quarta-feira, 9 de novembro de 2011

ILHA

Lá fora, a chuva cai de mansinho.
Na luz translúcida da manhã, apetece poesia.


Deitada és uma ilha. E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente

promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente

Deitada és uma ilha Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias

David Mourão-Ferreira (1927-1996)

7 comentários:

  1. "Tu vens todos os dias à noitinha
    e despes-te com tanta lentidão
    com tanta lentidão que se adivinha
    a forma do teu próprio coração

    E quando vais é já noite fechada
    não sei se vou ficar se vou sair
    não posso ter a alma sossegada
    sem saber se amanhã tornas a vir"

    David Mourão Ferreira

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  2. Muito erótico o senhor David Mourão-Ferreira! Mas que bem escrevia!

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  3. Olha a minha ilha:)

    O DMF é de facto um escritor especial em Portugal...Amava sem vergonha...e com gosto:)

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  4. Olá, Rui.
    Muito obrigada pelo poema. É lindo.

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  5. Olá, "carol".
    Andas muito crítica, amiga. Olha que um dia de chuva é óptimo para descobrir (lol)


    Tenho a certeza que passarias a gostar de chuva... lol

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  6. Olá, M.

    O seu a seu dono. Há muitas "ilhas" semelhante. Esta seguramente não será a tua, mas por certo parecer-se-á muito :)

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  7. Lindos os poemas de David Mourão Ferreira, quer o que transcreveu a Isabel, quer o do RUi Pascoal!!!

    É um prazer ler este grande poeta e refletir na sua CRIAÇÃO!!!...
    B. F. sMNA iSABEL
    beijinho
    MHelena

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