quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Lembrando FERNANDO PESSOA

No septuagésimo sexto aniversário da sua morte.

SONHO. NÃO SEI QUEM SOU

Sonho. Não sei quem sou neste momento.

Durmo sentindo-me. Na hora calma

Meu pensamento esquece o pensamento,

Minha alma não tem alma.


Se existo é um erro eu o saber. Se acordo

Parece que erro. Sinto que não sei.

Nada quero nem tenho nem recordo.

Não tenho ser nem lei.


Lapso da consciência entre ilusões,

Fantasmas me limitam e me contêm.

Dorme insciente de alheios corações,

Coração de ninguém.


Fernando Pessoa, in Cancioneiro

21 comentários:

  1. Permites-me que estenda essa homenagem à tua pessoa?

    :)

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  2. Bolas! podias ter escolhido um poema mais fácil! (Se é que ele alguma vez escreveu poemas fáceis...)

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  3. Ausência,
    Consciência,
    Solidão...
    Só um senão:
    Existência.

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  4. Olá Isabel!

    Escolheu um poema muito transcendente....
    "não tenho ser nem lei"
    "se existo é um erro eu o saber"
    :(

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  5. ver Sonho Impossivel.

    Poema Fernando pessoa

    canta Maria Betania

    ver Youtube

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  6. Olá, "carol"
    O que será "fácil" senão uma palavra inventada pelo Homem para exorcizar os seus medos?
    O que será "fácil" senão a chave com que se abre a porta da coragem?
    Nem sempre usamos a palavra "fácil", porque somos pródigos em palavras ou expressões com o mesmo sentido.

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  7. Olá, Olímpio.
    Com tão poucas palavras e acertou todos os "tiros". Isso é que é pontaria!
    A Existência é dura, mas não é um defeito. E se fosse eu não me importaria (lol).

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  8. Olá, Maria Helena,
    Quem não deseja ir para além de si? Quem não deseja livrar-se das limitações do eu?
    Quem não visa a plenitude?
    Será que cada um de nós não visa à sua maneira a plenitude?
    Não se fará a transcendência de desejo e movimento?

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  9. Olá "euchavi"
    Terei em conta a sua recomendação. Obrigada

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  10. Isabel!

    Não podemos ser tão exigentes assim!...

    A Isabel vai ao âmago da interpretação do poema...
    Tem alma de poeta!!!.......

    Bom Domingo
    Beijinho
    MHelena

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  11. O bastante, é comezinho!
    O tudo, é pouco!
    Só o absoluto importa!

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  12. Olá, Olímpio.
    O problema é ser tudo relativo.
    Será que estamos de volta ao mesmo?! :)

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  13. Maria Helena:
    Comigo a fada-madrinha fez tudo pela metade:). Deu-me uma sensibilidade que me enche a alma de nódoas negras e esqueceu-se de me dar o dom da poesia.
    Cá vou vivendo o melhor possível com a fragilidade que me calhou em sorte. :)

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  14. Relativo???!!!
    E fala em plenitude?????!!!!!
    Qu'é isso de plenitude relativa????!!!!

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  15. Fragilidade?????!!!!!

    De frágil não tem nada minha Amiga!....
    A sua Fada-Madrinha fadou-a não pela metade mas,....por inteiro!
    Desde que a conheço que acho que é uma Mulher PLENA, quer fisicamente, quer intelectualmente....e esta hein!!!
    Com este elogio vai ter com toda a certeza uma SEMANA PLENA de TUDO AGRADÁVEL e BOM!!!,,,,
    Beijinho MHelena

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  16. Olímpio,
    Que sonhemos em grande! A plenitude é uma utopia, que por vezes parece que tocamos.Isso acontece quando ao sonho conseguimos imprimir movimento e ele acontece. Por isso achamos que há momentos que valem a vida. Desiludimo-nos quando descobrimos que são as certezas, ou o que de mais perto temos como certo (porque certeza só existe uma - a morte)que nos dão segurança e que são as rotinas que nos fazem felizes. Eu sou uma triste (lol),falta-me o sentido prático da vida e para mim as rotinas são para quebrar. Aceito a vida corajosamente, mas há sonhos de que sou incapaz de abrir mão, embora o que eu quero possa ser negociável e o que não quero não seja (de todo!)
    Há uns anos atrás, à noite, quando me deitava para dormir, pensava no dia que findara, não como acontecera, mas como eu gostaria que tivesse acontecido e adormecia tão cheia da palavra amanhã que o dia seguinte era o meu sonho de plenitude.
    Quanta tolice! Pensará o meu amigo. Não contesto. Cada um sobrevive o melhor que pode.
    Do conhecimento escasso que aquelas duas ceias que partilhámos na Herdade do R., onde caí de "para-quedas" no seu grupo de amigos, quase me atrevo a dizer que o Olímpio é um sonhador inveterado. Engano-me?

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  17. Maria Helena,
    Quanta simpatia! Mas que exagero! Fiquei sem jeito. A Fada-Madrinha esqueceu-se de me obsequiar com o sentido prático da vida, mas felizmente conseguiu emendar a mão fazendo-me uma pessoa vocacionada para a tarefa, de modo que o dito defeito não se nota muito. Sou das que mesmo "com as vísceras na mão" vou em frente.
    A Fada-Madrinha esqueceu-se de me atribuir as prendas que refere, mas deu-me amigas, como a Maria Helena, disponíveis para me mimarem com palavras como as que me dirige. Eu tenho consciência de que só a sua boa vontade e simpatia as ditaram, não sou eu que as mereço, mas agradeço do mesmo modo a sua gentileza.
    Bem haja pelos miminhos.

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  18. A vida, é uma escada sem fim...
    Cada degrau, um patamar de incompletudes...
    O refúgio, é o relativo...
    A angústia, é a consciência do absoluto...
    Do absoluto, o vértice é o sonho...
    O Milagre, é o sonho de uma criança.

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  19. Olímpio, parece que estamos de acordo. Belo poema!

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  20. Tudo o que faço ou medito
    Fica sempre na metade.
    Querendo. quero o infinito
    Fazendo, nada é verdade.

    Que nojo de mim me fica
    Ao olhar para o que faço!
    Minha alma é lúcida e rica
    E eu sou um mar de sargaços

    Um mar onde bóiam lentos
    Fragmentos de um mar de além...
    Vontades ou pensamentos?
    Não o sei e sei-o bem.
    Fernando Pessoa in Cancioneiro

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