sábado, 16 de julho de 2011

O PENSAMENTO MÁGICO

Alguém, a propósito de uma decisão tomada há dezenas de anos escrevia: “sobre isso não falo, porque ainda me dói” e eu sorri porque àquela distância a névoa trouxe-me umas bochechas rosadas que só encontram paralelo nas do meu lindo neto e só consegui vislumbrar naquela névoa os seus joelhos “avó fiz dói-dói” e o impulso foi afagar-lhe a face e dar beijinhos no sítio magoado.

Sempre que tenho de tomar uma decisão, analiso a situação de todas as formas possíveis e imagináveis, pondero prós e contras de forma aberta e esclarecida, oiço quem me parece ser de ouvir, muitas vezes até quem me parece não ser, angustio-me (ó se me angustio), até optar e responsavelmente sigo em frente pelo caminho menos caminhado, porque isso faz a diferença, convicta de que farei o melhor que sei, o melhor que posso, de que essa é para mim a melhor maneira de continuar, porque essa, para mim, é a melhor escolha. Uma escolha que fiz em liberdade, com amor, com dedicação, com empenhamento e sobretudo com sentido de responsabilidade.

Quantas vezes errei nas opções? Quantas vezes tive de refazer a rota? Que importa a resposta?! O que importa é a força, a força de seguir em frente na busca do que quero, sem abdicar do sonho.

Nunca fui tentada por isso a olhar para trás e pensar “E se em vez de ter feito assim tivesse feito… “ Isso é o pensamento mágico. O traiçoeiro canto de sereia do nosso subconsciente insatisfeito. Isso é vã tortura. O tempo não volta para trás. E, se em determinadas alturas da vida fizéssemos opções diferentes das que fizemos, também hoje não seriamos quem somos, seríamos outras pessoas, que não nós.

A vida toca-se para a frente e enquanto estivermos vivos temos de nos sentir vivos e não ficar amorfamente a pensar num hipotético passado que nunca foi nem seria, mesmo que pudéssemos voltar atrás. Se as coisas não estão bem de uma maneira, terão de ser feitas de maneira diferente.

Gostaria de deixar aqui a mensagem de que o sentido da vida está na luz das estrelas quando a vislumbramos acordados, em pleno dia e não no facto de soprarmos as velas rotas de moinhos do passado.

9 comentários:

  1. Mas que conjugação de pensamentos!!!
    Eu sempre pensei da mesma forma, o tempo não retorna e, nós nunca deixaremos de ser o que somos.Completamente de acordo.
    Muitas das vezes somos enganados pelas posições que tomamos mas, palavra fora da boca e pedra fora da mão já não tem remédio.
    Quando a minha querida amiga diz que estava tentada em assaltar a horta, pode fazê-lo à vontade, pois há sempre muita coisa que sobra.
    Quantas das vezes deito frutos e legumes fora porque ninguém os quer? Mete-me muitas das vezes raiva ouvir certas pessoas se lamentarem, quando as convidamos a passarem por casa e levarem algo.
    Apareça, pois será sempre bem recebida. Um abraço e, bfs.

    ResponderEliminar
  2. Quem sou eu para dizer que este é um belo texto escrito por uma grande Mulher? Ninguém.
    Está dito!

    ResponderEliminar
  3. A luz constante do passado empresta ao relâmpago do presente a cor da construção do futuro.

    ResponderEliminar
  4. Lindo o seu texto Isabel!

    Já as nossas avós diziam " para a frente é que é o caminho!"

    Essa de ficar a marcar passo ....não!!!...

    Beijinho Lena Serrador

    ResponderEliminar
  5. Olá, João.
    Que bom vê-lo por aqui! Espero que esta visita signifique que está completamente restabelecido.
    Este Verão não vai dar para lhe assaltar a horta. No Verão passado, de facto, andei por essas bandas, mas neste não vai dar. Vou ser de novo avó brevemente. A Rita está para chegar e eu lá estarei toda babadinha à espera. Só não estarei no lugar da frente porque esse será ocupado pelo pai, mas vou estar logo a seguir a espreitar por onde puder. As avós são assim não é?
    Gosto muito da sua região.O mar é de um azul fascinante. O ano passado hospedei-me no Hotel Monte da Lezíria e na primeira tarde estive na Praia das Carretas onde me deliciei a admirar os reflexos prateados sobre o mar à medida que o Sol se punha. Uma coisa simplesmente fantástica.

    ResponderEliminar
  6. Olá, Rui.
    Do alto do meu metro e sessenta e cinco agradeço o entusiasmo do seu comentário.
    Que gentileza a sua! Bem-haja!

    ResponderEliminar
  7. Olá, Olímpio.
    Nós temos aquela "avençazita" do conceito de Relativo e de Absoluto que habitualmente nos faz andar aí num "dize tu, direi eu" sem fim à vista, mas desta vez o meu amigo deixou-me KO ao primeiro round.
    Vou copiar a frase e esgrimi-la contra a oposição no primeiro combate político. Basta citar o autor ou tenho de pagar os direitos?

    ResponderEliminar
  8. Olá, Maria Helena.
    Bem-vinda ao meu "sítio". Gosto de a ver por aqui. Obrigada pelo comentário. Apareça mais vezes.

    ResponderEliminar
  9. Não precisa citar
    Inda menos pagar direitos
    Basta somente o lembrar
    E cuidar bem dos efeitos

    ResponderEliminar