sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

AH! OS NETOS...


Hoje de manhã, como quase sempre, à sexta-feira, fui à cabeleireira. Levei o André que veio no domingo e ficará até ao Natal, como se fora um presente antecipado do Menino Jesus.

Como fazia no tempo da mãe e da tia, preveni-me com bolachas e um livro de histórias, para vencer a impaciência que o André pudesse manifestar ao longo do tempo de espera. Só não levei água, pensando que lá era coisa que não faltaria.

Chegados à cabeleireira, o André sentou-se. “Queres ver o livro ou queres que a avó te leia uma história?” – Quis ver o livro enquanto me começavam a lavar a cabeça. “Avó, não gosto deste livro” – Pois, a avó tirara um livro da estante, pertença da mãe ou da tia, com muitas histórias e nem se dera ao trabalho de reparar se se adaptavam ao nível etário… E continua sem saber, na verdade acha que, passados tantos anos, os interesses são outros, porque aquele livro usara-o com crianças mais velhas, sem reclamações da parte destas.

A cabeleireira resolveu a questão latente emprestando um Tablet – nem já as cabeleireiras são como as de antigamente – e o André descobriu um jogo adequado ao momento e vá de brincar mudando os penteados da imagem feminina que aparecia no monitor dizendo que era eu. Tive cabelo às riscas, espetado, bicolor, curto, comprido, com lacinho e sem lacinho e lavaram-me a cabeça e secaram-me o cabelo, na paz do Senhor, sem sacrifícios de espera impaciente para o neto.

“Acha que com esta altura fica bem o cabelo enrolado para fora?” – perguntei à Lígia. “À senhora tudo fica bem” – ora ali estava uma maneira airosamente mentirosa, de responder de forma afirmativa à minha pergunta. Faça-se! E quando vi o cabelo enrolado para fora, até gostei do resultado. Estava diferente, muito diferente. Paguei e saímos.

Com o André sentado, no carro, no banco de trás, cinto de segurança colocado e com tudo como mandam as regras, ponho o motor a funcionar e preparo-me para arrancar. “Avó” – paro e olho para trás – “há algum problema?” – não, não havia, só curiosidade: “Mas afinal o que vieste fazer?”

Ah! Os netos… Que adoráveis pestinhas! E ri-me com vontade, não fora eu uma mulher que prefere uma verdade nua e crua  à mais piedosa das mentiras. 

4 comentários:

  1. Obrigada pelas correções, Alberto. E também por considerares que eram distração. Eram mesmo. Foi escrever a correr, pensando em muitas outras coisas e nem olhar para ver.
    Beijinho

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  2. Ah, o "Alberto" mandou um e-mail. Estava-se mesmo a ver, o neto ali ao lado, avó isto, avó aquilo, alguma coisa havia de passar pelo crivo da peneira sem dar por isso.

    Os netos são uma maravilha para nos alterar os hábitos e as rotinas! E até a nossa maneira rígida de encarar a vida do dia a dia!

    Bom Natal, Isabel, espero que o André não perca essa sua vivacidade, tão depressa. Quando chegar essa altura, é sinal de que mais um ciclo está a passar...e o tempo tem muito tempo...pode esperar...

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    1. Sim, não há pressa nenhuma de crescer. Eu ainda não terminei o processo. :)

      Para si e para a sua doce Zaida um Natal muito feliz. Os meus votos são extensíveis a toda a família.

      Boas Festas.

      Um abraço solidário e fraterno.

      Isabel

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  3. Obrigado, Isabel, pelos seus votos.

    A Zaida partilha comigo este espaço do blogue, de modo que retribui as saudações com amizade e compreensão. Também ela tem sido mais que mãe para os netos. E como eles lhe retribuem esse amor e dedicação!. Os seus sorrisos e piropos (de toda a espécie) são mais que reconfortantes.

    Um abraço de Paz, Fraternidade e muita Solidariedade...

    António e Zaida
    (Já teve ocasião de ver http://gatimanhos.blogspot.com ? )

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