sábado, 3 de novembro de 2012

QUE FALTA FAZ UM MARIDO PRESTÁVEL


No Honda day, na viagem de regresso da oficina para casa, depois de ter concluído que ir com o carro ao check up num sábado de manhã era “coisa de gajos”, como diz a minha amiga OC, entretive-me a tecer algumas conjeturas: se eu tivesse um marido prestável, acordaria quando Deus quisesse, depois lia um pouco e quando me parecessem horas levantava-me, o marido levava-me onde eu precisava de estar às onze horas daquela manhã e ele, depois, alongar-se-ia as horas necessárias na oficina, conversando com os amigos  que eu cumprimentei sem parar “bom dia-como está-prazer em vê-lo” e ala que se faz tarde.  

Pois! Mas não tenho marido. Também não vou ter. Que a forma de se conseguir um é casando e isso, eu já fiz e desfiz e não voltarei a fazer, não vá ter de voltar a desfazer. “Nada feito” concluí “só se arranjar quem me empreste um” e mentalmente, pus-me a passar em revista as amigas que me poderiam disponibilizar o delas por um curto lapso de tempo, acabando por concluir, à falta de currículo diversificado dos respetivos ditos cujos, para as tarefas em vista, que o melhor era contratar motorista. E de novo “nada feito” os rendimentos mensais, cada vez mais escassos, não permitem luxos.

Nesta tonteira de análise, cheguei a casa onde me esperava a desagradável surpresa de o fio da ligação do MEO estar caído por terra, que é como quem diz, pelo chão fora, tal como eu previra aquando da sua instalação. “Ah! Que falta faz um marido prestável!”- para compor o fio, evidentemente, ou arranjar quem compusesse.

Nesse dia à noite, reclamando ao telefone com uma amiga por ela ter mudado residência para Lisboa, há um ror de “luas”, saiu o lamento “preciso tanto que me emprestes o teu marido…” “e para que o queres?” “então quando era nova emprestavas-me o homem sem vacilar e agora que estou velha e ele nem se fala, é que perguntas para que o quero?!” “pretendo avaliar se ele está à altura da missão a desempenhar…”. Expliquei o que pretendia e ela que sim, que fixar uma calha na parede, para passar um fio ele estava apto… E admitimos a hipótese da vinda e pagamento em almoço, o que depois não se concretizou. E o fio pendurado, meio caído a incomodar-me o juízo…

Entretanto chegou de férias da Serra da Estrela (quatro meses, senhores! Se é possível?!) outro casal amigo e o marido, na segunda-feira, na volta das compras, bateu-me à porta a dar a notícia. Eu carpi a desdita do fio e prestável, o meu amigo, garantiu arranjar quem me resolveria o assunto. Eu rejubilei: o marido prestável poderia não ser meu, era preciso é que existisse.

De facto o meu amigo, no dia seguinte telefonou: “Os teus desejos são ordens. Liguei a um eletricista que costuma trabalhar para mim, ele vai aí sexta-feira ou sábado resolver-te o problema” e deu-me o número do telemóvel do dito para que combinássemos ao certo, dia e hora. Assim fiz e ficou combinado que ele viria sábado de manhã, às nove horas.  

Pois hoje de manhã, telefona o eletricista: “estou aqui na praça, no Rossio” “está a onde” e a chamada caiu. Nova ligação… e mais outra… Aveiro, o senhor estava em Aveiro. Ainda pensei que me pretendia dizer que não vinha e quisesse marcar para outro dia, mas não o eletricista procurava a minha casa em Aveiro. 

Terminada a conversa, concluído que foi o engano do meu amigo, na contratação da pessoa, talvez por possuir também uma casa em Aveiro, mandei-lhe um SMS: Não vás ao médico, não… Há gente internada por menos…Ainda não obtive resposta. O meu amigo deve ter o telemóvel desligado.

O fio continua caído… (que raiva!)

Marido prestável haverá, mas fora de tempo e de lugar. O melhor é desenvencilhar-me pelos próprios meios… (Como se eu ainda não soubesse!)

6 comentários:

  1. Zabelinha, tens aqui o meu... a viver pertinho! Mas não prometo nada porque ele, de prestável... tem pouco. Lá para ir ver do carro, ainda vá que não vá. Agora para eletricidades e afins, nada feito!

    E é só!!!.... Eheheheheh!

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    1. São só coisas desse tipo :)) garanto! Não quero mais nada.

      Obrigada amiga, pela solidariedade e disponibilidade manifestadas. Não me vou esquecer do oferecimento.

      Beijinhos para os dois.

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    1. O som dessa gargalhada chegou cá e ri-me contigo.

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  3. Essa fez-me lembrar um episódio passado com a minha cara-metade, há um montão de anos. Um belo dia, depois de deixar a filha no infantário, ela apercebeu-se de que tinha um furo. Vai daí liga-me para que eu fosse resolver o problema. Solícito, perguntei-lhe mais ou menos assim: "Olha lá, não tens paizinho?"
    Fosse disso ou não, nunca mais teve um furo.
    :)

    P.S. (O meu sogro era uma joia, eu nunca o fui...)

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    1. Trate-a bem, muito, muito bem, porque Any só há uma. A sua esposa e mais nenhuma. :)

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