda mais,
anónimo, pleno e livre,
nau sempre aparelhada para deixar o cais,
porque o que conta, vendo bem,
é dar sempre um pouco mais,
sem factura, sem fama, sem horário,
que a máxima recompensa de quem dá
é o júbilo de um gesto voluntário.

E, afinal, tudo isso quanto vale?
Vale o nada que é tudo
sempre que damos de nós
o que, sendo acto amor, ganha voz
e se torna eterno por ser único e total.

José Jorge Letria

domingo, 20 de janeiro de 2013

AINDA O NATAL

 Para o próximo ano terei de pensar noutra coisa. Já estou cansada de lacinhos. por acaso até já pensei... Não sei é se me apetecerá confecionar a nova decoração...






Antes de o André chegar, tirei todas as figuras do presépio, para que fosse ele a dispô-las como quisesse.

As ovelhas vão em fila ter com o pastor e atrás vai o carneiro para defender o rebanho. A avó nem havia reparado que havia um carneiro... ou se já reparara nem se lembrava...

Os Reis Magos já viram o Menino, podem voltar para o castelo que o cão está a guardar.

A camponesa leva um pato, mas não é a sério, é um pato para o Menino Jesus brincar.

-Ó avó, o anjinho o que é? Foi alguma pessoa que morreu? - E a avó sabia???





A Rita e a "tia" Chica

A Chica foi a irmã mais velha inventada pela Íris e pela Zara, para me fazer companhia quando não estavam em casa. Bem comportada, obediente e... amorfa. Era assim que a definiam. "É a tua filha preferida. Nunca refila."

Pois a Rita não gostou de partilhar o lugar com a tia Chica.

A quem sairá ela com este feitiozinho? 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

FLORES


A última vez que armada de máquina fotográfica passei junto daquele jardim, enamorei-me das orquídeas. A japoneira, como diziam em Quintiães ou cameleira, como dizem por aqui, ainda é um pequeno arbusto, uma linda promessa de árvore situada à direita, neste simpático jardim, como se adivinha pelas folhas que se veem na foto.

Dá flores brancas, para mim as mais bonitas camélias. Parecem feitas de organza, tal como aquela com que enfeito a lapela do casaco, em algumas ocasiões.

Hei-de passar lá, de propósito, para ver como vai a floração. Nas vivendas ao lado, há japoneiras com flores vermelhas, como a que havia no jardim da minha casa de Quintiães.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

SEM TÍTULO

Exposição: "Amália, coração independente"- Joana Vasconcelos - Janeiro de 2010

Hoje, apetecia-me sentar numa sala escura, encher os olhos de beleza e os ouvidos de sons suaves.
Que a beleza me esmagasse...


Ah! A Primavera não tarda e o "meu" jardim voltará a florir, na janela da cozinha...
(Como estará a japoneira daquele jardim?)

UPS!!!!!!!!!!!

Espreitei no jardim do António Nunes e "roubei-lhe" esta rosa. Estava mesmo a precisar de flores! Pode ser que ele nem dê pela falta. Parece que a rosa floriu num sítio recuado, recôndito, meio escondido do jardim... Há flores assim. Aparecem onde menos se espera. Ainda por cima parece que o anda a "baralhar"... Época imprópria! Acontece...

É amarela e eu gosto da luminosidade e da energia da cor. Aqui virou sol!