sexta-feira, 9 de setembro de 2011

AINDA

Falava-lhe do tempo. Queixava-me. Implacável não se compadecia com o meu ritmo. Não esperava por mim. Passava. Ia sem que sentisse.

O amigo olhou-me, com aquela ternura de que só os amigos são capazes e comentou “ainda és capaz de fazer perder a cabeça a um santo”.

“Quando encontrar um santo, verei se tens razão”. E ri-me, ri-me com vontade. A gentileza do amigo nem repara que a advérbio “ainda” confirmava o meu discurso.



E agora ó Deuses que vos direi de mim?

Tardes inertes morrem no jardim.

Esqueci-me de vós e sem memória

Caminho nos caminhos onde o tempo

Como um monstro a si próprio se devora.

Sophia de Mello Breyner Andresen

3 comentários:

  1. O ainda será (para ti) o sempre:)

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  2. "Feliz aquela que efabulou o romance
    Depois de o ter vivido
    A que lavrou a terra e construiu a casa
    Mas fiel ao canto estridente das sereias
    Amou a errância, o caçador e a caçada
    E sob o fulgor da noite constelada,
    À beira da tenda, partilhou o vinho e a vida
    Sophia Andresen

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