domingo, 13 de fevereiro de 2011

ESTA MANHÃ

Acordei cedo e antes de abrir os olhos pensei “não me apetece nada que seja segunda-feira” e, em simultâneo comecei a passar em revista todo o plano do dia. Abri uma nesga do olho direito e vi as horas. Quase oito! Poderia mandriar mais dez minutos.

Oh, Deus! Despertei de vez e lembrei-me. Afinal não era Segunda-feira, era Domingo! Saltei da cama com redobrada genica e fui à varanda. Chuva e mais chuva! Uma autêntica “manhã de pobrezinho”, na douta definição do marido da minha amiga CG, mas não de um pobrezinho qualquer, porque para se usufruir de uma manhã destas, o pobrezinho precisa do tacto de outra pele para viajar por muitas latitudes.

Destes pensamentos profundos e de mãos vazias, parto em busca do pequeno-almoço. Não havia pão, não havia torradas. Nada é perfeito! E misturado com esta filosofia da treta bebi o leite e comi bolachas.

A chuva lá fora continuava a cair …

CHOVE!

Chove...

Mas isso que importa!
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira

8 comentários:

  1. Chuva...Não há chuva como na savana!É quente,é morna,é fresca,é fria...molha sem molhar, escorre sem parar, limpa o suar, brilha ao luar, mareja o olhar...ao nascer do sol faz estrelar cada folha de capim, cada copa de árvore, cada dorso de antílope, cada espelho de rio, cada reflexo de cacimba...e faz rescender o perfume mais intenso, o mais agarrante, o mais penetrante, o mais inebriante...o da terra molhada...do sol e da sombra, do dia e da noite, do calor e do frio, do vapor e do pó, do cheiro do corpo do homem já sujo, ao lado do cheiro agreste, ácido, limpo, das fezes da palanca, do soco, da pacaça ou do songue...Chuva na savana, sol no coração!

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  2. Vi os brilhos. Senti o cheiro do corpo do homem já sujo e da terra molhada, porque os outros não sei identificar. Pelas mãos e pela face gotejou-me essa chuva benfazeja e a roupa moldou-se-me ao corpo à medida que a água a molhava!
    Pela suas palavras estive lá.
    Que extraordinário pedaço de prosa!

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  3. Grato pela visita.
    Quanto à chuva, só esta tentar um pequeno poema

    Chove agora e neste momento
    Chove agora que feliz
    Chove agora estou contente
    Chove agora a quem o diz
    Chove agora pingou-me o nariz

    A chuva rega toda a flor
    A chuva dá emoção
    A chuva dá frio e dá calor
    A chuva cai com amor
    A chuva lava até o coração

    Desejos duma boa semana.

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  4. Veia para as flores e gosto pela fotografia já me tinha apercebido que tinha. Agora constato que também gosta de versejar. Habilidades não lhe faltam...
    Boa semana também para si, amigo João. É sempre um prazer visitar o seu espaço.

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  5. Neste passado Domingo
    O céu veio a chorar
    Depois de um sábado lindo
    Levava a recordar

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  6. São mais bonitos os poemas sobre a chuva do que a chuva propriamente... Não gosto nada de chuva: fico cinzenta.

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  7. Felizmente há gostos para tudo! Eu gosto de andar à chuva, sem a protecção de um chapéu, com os pingos a afagarem-me a cara, como dedos frios a arrepiarem-me a pele. Hoje a tarde estava óptima para isso, mas as senhoras já não fazem dessas tolices e, mesmo que arriscasse, teria de passar pelo Lar molhada até aos ossos para ouvir o sermão da minha mãe e a ordem imediata de um banho quente para não ficar doente. Já não seria uma chuvada como antigamente... mas lama ainda se arranja para patinar.

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  8. A Isabel pôs-se a desafiar a Primavera… agora a chuva não nos larga.
    :)

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