quinta-feira, 9 de agosto de 2012

MIMOS


Ligeira, descia as escadas, quando o telefone tocou. Prometera encontrar-me com a GM às onze horas e tencionava cumprir.

- É o meu. – Pensei, continuando a descer.

E o telefone tocava… numa corrida, voltei atrás. Antes de atender olhei o número. Quem era, havia ligado de manhã cedo, prometendo visitar-me brevemente, com a companheira.

- Teria acontecido alguma coisa? – Interroguei-me. - Então, que se passa? – Questionei ao atender.

– É bom ter-te de volta. Já tinha saudades. Ainda bem que acabou a hibernação.

- Tradutor! – Exclamei - Preciso de tradutor. Não entendo o que me estás a dizer.

- Fui ao teu blog. Voltaste a escrever. Que bom! Fazia-me falta ler- te.

- Amigo, no início deste ano, todas as rifas que tirei tinham prémio. - E desfiei o rosário de desgraças por que passei, nos primeiros seis meses. - As dores não matam, mas amolentam. A quem apeteceria escrever?

- Mas, não disseste nada…

- Aborreceria os amigos e as dores não passariam. Felizmente, melhorei.

- Nota-se. Que bom voltar a ler-te!

Agradeci a gentileza e a boa amizade que lhe merecia, procedemos aos despedimentos do costume e a conversa ficou por ali.

Corri pelas escadas, sorrindo. Não há mimo de alma que não ilumine uma manhã, apesar do sol. Nem sonhava os que ainda iria receber. A GM, esgotado o assunto que nos fizera juntar, ofereceu-me mais, a PS, quando nos encontrámos, mais tarde, levava também alguns para me dar e já noite, três frases, só três, fecharam uma ferida que tinha aberta no meu peito.

Terá sido, ontem, o dia nacional dos miminhos d’alma?

Os amigos que nos falam devagar, com “um sorriso desenhado nas palavras soalheiras” são como a água fresca num dia de calor: matam a sede aos afetos.   

2 comentários:

  1. Já me sinto muito mais fresco, eu estava sedento, passei a manhã no quintal...
    :)

    Gosto de a ver feliz e isso nota-se, mesmo a esta distância, muito! Que bom!!!

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    1. Como não hei-de estar feliz depois de 6 meses a gemer?!
      Se lhe descrevesse as prendas me saíram nas rifas,do primeiro semestre deste ano, até chorava com pena de mim...
      Junte-lhe ortopedista a torcer o nariz e as filhas a ralharem por me recusar a fazer a ressonância magnética que confirmaria o diagnóstico... e compreenderá que tive de puxar dos galões: A mãe sou eu! É a mim que assiste o direito de ralhar. As dores não serão mais teimosas do que eu. Ponto final.
      E não foram. Já passou tudo e nem quero pensar nisso.
      VIVA A VIDA!

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