quinta-feira, 21 de março de 2013

DIA MUNDIAL DA FELICIDADE




Ontem, regressara do concerto de Jazz, que aconteceu uns decibéis acima do recomendado para a sala intimista que é a do Teatro Miguel Franco e chegada a casa, ficara em ameno cavaqueio com um amigo no chat do Facebook. Ele reconhecido intelectual cá do burgo concedeu-me o privilégio de ler, em primeira mão, um dos seus poemas, acabado de escrever:

- Meu Deus! Estás triste? – quis saber. Como resposta enviou-me um poema de amor:

- Zangas-te se “mandar bocas”? – perguntei, achando estar a falar de amor “sob as tílias” quem talvez nunca tivesse amado em tal sítio.

Sugeri algumas alterações, deixando espaço e tempo para que quem lesse o poema se apoderasse dele e saboreasse o beijo como lhe apetecesse.

- E a mancha gráfica?

Eu disso gostava, mas não enjeitei a ocasião de referir que detestava o fim que entretanto lhe acrescentara, confessando humildemente que quem sabe, escreve e quem não sabe, opina acerca daquilo que os outros escrevem.

- Deixa-te de merdas – escreveu ele – conhecemo-nos há anos de mais para cerimónias. Se não quisesse a tua opinião não perguntava.

De facto somos amigos desde garotos, mas eu naquele momento não sabia se o meu amigo queria mesmo a minha opinião, se a minha companhia, num momento de solidão que talvez não lhe apetecesse  e se não perguntaria só para me manter ali, conversando mais uns minutos . Daí o meu pudor opinativo.

E neste vai e vem de versos deitei-me às duas horas da manhã.

Invariavelmente, acordo um pouco antes das oito e assim aconteceu hoje. Como era quarta-feira, dia da Carma vir limpar a casa, deixei-me ficar na cama até que a ouvi abrir a porta da rua. Então, pulei fora da preguiça.

Acordara com o "mar nos ouvidos", um cansaço enorme na alma e uma vontade ainda maior de me “atirar ao rio”.

- Hoje não pode ser – garantiu a Carma – temos de ir a minha casa buscar um saco de terra para os vasos e tem de me ajudar a mudar as flores.

E quem pensa que na minha casa mando eu, que se desiluda. Quando a Carma dá ordens, refile eu o que refilar, não me resta senão obedecer. O temporal levara as malvas-rosas das floreiras da varanda e a ela decidira substitui-las por amores-perfeitos que trouxera do viveiro da prima. “E toca andar que a manhã é curta” - não disse, mas pairou implícito e eu obedeci.

A tarde, passei-a debruçada sobre a má disposição, fechada em casa, a receber mensagens lembrando a vinda a Leiria de António José Seguro e só por volta das dezanove horas fui ao Continente às compras, para depois jantar e ir ouvir o líder.

O P da C veio cumprimentar-me mal me viu aproximar da entrada de ESECS e eu brinquei:

- Não precisavam de vir todos receber-me.

- Bastava vir eu, não era?

Entrei, atravessei o átrio, cumprimentando sem me deter e dirigi-me ao anfiteatro onde pacatamente tomei assento, esperando o início da sessão.

Era o Dia Mundial da Felicidade, mas eu não sou feliz por decreto.

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