domingo, 3 de março de 2013

FOMOS


fomos

na tarde já tarde
fez-se dia
o rio desaguava
no terreiro
de cada rua
vinha gente
o caudal enchia
enchia

palavras e frases
dançavam
sorriam
gritavam
umas em sinfonia
outras desgarradas
em agonia

povo unido
jamais será vencido
gritava-se

terreiro ficou sem
espaço
passou a terreiro
do povo
com ar de revolução
de passos
exigiam a demissão

políticos
eram todos
partido nem um
a ordem era
o povo está em
luta
vem e trás
mais um

assim
nas mãos
nos braços
nas bocas
de um milhão
escorriam
todas as palavras
dignas de
indignação

joaquim vairinhos, 02/03/2013-terreiro do povo, Lisboa.

De um poeta e amigo virtual.

Que honra, a de pertencer a um povo que protesta cantando!


5 comentários:

  1. "Que honra, a de pertencer a um povo que protesta cantando!"

    Completamente de acordo!

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    1. Muito obrigada "Poesia Portuguesa". Seja bem vinda ao meu modesto espaço. "A arte de amar é exactamente a de se ser poeta" (Cecília Meireles). Volte sempre "Poesia"!

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  2. Muito bonitas as palavras. Foi mesmo assim que aconteceu!

    Beijinhos revolucionários.

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    1. Pois foi. E eu que não gosto de multidões, vi-me mais uma vez marchando com a indignação à flor da pele.

      Escaparemos à injeção letal com que se condenou a onda grisalha? Morrer de uma vez só será mais fácil que agonizar muito tempo.
      Beijinhos também para ti

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