quarta-feira, 16 de março de 2011

TEMPO

Em frases simples, falei de nós ao vento

Comecei pela ansiedade expectante

da espera

Falei da cor daquele “olá”

com que chegavas


(Queda-se o vento esquecido de soprar)


Detive-me de seguida no abraço

Mergulhei na sofreguidão dos beijos

que trocámos

Perdi-me na loucura da carícia

Fui contigo no delírio da posse


Aqui perdi a voz

mas

o vento ouvira-nos, um dia

e retomou então a narrativa


Falou de ti e de mim

Dizendo um só


Falou

de carinho, de ternura

Abreviou

falando-me de Amor


Escureceu-me o olhar

lembrara a despedida


A brisa suave deste vento

caiu na tarde, gelou, virou lamento


À noite,

o meteorologista confirmou

inexplicavelmente

o tempo piorou.

8 comentários:

  1. Mas tu escreves mesmo bem!!!

    Mas já desconfiava. Normalmente não me engano:)

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  2. Por vezes, até as pessoas mais versadas em meteorologia se enganam, o amor acontece...

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  3. Ontem,foi 16 de março.
    Não me lembro de ter lido em nenhum orgão de comunicação social que perfez 37 anos sobre a intenton das Caldas que viria a culminar com o 25 de Abril. Será que já foi para as calendas?
    Se fosse o aniversário da morte do Carlos Castro, possívelmente todo o mundo se lembraria.

    Enfim, é a vida!!!

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  4. Olá, João.
    A 17 de Março, passou mais um ano sobre o falecimento de Natália Correia (1923-1993), também não me lembro que tenham referido. Memória curta...
    O país anda muito preocupado com a crise política que se vive. Todos tentam adivinhar o futuro. Ninguém pensa no passado.
    Acho que toda a gente deveria ter um jardim como o seu para relaxar os neurónios.

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  5. Olá, M.
    Espero que a desconfiança não te obrigue a usar lupa e seguir pegadas :)

    Obrigada.

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  6. Bom dia, Rui.
    A Vida acontece todos os dias. Eu confio, na Vida e confio em Mim.
    Como bem imediato a Vida já me concedeu o dia de hoje. Veremos o que faço dele.
    Obrigada pelo estimulo.

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  7. Muito bonito, Isabel! Muito bonito! Leve! Belo!
    Afinal não escreves bem só para as criancinhas...
    Parabéns!
    Ah! E já copiei (roubei?...) para o meu caderno de versos...

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  8. Olá "carol"! Só "roubarias" se me desses um soco num olho. :) Como não exerceste qualquer tipo de violência, de acordo com a lei vigente, não roubaste nada. Serve-te à vontade. Para mim é uma honra.

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